Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (verg@esoterica.pt) ---------------------------------------------------------------- Capítulo 9 Sheba acordou com um salto, totalmente desorientada e não sabendo onde estava. Abanando a cabeça de um lado para o outro tentou clarear os pensamentos. "Devo ter batido com a cabeça com mais força do que pensava!"- pensou ela. Por momentos pensou em levantar o capacete e ver se tinha algum hematoma na testa, mas a verdade é que não tinha a coragem para o fazer. Já lhe bastava a dor no ombro esquerdo, não precisava de arranjar outra coisa para a preocupar. A sua visão toldou-se momentaneamente e ela abanou de novo a cabeça o que pareceu piorar a situação pois começou a ver tudo a cinzento, acabando depois por deslizar de novo para o negro da inconsciência. O desmaio foi apenas momentâneo pois Sheba acordou ainda antes de bater no painel de controlo à sua frente. Olhando para o lado direito viu que Dietra lhe estava a fazer uma série de sinais, perguntando-lhe o que se estava a passar. A Capitã respondeu, dizendo que tudo estava bem para que a sua companheira de voo não ficasse preocupada. Apesar da distância que separava os dois Vipers, Sheba viu a preocupação que Dietra tinha estampada no rosto. Desviando o olhar, a Guerreira começou a recitar de novo os procedimentos de emergência, vendo se não lhe tinha escapado nada. Era também uma maneira de se manter ocupada e acordada. Ela estava tão embrenhada naquele procedimento que nem reparou nos disparos de turbolaser do outro Viper. Quando finalmente reparou neles, olhou na direcção de Dietra que lhe fez sinal para que ela olhasse para a frente. Sheba assim fez, esforçando-se para discernir alguma coisa. De certeza que estavam a ir na direcção da Frota, portanto deveriam-se ver as luzes de presença das diferentes naves, mas este não era o caso. Se isso acontecia só podia ser porque a Frota estava a ser atacada! Esforçando ainda mais a sua visão, Sheba começou-se a aperceber de pequenas luzes que apareciam e desapareciam rapidamente e que só podiam ser tiros e explosões. Virando-se rapidamente para Dietra, perguntou-lhe o que os sensores estavam a detectar. A Tenente consultou o seu monitor e rapidamente fez um sinal que deixou Sheba aterrada. Uma Nave-Base!!! A Frota estava a ser atacada por uma Nave-Base!! - E a Galactica?- perguntou ela gestualmente na direcção do outro Viper. Dietra respondeu-lhe que a Estrela-de-Batalha estava com a Frota e que já estavam duas Esquadrilhas a combater os Cylons. A Esquadrilha Vermelha estava a ser chamada para ser reabastecida. Sheba não acabou de ver a mensagem da outra Guerreira porque desmaiou novamente, batendo com o capacete contra o vidro, enquanto o seu Viper começava a descer e a afastar-se em relação ao de Dietra. - Coronel Tigh, qual é estado da Frota?- perguntou Apollo, desviando os olhos do monitor que mostrava as imagens das operações de reabastecimento dos Vipers das Esquadrilhas Verde e Vermelha. Assim que um Viper aterrava era puxado até junto dos tubos de lançamento e reabastecido. Os Guerreiros saiam por momentos, para utilizarem as instalações sanitárias e para comerem e beberem qualquer coisa à pressa, voltando logo de seguida para os seus caças. Toda esta operação demorava cerca de três centons. - Já perdemos duas naves, a Letos e a Caribe.....Há uma terceira que está bastante danificada, mas a Esquadrilha Azul está a fazer todos os esforços para a proteger..... Apollo fez as contas mentalmente, a Letos era uma nave de transporte de passageiros, levando cerca de duzentas pessoas. Por sua vez a Caribe era uma nave de apoio logístico, com uma série de pequenas fábricas que construíam aparelhos utilizados no dia-a-dia da Frota. Como era practicamente automatizada e com pouco espaço para passageiros, tinha apenas cerca de trinta tripulantes. Ao todo tinham morrido duzentas e trinta pessoas só naqueles primeiros ataques. "Isso já são baixas de mais....nós somos tão poucos...", pensou o Comandante, abanando a cabeça e dizendo depois em voz alta.- Há mais baixas? Tigh consultou novamente o seu computador pessoal, antes de responder: - A Esquadrilha Azul perdeu três Vipers e a Lança de Prata, dois. - E as outras? - A Esquadrilha Verde está a aterrar agora, mas um dos seus Vipers está com problemas de motor e não vai conseguir sair de novo. Em relação à Esquadrilha Vermelha....Sheba e Dietra ainda vêm a caminho..... - Já me tinha esquecido desse pormenor.- disse Apollo, relembrando-se do relatório que tinha recebido assim que a Galactica tinha atravessado a cintura de asteróides, com a Nave-Base no seu encalço. Os dois Vipers tinham sido atacados por naves desconhecidas enquanto em patrulha. E isso levantava outra questão: - Por falar nisso, há algum sinal dessas tais naves? - Não, mas nós estamos a prestar atenção a esse sector. - Muito bem..... - Atenção, a Nave-Base está a lançar mais uma vaga de Raiders!!- disse de repente um Oficial de Voo. - Para onde se dirigem?- inquiriu de imediato Apollo. - Para nós! A resposta fez com que o silêncio se instalasse por momentos na Ponte. O plano dos Cylons era óbvio: enquanto uma vaga mantinha as Esquadrilhas ocupadas, atacando as naves civis da Frota, uma segunda vaga atacava a Estrela-de-Batalha. E o pior é que a Nave-Base ainda tinha mais Raider à sua disposição. - E a Nave-Base está a aproximar-se lentamente, por detrás da protecção dos Raiders....- disse então Tigh. - Quanto tempo falta para ficarmos ao alcance dos Mega-Pulsares dela? - Cerca de dez centons, se ela continuar à velocidade actual..... - Pode ter a certeza de que vai continuar. Nenhum Comandante Cylon se iria aproximar de nós enquanto tivermos os nossos mísseis operacionais pois o alcance deles é maior do que o dos Mega-Pulsares deles. Para já o que temos a fazer é continuar a lançar os Vipers das Esquadrilhas Verdes e Vermelha. Eles têm que nos proteger, enquanto que a Esquadrilha Azul e a Lança de Prata defendem a Frota. - Mesmo assim, contando já com as baixas, temos apenas noventa e dois caças contra as duas vagas de Raiders, ou seja , cerca de duzentos caças inimigos. Se eles lançarem uma terceira vaga..... - Aí estamos em apuros...- disse Apollo, com franqueza.- O melhor é preparar a Esquadrilha Dourada. Sempre ficamos com mais vinte e cinco Vipers..... A Esquadrilha Dourada era uma invenção de Adama para combater a falta de pilotos e era constituída por Guerreiros que ou já tinham passado para a reforma ou estavam a prestar serviço na Ponte e noutros sectores da Galactica. A sua utilização era sinal de que a situação era bastante grave. - Quem é que vai comandar essa Esquadrilha?- questionou Tigh, consultando no seu computador a lista dos Guerreiros que a constituiam.- Não estou a ver aqui ninguém.... - Eu vou, Coronel!- respondeu o Comandante, levantando-se da sua cadeira.- A Frota precisa de todos os seus Guerreiros. - Apollo, essa tua decisão não está certa! Imagina que te acontece qualquer coisa..... - Se tal for o caso eu sei que a Frota fica em boas mãos...- disse simplesmente Apollo, apertando o ombro de Tigh e olhando-o nos olhos.- Por alguma razão o meu pai sempre confiou em si......... O Coronel fitou Apollo e acabou por acenar com a cabeça, dando-lhe razão em todos os aspectos. Sem mais palavras, o Comandante desceu do Posto de Comando e saiu da Ponte, dirigindo-se para hangar onde estavam a preparar os Vipers da Esquadrilha Dourada. Dietra aproximou o mais possível o seu Viper do da Capitã, o que não era simples porque o Viper de Sheba continuava a afastar-se cada vez mais, totalmente fora de controlo. Levando os olhos aos sensores a Tenente viu algo ainda mais preocupante. As naves da Frota pareciam mergulhadas num mar de Raiders e, para além disso, a Nave-Base estava a aproximar-se cada vez mais da Galactica. Num abrir e fechar de olhos Dietra viu dois dos pontos que representavam Vipers desaparecer dos seus sensores. Num instante e de uma maneira que parecia simples, duas vidas humanas tinham sido simplesmente "apagadas". A Tenente desviou o olhar dos sensores, afastando da sua mente a mágoa ou qualquer outro tipo de sentimento. Ela sabia que iria haver muito tempo para isso, depois de estarem em segurança na Galactica. Voltando a sua atenção de novo para o Viper de Sheba, Dietra viu que este parecia estar a estabilizar o voo e, como que a confirmar isso, a Capitã endireitou-se no seu assento e fez um sinal de que tudo estava bem. Dietra comunicou-lhe por sinais que ia pedir de novo ajuda à Frota e, perante o sinal afirmativo de Sheba, assim fez. Desta vez a voz que lhe respondeu foi a do Coronel Tigh, informando-a da situação e dizendo-lhe que o melhor que tinham a fazer era esperarem no sector onde estavam até a situação se resolver. A Tenente respondeu afirmativamente, acabando a transmissão e informando Sheba do conteúdo da conversa. Antes que a Capitã pudesse responder, algo de muito estranho aconteceu a ambas. Por meros microns o tempo pareceu parar e logo de seguida voltar ao normal. Os próprio sistemas dos Vipers pareceram fraquejar momentaneamente. Quase que por instinto Dietra levou os olhos aos sensores. No sector que tinham abandonado tinham surgido dez naves que o computador não conseguia identificar e que se estavam a deslocar na direcção da batalha. A Frota tinha que ser avisada de imediato! O aviso de Tigh apanhou Apollo exactamente no momento em que o Viper deste saía lançado do respectivo tubo de lançamento. - Não se importa de repetir, Coronel?- disse o Comandante enquanto fazia o seu caça descrever uma volta, esperando pelo resto da Esquadrilha Dourada. - A Tenente Dietra acaba de avisar que surgiram dez naves de origem desconhecida no sector Delta F...... Com uma das mãos, Apollo programou o computador de bordo para mostrar um mapa do dito sector, ligando-se também aos poderosos sensores da Ponte da Galactica. De imediato os dez alvos surgiram no seu ecrã e era óbvio que vinham em direcção da Frota. - Os computadores da Galactica conseguem identificá-las?- perguntou Apollo que sabia que a Estrela-de-Batalha possuía um catálogo de naves muito mais vasto do que aquele que existia no computador de um Viper. - Negativo.- respondeu Tigh.- As Colónias não possuem o registo de nenhuma nave assim. - E quanto aos seus ocupantes? - Segundo os nossos sensores.........- começou Tigh a dizer, parando de repente e murmurando de seguida.- ......Não pode ser! - Que se passa?- inquiriu Apollo, que não estava habituado a ver o Coronel tão espantado. - Os sensores indicam que os seus ocupantes são Humanos como nós.- disse o Coronel, confirmando novamente os dados. - Não podemos tirar nenhuma conclusão disso. Não é a primeira vez que encontramos raças irmãs no espaço.... - O nível de tecnologia deles é bastante elevado se comparado, por exemplo, com Terra. Aparentemente possuem capacidade de voo hiperespacial........... Apollo pensou rapidamente no que deveria fazer. Quase que sem querer começou a pensar no que faria o seu pai numa situação semelhante. Os seus pensamentos foram abruptamente interrompidos pela voz do Coronel Tigh: - Acaba de surgir da passagem uma vaga de Raiders...... A Nave-Base deve tê-los deixado para trás quando veio atrás de nós..... Um sentimento de frustração invadiu o Comandante. Seria aquela a última batalha da Humanidade? Durante a sua longa viagem, a Galactica e o resto da Frota já tinham passado por inúmeras situações de perigo, mas aquela parecia ser a pior de sempre. O Comandante da Nave-Base estava a mostrar-se extremamente competente, ao contrário do que costumava acontecer quando Baltar comandava as operações contra eles. A sua frustração foi sendo lentamente afastada por um outro sentimento. Um ódio intenso começou a invadi-lo. Pela sua mente passaram as faces de todos aqueles que havia perdido na guerra contra os Cylons. As imagens de Zac, Serina, Boxey misturavam-se com a de muitos outros que ele conhecera e que já haviam partido para junto dos Senhores de Kobol. - Esquadrilha Dourada!- disse ele no circuito inter-naves, após alguns microns.- Formem na minha asa!!! Temos que proteger a Galactica enquanto a Esquadrilha Verde e Vermelha não são lançadas na sua totalidade. A sua ordem foi recebida com uma série de respostas afirmativas e rapidamente os outros Vipers começaram-se a alinhar junto do seu, até formarem uma linha recta. Olhando rapidamente para ambos os lados através do cockpit, Apollo fitou os outros caças. Muitos deles apresentavam claros sinais de idade e de inúmeros reparos apressados. A Esquadrilha Dourada só deveria ser utilizada em último caso. Era uma espécie de último recurso da Frota e por isso nunca tinha sido equipada com Vipers novos. Apollo prometeu a sim mesmo que se sobrevivessem a este confronto faria com que a Esquadrilha recebesse os primeiros Vipers a sair da linha de montagem da Hephaestus. - Coronel Tigh, em relação às naves desconhecidas....- começou o Comandante a dizer, voltando ao assunto inicial. Ele iria fazer aquilo que o seu pai faria.- Enviem uma mensagem de boas-vindas e de aviso às naves desconhecidas. Utilizem todas as frequências, incluindo aquelas sub-luz. Avisem-nos para não se aproximarem por causa dos Cylons. - Sim, senhor!- respondeu Tigh, parando por momentos, antes de acrescentar.- Boa sorte! - Obrigado.- respondeu Apollo simplesmente, encaminhando depois o seu Viper na direcção dos primeiros Raiders que se aproximavam da Galactica. A chegada das dez naves também não tinha passado despercebida a bordo da Ponte da Nave-Base. Os sensores da nave Cylon, tal como os da Galactica assinalaram a presença das naves assim que estas surgiram. Essa informação foi transmitida de imediato ao Primeiro-Centurião, que rapidamente a processou. - Os seus tripulantes são orgânicos?- perguntou ele ao Centurião que era responsável pelos sensores de longo alance. - Sim, os seus tripulantes são orgânicos. Perante esta nova informação, o Primeiro-Centurião voltou a processar o problema. Segundo os computadores centrais, encerrados nas profundezas da Nave-Base, as dez naves que tinham surgido do nada eram de um modelo nunca encontrado pelos Cylons. Isso poderia ser um problema pois as suas capacidades não eram conhecidas, dizia um dos cérebros do Primeiro-Centurião, mas o outro contrapunha que se os ocupantes das naves eram orgânicos, estas deveriam ser destruídos de imediato, sem se olhar a consequências. O Primeiro-Centurião optou por uma solução de meio-termo, mandando que dez Raiders da Primeira Vaga, acabados de emergir da passagem atacassem as naves desconhecidas. Desta maneira, iria avaliar as capacidades do inimigo. Se este se mostrasse difícil de destruir, ele poderia sempre mandar mais caças atacar. Com o problema resolvido, voltou de novo toda a sua atenção para a destruição dos Coloniais. A Terceira Vaga de Raiders estava a fazer uma progressão lenta em direcção ao centro da Frota, local onde se encontrava a Galactica, que continuava a lançar os seus Vipers. Consultando os dados dos sensores, o Primeiro-Centurião fez uma rápida operação matemática. A Segunda Vaga tinha perdido quinze Raiders no ataque às naves da Frota. A Terceira Vaga tinha perdido vinte e três caças enquanto tentava chegar à Galactica e a Primeira Vaga tinha perdido dez Raiders quando a Galactica arrancara para a velocidade luz. O ataque mais importante era o da Terceira Vaga pois só quando esta destruísse, ou pelo menos inutilizasse, os lançadores de mísseis é que a Nave-Base poderia atacar a Galactica directamente. É claro que esse ataque era o que estava a deparar com mais resistência por parte dos Coloniais e os seus dois cérebros calculavam que as probabilidades da Terceira Vaga atingir a Galactica com mais de 50% das suas forças eram bem baixas. Só havia uma maneira de inverter essa tendência. - Reduzam a nossa velocidade em 25%.- ordenou ele aos Centuriões que dirigiam a Nave-Base. - Velocidade reduzida em 25%. - Quanto tempo falta agora para a Galactica estar ao alcance dos Mega-Pulsares. - Com a redução de velocidade, o tempo estimado para a Galactica estar ao alcance dos nossos Mega-Pulsares é novamente de dez centons. - Mandem os Raiders da Primeira Vaga juntarem-se aos da Terceira Vaga. Atinjam a Galactica, custe o que custar. - Pelo seu Comando!- respondeu o Centurião que estava a coordenar as operações dos Raiders. Depois de dadas as ordens, o Primeiro-Centurião recostou-se na sua cadeira colocada no pedestal de comando e esperou pelo desfecho do ataque. As probabilidades estavam agora, teoricamente, a favor deles. Os 157 Raiders das duas vagas deveriam ser suficientes visto que, para já, os Coloniais apenas tinham a defender a Galactica o equivalente a duas Esquadrilhas, ou seja 50 Vipers. Apesar disso, o Primeiro-Centurião ouvia repetidamente uma pequena voz, vinda do seu cérebro orgânico, que lhe dizia que os Coloniais já tinham escapado de situações muito piores do que aquela. Com um encolher mental de ombros, o Primeiro-Centurião afastou essa voz e concentrou os seus dois cérebros electrónicos na batalha. Combatendo a desorientação habitual decorrente do salto hiperespacial, o Capitão Trent, pediu uma estimativa da situação. " Todas as naves da patrulha efectuaram o salto com sucesso. O desvio do salto foi apenas de 1.2 metros em relação ao estimado.", respondeu a voz feminina de Erika. "Obrigado e parabéns pelo excelente trabalho.", pensou Trent, enquanto afrouxava os cintos que o prendiam à sua cadeira de comando. " É sempre um prazer servir a Marinha da Força de Defesa Terrestre.", disse a voz dentro da cabeça de Trent, acabando a frase com uma risada quase que de criança. De facto, a I.A. tinha apenas três anos de idade, pelo menos ao serviço da Marinha na Washington, tendo passado o princípio da sua "vida" ligado aos poderosos computadores da Stark-Kyama aprendendo tudo o que era necessário para interagir com os computadores das naves da Marinha e com os Humanos. Era também nesse período de tempo que a I.A. começava a criar e a desenvolver a sua personalidade e se a maior parte delas eram simpáticas, havia também, esporadicamente, casos de I.A. que desenvolviam personalidades irascíveis e pouco cooperativas, acabando mais tarde ou mais cedo por ser apagadas. " Ainda bem que não apanhei com uma dessas!!!"- pensou Trent para si mesmo." Já me basta pessoas como o Ossan, só me faltava ter uma I.A. assim!!!" Abafando uma risada, o Capitão virou a sua atenção para o resto da patrulha. Uma rápida conferência com os outros Comandantes informou-o de que todas as naves da patrulha estavam em condições. Consultando os dados recolhidos por todos os sensores da patrulha, Trent começou a fazer um apanhado da situação. " Como já se devem ter apercebido, estamos perante um cenário totalmente diferente daquele encontrado pela Lisbon e pela Dakar", começou ele a dizer, perante o aceno afirmativo dos outros Comandantes: " Para começar, parece que encontramos a tal nave-mãe que faltava....." " E não é nada pequena.....", acrescentou o Comandante da Havana, partilhado os dados com todos os outros colegas. " Tem quase o dobro dos nossos Cruzadores de Batalha....." Uma imagem surgiu na mente de todos, comparando os dois tipos de naves. Os novos Cruzadores de Batalha Terrestres eram enormes, funcionando como autênticas naves-mães, albergando dentro de si cerca de 75 caças dos mais variados tipos assim como duas companhias de Fuzileiros Coloniais. Mas o que se destacava nelas não era isto mas sim o canhão magnético que ela possuía. Essa arma era tão maciça que, na realidade, a nave era construída à volta dela pois não era possível fazer uma nave e depois adaptar-lhe o dito canhão. A construção dessas naves era muito demorada, sendo por isso que até à data só tinham sido construídas três. Apesar disso, a nave-mãe dos extraterrestres era maior do que ela! Mas as surpresas não acabavam aí e o Comandante Trent apontou esse facto aos outros: " Para além desta dita nave-mãe, há ainda outra nave que merece a nossa atenção", com um mero pensamento, ele partilhou a imagem de outra nave. A reconstituição tridimensional mostrava uma espécie de dois discos ligados por uma grossa coluna central. " Esta nave também é de um modelo totalmente desconhecido por nós". Tren parou por momentos, deixando que os Capitães das outras naves "digerissem" esta nova informação. Passados alguns segundos continuou: " Na primeira incursão, a Dakar e a Lisbon detectaram cerca de 50 naves da Classe C....mas agora a situação modificou-se e segundo as nossas estimativas estamos agora perante 90 naves dessa classe. Para além dessas, temos ainda que contar com 157 naves dessa mesma classe, mas de um tipo que ainda não tínhamos encontrado". " E todas essas naves estão em combate umas com as outras.....", interviu o Comandante Ossan. " Estamos envolvidos em algo que não nos diz respeito....." O Capitão da Washington tentou suprimir o seu crescente desagrado com o seu subordinado antes de continuar com a sua exposição, mas mesmo assim não conseguiu deixar passar a ocasião sem o censurar: " Isto passou a dizer-nos respeito a partir da altura em que eles entraram nas nossas fronteiras e a partir da altura em que você abriu fogo contra eles, desrespeitando as minhas ordens directas....." Ossan abanou a cabeça, fazendo um sorriso displicente, e começou a dizer algo, mas foi interrompido por um alerta dado pela I.A. de todos os Comandantes. Trent não perdeu tempo e, dando por terminada a reunião, interrogou de imediato Erika: " Que se passa?" " Temos dez naves a dirigirem-se na nossa direcção. O tempo estimado de intercepção é de 5 minutos". "Mapa táctico", ordenou ele e de imediato a I.A. projectou-lhe na mente o item pedido. No mapa via-se claramente que dez naves de Classe C se estavam a aproximar da patrulha, vindas do cinturão de asteróides. Em voz alta o Capitão dirigiu-se então para os restantes tripulantes presentes na Ponte. - Meus senhores, espero que todos mantenham a calma e que não se repitam os erros que aconteceram da primeira vez. Lembrem-se que só podemos disparar se formos atacados! Perante o assentimento dos tripulantes, Trent abriu de novo a comunicação com o resto das naves da patrulha transmitindo essa mesma mensagem. A sua atenção centrou-se na figura mental de Ossan, que apenas se limitou a acenar com a cabeça, desligando de seguida a sua ligação. Depois de se despedir dos restantes Comandantes com um desejo de boa sorte, o Capitão ordenou a Erika que começasse a transmitir, em todas as frequências conhecidas, a mensagem criada no âmbito dos Protocolos de Primeiro Contacto. "- Bem-vindos aos territórios da Terra e da suas Colónias. Não vós desejamos nenhum mal. Somos um povo pacífico." - a mensagem começou a repetir-se nos altifalantes da Ponte de Comando da Washington, sendo apenas interrompida pela voz do operador do radar que acompanhava a rápida progressão das dez naves em direcção à patrulha. " Estou com um mau pressentimento quanto a isto", pensou Trent para si mesmo, não se atrevendo sequer a partilhar o seu pessimismo com Erika. Procurando uma posição melhor no assento, tentou limpar a sua cabeça desses pensamento, limitando-se a esperar para ver o que acontecia. - Frack!- berrou Starbuck, enquanto que o seu Viper era sacudido por uma violenta explosão. Abrindo os olhos e levantando a cabeça, o Guerreiro viu uma crescente nuvem de destroços a avançar na sua direcção. Com um rápido movimento dos controlos fez o seu caça passar por cima dos destroço de maior dimensão. Ainda antes dos sensores o fazerem , os seus olhos detectaram cinco Raiders que surgiam directamente à sua frente. - Acabamos de perder a Carídis!- disse ele na frequência da Frota, enquanto que accionava os turbos do seu Viper.- Mas eu vou apanhar os cabeças-de-lata que a destruíram!!! - Não faças nada de estúpido, Starbuck!- disse Boomer na mesma frequência. Este último estava a sair do Centro Médico quando o ataque Cylon fora lançado e perante a gravidade desse mesmo tinha pedido autorização para se juntar aos seus colegas de Esquadrilha. - Exactamente!- acrescentou a voz do Coronel Tigh.- Não nos podemos dar ao luxo de perder mais ninguém!! - Alguma vez me viram fazer algo estúpido?- respondeu Starbuck, tentando esconder o nervosismo com o seu habitual humor. - Pensei que já me conheciam!! - Starbuck......- advertiu simplesmente Tigh. - Eu sei, eu sei!!!- disse o Capitão, desviando o seu Viper de um destroço maior. Os Raiders continuavam a avançar na sua direcção, pelo meio do que restava da Carídis. Concentrando a sua atenção seus sensores, viu que o primeiro caça Cylon se encontrava no limite mínimo das dos seus turbo-lasers e sem hesitar disparou. Tal como esperava o Raider desviou-se de imediato para cima e para a esquerda, embatendo contra um destroço de grandes proporções e explodindo. - Vocês são muito previsíveis! - murmurou ele para si mesmo, esboçando um sorriso. Embora a maior parte dos outros Guerreiros não soubesse, Starbuck costumava analisar cuidadosamente os registos de todos os combates entre os Coloniais e os Cylons. Ele tinha o cuidado de esconder esse seu pequeno hábito porque isso podia pôr em causa a sua fama de "despreocupado". Havia pequenas coisas que se podiam aprender com essa análise tal como se podiam aprender muitas coisas a observar as diferentes pessoas a jogar Pirâmide. Em mais de 95% dos encontros frente-a-frente entre Vipers e Raiders, os caças Cylon, perante o fogo inimigo, haviam efectuado a manobra de fuga para cima e para a esquerda. - Só se eu tivesse muito azar é que apanhava um daqueles 5% que não se desviava naquela direcção...... Os restantes Cylons tinham-se separado em duas formações de dois, numa tentativa de atacar o Viper de ambos os lados. Starbuck viu que podiam utilizar essa situação a seu favor e, aproveitando uma altura em que os sensores mostravam o caminho livre de destroços, accionou os turbos, ultrapassando os seus inimigos. Na altura em que viu que já tinha deixado os Raiders a uma certa distância, desligou os turbos e fez o Viper subir até estar novamente apontado para trás, mas de cabeça para baixo. Com um rápido movimento dos controlos endireitou o caça e, tal como esperava, viu à sua frente o brilho provocado por dois pares de motores de Raiders. Assim que o computador o avisou que o alvo estava fixo, Starbuck abriu fogo, destruindo de imediato um dos caças inimigos. O segundo começou a desviar-se para cima e para a esquerda numa tentativa desesperada de escapar ao Viper que o perseguia, mas o Guerreiro não lhe deu hipóteses, seguindo-o e destruindo-o com uma rajada certeira de turbo-laser. - Agora os outros dois..... - disse ele em voz alta enquanto manobrava o Viper para se afastar dos destroços do Raider que agora se misturavam com os da Carídis. Starbuck tinha acabado de dizer isso quando uma série de disparos iluminaram o espaço em ambos os lados do Viper. O sensor mostrava que os dois Raiders que restavam tinham-se colocado atrás dele. Um pequeno sorriso estampou-se de imediato no rosto de Starbuck. - Isto assim é fácil demais......- murmurou ele, pressionando o botão marcado como INVERSOR DE PROPULSÃO. Numa questão de microns o Viper parou completamente, recomeçando depois a voar para trás a toda a velocidade. Os Raiders ultrapassaram-no, afastando-se cada um para seu lado e evitando assim uma colisão. Starbuck estava agora atrás dos Cylons e rapidamente pôs o Viper a voar normalmente, perseguindo o Raider que se tinha afastado para a direita. Seguindo a sua programação normal, os pilotos do dito Raider começaram de imediato a fazer uma série de manobras de forma a escaparem à perseguição. Starbuck manteve-se colado ao outro caça, esperando a altura certa para atacar. Essa altura surgiu quando o Raider começou a fazer uma subida acelerada, tentando passar por cima do Viper. Mas os Cylons tinham-se esquecido que o caça Colonial era mais potente e que por isso podia acompanhar com facilidade a subida, começando até a aproximar-se. Starbuck nem esperou que o computador adquirisse o alvo, disparando assim que viu o Raider deslizar para o centro da sua mira. A rajada do turbo-laser esquerdo apanhou a asa do caça Cylon, cortando-a por completo e atingindo um dos depósitos de Tylium, o que fez com que o Raider explodisse de imediato. Starbuck olhou rapidamente para o ecrã que lhe apresentava os dados dos sensores e viu que o caça inimigo que sobrava estava a afastar-se, indo ao encontro de um grupo de Raiders que se reagrupava para atacar de novo a Frota. - Vamos ter mais companhia!!- disse o Guerreiro no circuito da sua Esquadrilha, perante o que o seus sensores lhe mostravam.- Quem é que me pode vir ajudar?? - Dá-me um centon que vou já ter contigo....- respondeu Boomer. Logo de seguida outros dois Guerreiros responderam ao apelo do Capitão, juntando-se a ele . - Bem....já somos quatro.....contra...- murmurou Starbuck, começando depois a contar em voz alta o número de Raiders que se aproximava: - ..treze...catorze...quinze. Apenas quinze Raiders......... - Capitão, se quiser pode juntar-se à Esquadrilha Dourada, à Esquadrilha Verde e à Vermelha que estão a enfrentar, neste momento, 150 Raiders....- interviu o Coronel Tigh que tinha estado a ouvir a conversa entre os quatro Vipers e que não tinha gostado da atitude de Starbuck. - ....Peço desculpas, Coronel!- respondeu o interpelado, dando a si mesmo um pontapé mental por causa da sua mania de falar de mais.- Eu não queria dizer aquilo daquela maneira..... Nós até já estivemos em situações piores...... No preciso momento em que Starbuck dizia aquilo, um enorme brilho, vindo do seu lado direito, inundou a cabina do seu Viper, cegando-o momentaneamente. As expressões ouvidas na frequência da Esquadrilha mostraram ao Capitão que os três Guerreiros que o acompanhavam também tinham sido cegados pela mesma explosão. - Alguém viu o que foi aquilo?- perguntou Boomer, no circuito da Frota. Fizeram-se ouvir uma série de respostas negativas até que, passados alguns microns, surgiu a voz de Tigh, quase que abafada pelo som das comunicações na Ponte de Comando da Galactica: - Atenção, a Nave-Base acaba de destruir a Hesíone com um tiro de Mega-Pulsar! As últimas naves da Frota já estão ao alcance dela........ A voz do Coronel desapareceu subitamente, afogada num mar de estática. Todos os Guerreiros começaram de imediato a mudar de frequência, tentando restabelecer o contacto com a Galactica. Só passado quase um centon é que uma voz se fez ouvir numa das frequências alternativas da Ponte. - Daqui fala o Comandante Apollo! Um Raider acaba de se despenhar contra os transmissores principais da Galactica. Ela só está a transmitir num curto raio de alcance por isso, a partir de agora e até serem efectuadas reparações, eu vou ter que retransmitir as informações dadas por ela.....entendido? - Sim senhor!- responderam quase de imediato os Guerreiros que estavam a comandar as diferentes Esquadrilhas. - Muito bem! - retorquiu Apollo, prestando depois atenção ao que o Coronel Tigh lhe dizia: - A situação é esta...aquele tiro da Nave-Base foi um tiro de sorte. A Hesíone estava com problemas de motor e por isso tinha perdido velocidade. Se todas as naves da Frota manterem a velocidade actual, assim como a Nave-Base, só daqui a sensivelmente um centon é que estaremos ao alcance dela.... - Isso é extremamente reconfortante....- murmurou Starbuck para si mesmo, verificando antes se tinha o seu comunicador desligado. Os seus sensores mostravam que os quinze Raiders se aproximavam rapidamente dele e dos outros três Guerreiros. - Aí vem eles....- disse Boomer na frequência da Esquadrilha, com uma voz calma. - E aí vamos nós!!- murmurou novamente Starbuck antes de ligar de novo o seu comunicador e dizer em voz alta: Sigam-me, rapazes!! Com estas palavras o Capitão accionou os turbos do Viper, apontando directamente o seu caça para os inimigos que lhe surgiam pela frente. Passados alguns microns os três outros Guerreiros juntaram-se a ele e imediatamente as duas formações começaram a trocar disparos entre si. O panorama era o mesmo em todo aquele sector espacial. Vipers e Raiders degladiavam-se entre si num macabro bailado de morte, enquanto que nas decrépitas naves civis da Frota as pessoas se encolhiam de medo e rezavam para que os Senhores de Kobol as protegessem e protegessem os Guerreiros que por elas lutavam e morriam no vazio do espaço. Para o Comandante Trent, a batalha espacial que estava a presenciar não lhe dizia grande coisa. Imerso no seu próprio cérebro, via em tempo real tudo o que se passava. A sua I.A. reunia e condensava todos os dados recolhidos pelos sensores das naves da sua patrulha e apresentava-os a Trent sob a forma de simples pontos vermelhos e azuis com as respectivas designações de classe. Com um simples comando, passou para uma vista táctica de toda a zona. Em toda a extensão superior do mapa surgia o Anel da Morte e um pouco abaixo dele surgiam as duas forças que se degladiavam. A meio do mapa surgiam os pontos que representavam a patrulha e a aproximar-se dessa zona apareciam dez pontos vermelhos. Trent desviou a sua atenção para esses alvos. Eles aproximavam-se a grande velocidade em duas vagas de cinco naves cada. A Washington encontrava-se rodeada pelo resto das outras naves, numa espécie de círculo, e por isso só dificilmente é que estaria em perigo. "Mas mesmo assim mais vale jogar pelo seguro.....", pensou ele, mentalizando de seguida uma questão para Erika: " Estás seguir os alvos?" "Claro!", respondeu a I.A. com um ligeiro tom de reprovação na voz, como que dizendo que essa pergunta não era necessária. "Tenho várias soluções de tiro prontas." "Esperemos que não seja necessário chegar a esse ponto....", retorquiu Trent. Quase no exacto momento em que dizia isto, o Comandante sentiu que alguém o tentava contactar. Passados alguns segundos surgiu-lhe na mente a imagem mental do Capitão da Brighton, a nave que estava directamente na rota das naves desconhecidas. "Comandante, peço permissão para disparar alguns tiros de aviso....", disse o homem de imediato, não se dando sequer ao trabalho de esconder as suas emoções atrás do simulacro normalmente criado pela I.A. da sua nave. A imagem que Trent via era a de alguém completamente aterrorizado. "Permissão recusada, Capitão! Nós temos as nossas ordens....", respondeu ele simplesmente. "A minha I.A. diz que há 99,9% de hipóteses deles das naves serem hostis..." Com um gesto, mental, de mão Trent cortou a palavra ao seu subordinado. " Tal como disse, nós temos as nossas ordens.....Só se formos atacados é que podemos responder, entendido?" "Sim, senhor!", respondeu o outro oficial, sem esconder o seu desagrado. "E nada de erros de computador ou coisas do género....Só disparamos se dispararem sobre nós..." "Entendido....", disse o Capitão da Brighton desligando de seguida a comunicação. Trent recostou-se de novo no seu assento e por momentos pensou em contactar de novo a Brighton e autorizar os disparos. É claro que isso seria ir contra as ordens do Comando Geral do Almirantado e os Protocolos de Primeiro Contacto mas a verdade é que a sua desconfiança em relação àquelas naves aumentava cada vez mais. Quase que vindo do nada começou a surgir-lhe nos pensamentos a imagem que o tinha atormentado durante o seu sono. A imagem da Washington a explodir no espaço.... Imagens de destruição também passavam pela cabeça do Comandante Taylor, o Capitão da Brighton. Como se a sua imaginação não bastasse, sua I.A., de nome Tom, continuava a debitar avisos sobre o facto das naves poderem ser hostis. "Eu sei disso!!!", berrou ele mentalmente, numa tentativa de calar a máquina e arrependendo-se rapidamente pois ela não passava exactamente disso, de uma máquina. "Peço desculpas se estou a ser inconveniente.....", respondeu Tom, num tom de voz que imitava exactamente uma criança ainda jovem e que estava a ficar amuada. - Tempo para a intercepção- perguntou Taylor ao oficial responsável pelo radar. - Um minuto! Taylor mergulhou de novo no mapa táctico na sua mente, vendo ai os alvos aproximarem-se cada vez mais da sua nave. "Tom, dá-me uma contagem do tempo de intercepção", ordenou ele e de imediato surgiu uma contagem decrescente num dos cantos do mapa. O suor começava já a formar manchas escuras no uniforme azul do Comandante. Quase que sem se aperceber disso, agarrou-se com força ao braços do assento, aumentando a pressão à medida que a contagem terminava. Quando faltavam vinte segundos para intercepção as primeiras cinco naves aumentaram distância entre si e depois em relação às outras cinco que as seguiam. O Capitão Taylor nunca tinha sido piloto de caças mas tinha participado em manobras militares suficientes para saber que aquilo era uma formação de ataque. O inimigo estava a tentar abarcar a maior superfície possível da sua nave naquele ataque! - Preparar solução de tiro e disparar!!!- berrou ele para o oficial encarregue da Secção de Armamento, ao mesmo tempo que ordenava a Tom para avisar a Washington de que ia disparar. Infelizmente, antes de qualquer das suas ordens ser cumprida, as cinco primeiras naves abriram fogo com os seus lasers. Os disparos dos Raiders embateram com toda a força no lado esquerdo do casco da Brighton, mergulhando toda essa zona numa cortina de explosões. Na Ponte de Comando, o Capitão Taylor apenas teve tempo de ver uma rápida imagem dos seus atacantes, transmitida pelas câmeras exteriores, antes de ser projectado do seu assento, partindo todos os cintos que o seguravam aí, e mergulhar na escuridão da inconsciência ao bater em algo. "Alerta Vermelho! Alerta Vermelho!", berraram as I.A. por toda a patrulha assim que a Brighton foi atingida pela primeira onda de naves. De imediato as baterias de mísseis terrestres começaram a procurar alvos, enquanto que todas as Pontes de Comando accionavam as suas luzes interiores de emergência, tornando todo o ambiente das naves vermelho. Ao mesmo tempo pesadas portas começavam a fechar os diversos compartimentos, tornando-os estanques e independentes uns dos outros. Trent viu com horror as naves inimigas passarem por cima da Brighton, sendo logo seguidas por uma série de explosões provocadas pelo ataque da Segunda onda de cinco naves. A câmera que lhe permitira ver isto estava instalada no exterior da Dakar, a nave que estava a seguir à Brighton e da qual as naves inimigas se aproximavam a grande velocidade. "A Dakar está a disparar....", informou Erika e, logo de seguida, Trent viu a imagem dos lançadores de mísseis a surgirem das suas reentrâncias do casco da nave, mergulhando tudo numa intensa luz branca ao lançarem os seus projecteis . Quatro mísseis aceleraram rapidamente em direcção aos seus alvos mas, devido aos seus sistemas de segurança de proximidade, não tiveram tempo de armarem as suas ogivas explosivas limitando-se a embater nos Raiders. É claro que à velocidade a que o alvo e o míssil se deslocavam isso equivaleu a grande danos mas mesmo assim três das naves continuaram o seu ataque practicamente sem danos. "Quanto tempo é que as baterias levam a recarregar?", perguntou Trent enquanto seguia a aproximação dos três caças. Por baixo da forma inerte da Brighton surgiam já as restantes cinco naves inimigas. " Cada bateria demora cerca de trinta segundos a recarregar os seus mísseis." "Estão perdidos.....", pensou Trent simplesmente, esquecendo toda a sua inamizade para com o Comandante Ossan. Como que a confirmar as suas palavras, na altura em que as baterias de mísseis voltavam a emergir dos seus casulos protectores, a forma em V da Dakar foi percorrida de estibordo a bombordo por uma série de explosões provocadas pelos lasers dos Cylons. Um dos três Raider havia feito pontaria ao local de onde tinha surgido uma das baterias, apanhando a dita bateria no momento em que esta surgia e atingindo-a em cheio, fazendo explodir os mísseis no seu interior. A subsequente explosão destruiu toda aquela parte da superestrutura da nave, levando com ela a câmera com que Trent observava tudo. Com um rápido comando mental Trent mudou a sua vista para as câmeras exteriores da sua própria nave e procurou a Dakar. O que encontrou deixou-o estupefacto. A nave tinha perdido toda a sua metade esquerda e estava a girar sobre si mesma apesar dos disparos constantes dos seus motores de manobra que a tentavam endireitar. Os seus três atacantes tinham-na já deixado para trás, para a segunda onda, dirigindo-se agora para a Washingtom. - Temos solução de tiro?- perguntou ele ao oficial responsável por essa Secção. - Sim!- disse o jovem Sargento, tentando esconder o seu nervosismo. - A todas as baterias! Fogo!- ordenou então Trent, voltando depois a sua atenção para Erika: "Qual é a situação da Brighton e da Dakar?" "Não é possível estabelecer nenhum tipo de comunicação com nenhuma delas, mas o facto dos motores de manobra da Dakar estarem a ser accionados indicam que pelos menos aí há sobreviventes" "Ou então a I.A. deles ainda funciona...." "Sim." "Meu Deus, que fiz eu.........", murmurou Trent, que estava tão absorto nos seus pensamento que nem reparou no facto do mísseis da Washington terem conseguido destruir as três naves que se aproximavam, nem numa pequena janela áudio que tinha surgido num dos cantos das imagens exteriores da sua nave. Nessa pequena janela surgia uma voz que falava numa linguagem nunca ouvida pelos Terrestres e que transmitia uma mensagem que Erika diligentemente traduzia: "- Irmãos Humanos, as Doze Colónias saúdam-vos. Infelizmente os nosso ancestrais inimigos, os Cylons estão a atacar-nos e por isso não é aconselhável que vocês se aproximem de nós." - Continua -