Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: Claudia Pereira ---------------------------------------------------------------- My very first fanfic... Brincadeirinha!!! É só brincadeira, que eu gosto muito deles os dois. Terra, em 2020 A.D. -- Parte 1 Apollo e Starbuck gozam a sua bem-merecida reforma na recém-descoberta Terra, cabelos brancos todos ao léu, completamente desalinhados e a cultivar um alto dum bronze ao sol das magníficas praias do Algarve. - Apollo? - pergunta o velho Starbuck - Tu ainda te lembras das nossas aventuras no espaço, há quarenta anos atrás, quando enfrentávamos os cylons? - Lembro-me, sim. - responde o velho Apollo, tagarela e refilão como sempre - Como se pudesse esquecer... Das dezenas de milhares de dólares que gastei a fazer aquele bendito trailler. Não me deixaram fazer o segundo filme, ia-me esquecer do quê? - Estamos tão velhos, né verdade? - Ná! Tamos nada... Ainda damos cabo dos cylons todos, se for preciso. Olha, sabes que eu tropecei no aeroporto antes de ir para a convenção dos 20 Yahrens? Dei uma queda maluca, ia partindo a carola, fui parar ao hospital e tudo. Acabei por ir à convenção porque a Sophie insistiu... - Irra! Muito falas tu! Só te perguntei... Nisso, algo cai do céu com um enorme estrondo. Era uma das naves dos cylons, que aterrou de emergência na Terra. O velho Starbuck vira lentamente o pescoço para trás, curioso: - Ouviste aquilo, Apollo? Caíu ali qualquer coisa. - Não, não ouvi nada. Mas o rapaz das estrelas continuou de ouvidos em alerta total: - Êpá... É imaginação minha ou estou a ouvir o whhooo-whooooo de dois cylons? O Apollo perdeu a paciência de vez: - Ó Starbuck... Liga lá o raio do aparelho que já estás a ouvir mal outra vez!!! - Olha que não sei... - diz o Starbuck, preparando-se para a difícil tarefa de levantar o seu velho corpo da cadeira - Há sons que a gente não esquece nunca mais. - Não és capaz de ficar sossegado um minuto? Larga lá a bengala, pá. Já é tempo de deixar esse assunto dos cylons para os guerreiros mais novos. O outro olhou para o Apollo, admirado: - Então não ouviste aquilo? - O quê? - Estás mesmo despassarado de todo. A Sandra tinha razão... - Quem? - Nada, nada... - Starbuck consegue finalmente levantar-se da cadeira - Eu mesmo vou ver o que se passa. - Sem mim? - Se for preciso. - Nem penses! - o desp... o Apollo pega então na sua bengala e recomeça pela trilionéssima vez naquele dia o lento processo de se levantar da cadeira - Nem penses que vais ficar com os cylons só para ti... Anda cá, espera por mim! Starbuck! Não me ajudas a levantar-me dessa cadeira?! -- Parte 2 O Starbuck lá voltou atrás, em passos lentos, e ajudou o seu velho companheiro a levantar-se. Não, eles não caíram redondos no chão. Conseguiram manter-se de pé. Foi difícil… mas conseguiram. - Então, - diz o Apollo, a gozar à alta fartazana com o outro - vamos lá a ver o que foi que tu viste. Ou ouviste ou lá o que é que te aconteceu nesta tua cabeça. - Eu não acredito que não tenhas ouvido nada. - comenta o Starbuck - Foi um barulho do caraças… - Qual barulho, qual quê! - exclamou Apollo - Tens é que mudar a pilha aí ao aparelho… - Tás cá um chato... Hoje ninguém te atura, pá. Anda lá ver os cylons… Eu sei que eles andam por aí… Eu ainda ouço o whooo-whoooo deles. Os dois começaram então a longa caminhada, apoiados pelas suas inseparáveis bengalas, até aos arbustos onde tinham caído os inimigos. Como é que tu sabes que eles são dois? - indagou o Apollo, dando uma tacada numa pedrinha antes que tropeçasse nela, arranjasse mais um galo na carola e levasse pontos na cabeça pela miléssima quarta vez naquela semana. Isso sem falar nas vezes que levou da Sophie… mas isso é outra história. - Porque oiço dois a fazerem whooo-whoooo. Tenta lá ouvir, a ver se não são dois… O Apollo parou de andar, e fez um ar concentrado, atento a qualquer ruído. - Oiço as gaivotas, as ondas, o vento, duas garinas a rirem-se… A gente depois tem que ir ter com elas, parecem muito simpáticas. O Starbuck dirigiu logo os seus olhos azuis desesperados para o céu. - Ai, meus Lordes! - murmurou ele - Outra vez não… - Devem ser bem giras. Mas eu, então… estou uma brasa! Não que tu e os outros estejam mal mas.. Aposto que elas iam achar-me bem giro, um borrachão bom-bom. - uma (bem vinda) pausa - Não, continuo sem ouvir cylons de espécie alguma. E de repente, reparou que o seu velho amigo estava como que paralisado, a olhar em frente. Virou então muito lentamente o seu enrugado pescoço, também para a frente. E lá estavam eles, reflexos prateados intensos a dançar sob o forte sol algarvio. Whooo-whhhooooo! Whooo-whhhooooo! Whooo-whhhooooo! - Que engraçado… - comentou Apollo - Estão exactamente na mesma. Em quarenta anos, não mudaram nada. Já viste? Estão precisamente iguais… Então, eles ainda não viram a nova raça de robôs que eu criei lá no meu trailer… Mas que parvalhões! O Starbuck olhou para ele, cheio de paciência. Apesar de já o conhecer há quarenta valentes e corajosos anos, Apollo ainda conseguia a espantosa proeza de o espantar (a ele já não mas…) com as coisas mais estapafúrdias que imaginar se podia. Mas sendo o Apollo tal como sabemos, aquela saída dele até que nem nem tinha sido nada de muito invulgar… - Larguem as armas! - soou logo aquela irritante voz do robô - Imediatamente! - Armas? - diz o Starbuck - Mas nós não temos armas. Só temos essas bengalas… Os dois cylons olharam um para o outro. - Então larguem as bengalas. Imediatamente. - Não podemos. - disse logo o Apollo, teimoso como uma mula - Precisamos delas para nos mantermos de pé. - Tem calma, parceiro… - diz o Starbuck, virando-se novamente para os robôs - Olhem lá, vocês os dois. E os cylons olharam. - Não acham que deviam pensar no que estão aqui a fazer…? - Pensar? - refilou logo o tagarela - Eles não pensam, Starbuck, eles matam. - Cala-te! Vocês deviam de começar a pensar na verdadeira razão porque estão aqui, porque que querem matar, acabar com a raça humana… - Estás a perder tempo, parceiro. - interrompeu-o outra vez o chato - Eles não têm cérebro para pensar, têm um programa a correr-lhes nos chips e têm que lhe obedecer. - Irra! Já percebi porquê que o Glen não te meteu no meu Regresso. Tu só ias atrapalhar! Siça! - No teu regresso? - estranhou o velho deus grego - Que regresso? Os dois cylons olhavam um para o outro, aparvalhados, bolinhas vermelhas a passearem-se para lá e para cá, whooo-whhhooooo, whooo-whhhooooo! - O último episódio do Galactica 1980, seu despassarado! Aquela série onde tu não entraste! - O Galactica 1980?! Aquilo é que foi uma grande m…!!! Não prestou para nada!!! - Está bem, está bem… Não recomeçemos com essa história, por favor, hoje já nem te posso ouvir… Agora deixa-me s.f.f. falar aqui com os folks, a ver se conseguimos negociar a coisa, OK? O Apollo lá aquiesceu em silêncio, meio contra-vontade. - Ora bem, onde é que nós íamos? - perguntou-lhes o rapaz das estrelas, sorrindo com o mesmo charme de sempre. - Estavas a dizer para nós pensarmos na razão pela qual queremos acabar com a raça humana. - Ah! Exactamente. Vocês também são uma raça, sabiam? Imaginem que alguém queria acabava com a vossa raça de uma vez para sempre, vocês iam gostar? Os cylons olharam um para o outro, bolinhas vermelhas e pensativas, para lá, para cá, para lá, para cá… Whooo-whhhooooo! Whooo-whhhooooo! - Não, não gostávamos. - acabaram eles por admitir. - Então, pensem lá no que estão a fazer. Porquê que fazem o que fazem? - Porque o Baltar mandou. - Nananananana! - protestou logo o desp…. o Apollo - O John Colicos morreu há mais de vinte anos. Não me venham cá com tretas do Baltar, que isso já não pega! (Que paródia, meu Deus!!!) Os robôs olharam novamente um para o outro, bolinhas vermelhas e espantadas... Whooo-whhhooooo! Whooo-whhhooooo! - Apollo!!! - Starbuck agarrou-lhe num braço e berrou-lhe no ouvido, em murmúrios desesperados - Cala-te, por amor dos Lordes!!! Pára de dizer asneiras!!! Ainda nos fazes irmos dessa para melhor! Cala-te, que eu estou a conseguir convencer esses dois. - Pronto. - concordou Apollo, muito amuado - Está bem. Não digo nem mais uma palavra. Claro que o Starbuck não acredita mas…Como já dizia o velho e sempre sábio Adama, a esperança é a última a morrer. - Bom, então, ficamo-nos por aqui? - perguntou Starbuck, sempre muito simpático para os cylons - Precisam de ajuda para repararem a nave? Aquilo foi uma queda e tanto… - Pois foi… - admitiu um dos cylons - Íamos ficando todos desconjuntados. - Desconjuntados, pois… - refilou logo o chato. Mas baixinho. - Então vamos ajudá-los. - decidiu o sempre simpático Starbuck - Anda, Apollo. - Não vou! - embirrou ele - Estes gajos deviam era levar com umas boas bengaladas nessas latas que têm no lugar das cabeças! Starbuck, sorrindo um sorriso bué de amarelo, tentava disfarçar a coisa: - Não lhe liguem. - dizia ele para os cylons - Não lhe liguem, ele está senil. - Aposto que ainda lhes faço umas valentes amolgadelas com a minha bengala! Os robôs olhavam uma pra o outro. Whooo-whhhooooo! Whooo-whhhooooo! - Ele sofre daquela desordem despassarat… desassa… - continuava Starbuck - Desfarpa… Vocês sabem qual é? - Sim, a gente compreende. - Larga-me, Starbuck! Larga-me só dois minutos. Dois minutos, é só o que eu preciso para desconjuntar estes camelos obsoletos…!!! - Apollo, acalma-te, buddy… - dizia o Starback - Tankaneasy, pá. Queres um calmante? - Não, não quero calmante nenhum, quero dar cabo desses dois! Posso estar velho e caduco mas ainda sou bonito. Quero dizer, forte! Forte! - Não precisamos dele… pois não? - a voz do cylon soava altamente esperançada. - Ná! Não se preocupem. Esperem aí cinco segundos, que a gente já volta… - Não volta nada! Resolvemos a coisa aqui e agora, já, imediatamente! Eu dou-vos o "by your command" ou o "on your command" ou o que raio vocês dizem!!! - Vá, vá… - dizia o cylon, falando para o Starbuck, todo compreensivo - Tire-o daqui antes que ele faça mais algum estrago à gente. - Eu devia partir-vos todos aos bocados! - Apollo continuava a manejar com a bengala no ar, furioso e ameaçador (coitado…) - E leiloar os bocados na internet. Seus… Seus… - Tu e os leilões! - reclamou Starbuck - Irra! - O quê que tem? - Apollo estacou logo ali - Os leilões são uma coisa muito gira. - Ai, não… Lá vamos nós outra vez. - Tu sabes que na reunião dos 15 Yahrens, eu fui leiloado por 240 dólares? Olha que isso era uma fortuna, há 20 anos atrás. - Sim, eu sei… - o pobre Starbuck suspirava, cheio de paciência - E depois disseste que não tinhas underwear ou coisa que o valha… - Coisa que o valha???!!! O meu rabiosque ainda me valeu 240 dólares!!! Foi um assédio total!! - Sei, sei… Tu mostraste-o. Eu estava lá, lembras-te? Infelizmente, eu estava lá... Mas o Apollo tinha-se perdido completamente: - Mostrei o quê? - O teu rabiosque. Ficou tudo gravado. Depois a Sandra arranjou cópias em CD, e em breve, o teu traseiro ficou famoso pela galáxia inteira. - A Sandra? Mas qual Sandra? - Ná, não é ninguém que te interesse… - Olha lá, tens alguma namorada, é? E não me queres dizer quem é? - Ena, parece que acalmaste finalmente. - disse o Starbuck, tentando desviar a conversa. - Acalmei? Mas eu sou um homem muito calmo. - Pois és, pois és! Muito! - Eu sou o filho do comandante. E seria o novo comandante… se me tivessem deixado fazer o segundo filme. - Claro, concordo plenamente. Agora, vais ajudar ali os centuriões a reparar a nave ou vais para casa. - Eu? Ajudar cylons? Só se sofresse de desordem destemp… despensarada… pespona… Sabes, aquela coisa. - Sei, sim. O quê que tu vais fazer agora, então? - Vou dar um mergulho na praia e ver se encontro as tais garinas. - Olha lá, não achas que tás velho demais para essas coisas? - Ná! Ainda dou cabo de trinta cylons, se for preciso! - Pois, pois… Olha vai lá, que eu ajudo ali os folks. - Inté. OK, após muita insistência da parte dos meus (mais que muitos) fãs, aqui vai a cena número três do filme "Terra 2020 A.D." (Preparem-se, porque a tendência é para piorar… a dor de estômago de tanto rir) Ora bem, o desp… o Apollo vai até à praia, deixando para trás os rastos rastejantes das suas pegadas e bengaladas e encontra as gar.. isto é, as duas jovens que passeavam na praia, uma loira e uma morena. - Êpá! Uma loira e uma morena! Vou falar com elas. E foi, a andar o mais depressa que as suas velhas pernas podiam. E ria-se, entretanto… - O Starbuck a ajudar cylons e eu a engatar garinas… - murmurava ele - Hehe! Ele não sabe o que é bom. E eu é que sou o velhadas… Só um doido varrido para ajudar cylons! Nisso, aproximou-se das gar… das jovens. - Olá, belezas. - cumprimentou-as ele, um "ganda" sorriso e cavalheiro como sempre - Estão boas? Claro que estão! São sempre! Elas ficaram assim meio hesitantes por falar com um completo estranho mas (verdade seja dita…), apesar da idade, ele ainda era um belo pedaço. Um pão, mesmo. De Mafra. Pena ser tão convencido… - Olá… - Eu sou o Apollo. E vocês? - Eu sou a Cassie. - respondeu a loira. - E eu sou a Sheba. - respondeu a morena. - Ena! Que nomes tão giros! - comentou o velho capitão - Onde será que ouvi esses nomes…? - As nossas mães gostavam muito de uma série que dava na televisão, - explicou a Cassie - aqui há uns 40 anos atrás. - E então deram-nos o nome das fulanas que por lá apareciam. - continuou a Sheba - Era a Galactica, ou coisa do estilo... - Ah! Pois claro! - lembrou-se Apollo - Já me lembro. A enfermeira e a filha do maluco do Cain. Bem, mas vocês são muito mais bonitas, mais jovens… Elas já estão muito velhas, não interessam a ninguém. - Não me diga que não gosta de velhas… - brincou Cassie - Você também já não é nenhum jovem. - Mas ainda sou bonitão, não sou? E ainda danço um mambo number five! E pôs-se a balançar o rabiosque, aquele que toda a gente conhece e que é o mais famoso da galáxia inteira. Elas riram-se. Que mais podem fazer duas jovens, quando ouvem e vêem um velhote daqueles a falar dessa maneira???!!! - Rrrrrrrró! Um bocadinho de Angela pa-rá-qui, um bocadinho de Jessica pa-rá-li, um bocadinho de Anita pa-ra-co-lá… É tudo o que eu preciso… Rrrrrrró! Entretanto, meanwhile… (Coitado do Starbuck…) - Bom, o vosso terceiro companheiro está completamente desconjuntado de todo… - comentou ele, olhando para os restos carbonizados do cylon, espalhado por tudo quanto era sítio. - Pois, ele não se safou… - disse um dos robôs - Já não podemos fazer nada dele. - Mas a vossa nave ainda dá umas valentes piruetas pelo ar… - Obrigado pela tua ajuda - agradeceu-lhe o cylon. - De nada, de nada… - disse o Starbuck, simpático como sempre - Sempre às ordens... - Como é que sabes tanto sobre as nossas naves? - indagou um dos cylons. Uaai! Essa era uma pergunta muito perigosa! Mas vocês conhecem o Starbuck, não conhecem? Então, já sabem que ele se safa bem, como sempre… - Vocês viram o último episódio da Galáctica, "A Mão de Deus"? - A mão de quem?! Whooo-whhoooo!!! Nisso o Starbuck vira-se para trás e… Quem é que ele vê a caminhar na sua direcção, com a ajuda de uma bengala toda torta (das bengaladas que ela está sempre a dar ao pobre do Apollo, é claro…), cabelos loiros e ondulados compridos até aos pés, enrugadérrima (tradução: cheia de rugas…), furibunda, pior que chateada, mais danada que uma fuinha a quem pisaram a ponta do rabo? O pobre do Starbuck levanta os seus (lindos!) olhos azuis para o céu, pela quinquagéssima vez naquele dia. É que só há uma coisa pior (muito pior!) que o despassarado do Apollo: a SOPHIE!!! - Era só o que me faltava. - murmurou o pobre rapaz das estrelas. - O que é que se passa? - pergunta um dos cylons, aflito com a expressão alarmada de Starbuck. O que é que seria assim tão mau?! - Sabem, quando eu era novo, elas eram muito mais simpáticas comigo… Até me convidavam a ir passear ao tubo de lançamento das naves, lá na Galactica. Fazíamos as coisas mais incríveis naqueles tubos. Agora? Agora, só apanho é disso… Os cylons olham um para o outro, com cara de: Whoooo-whooo! Já não entendo nada disso… Whoooo-whooo!! - Olha lá, ó Starbuck! - perguntou-lhe a terrível, assim que se chegou ao pé dele - Viste o Apollo? É claro que o Starbuck sabe perfeitamente onde anda o seu velho companheiro de aventuras. - Aaaaah… Ele parece-me que foi em direcção às piscinas… Tomar uma banhoca, percebes? - Uuuumh… - desconfiou a Sophie, apontando-lhe ameaçadoramente com a torta da sua bengala - Tá-ma cheirar que tu queres é enfiar-me o barrete… Ele é muito velho para estar a dar mergulhos. - Foi o que eu lhe disse… - desculpou-se o rapaz das estrelas - Mas ele quis ir à mesma. - Teimoso que nem uma mula! - Nem imaginas… - murmurou ele. - O quê que disseste? - Nada, nada… E, de repente, a Sophie levanta a sua bengala e aponta a dita cuja em direcção aos pobres e espantados robôs: - E quem são esses esquisitinhos prateados aí atrás de ti? - Aaaah… São... - levanta-se um ganda sorriso - São cylons! - Cylons?! Vocês é que são os cylons?!! Vou já dar cabo de vocês! - berrou ela - Estão sempre atrás do meu Apollo…!!! Agora é que vão levar E DAS BOAS!!! Os robôs, meio apanhados de surpresa, recuaram dois passos, luzinhas vermelhas para lá e para cá, para lá e para cá… Whoo-whooo! Socowhorrowho-whooo!! - Venham cá! - ameaçou ela, levantando com a sua bengala no ar, prontinha a dar neles - Estão com medo de quê?! Os cylons olham um para o outro, luzinhas vermelhas e hesitantes. Não sabiam como sair daquela. Sabiam combater vipers, cumprir ordens, seguir programas, enfrentar batalhas intergalácticas… mas não sabiam como sair daquela embrulhada. Whoooo-whooo! Whoooo-whooo! - Não liguem… - sossegou-os Starbuck, agarrando na Sophie por um braço e tentando baixar a bengala dela - Não liguem, que ela também não anda boa da carola… Ela gosta muito de bater com a bengala, estão a ver… Por isso é que ela está toda torta. - Pois, a gente compreende… Mas é melhor tirá-la daqui também, antes que não reste nenhum de nós para sair desse planeta… E o Starbuck arrastou a Sophie para bem longe dos amendrontados cylons, muito contra a vontade dela: - Mas e os cylons?! - protestou ela - Não precisas de ajuda para os combater? Olha que a minha bengala ainda serve para lhes dar forte e feio! "Tá tudo senil, nesse planeta…", murmurou um cylon para o outro. Whoooo-whooo! Whoooo-whooo! "Siça! Tá mesmo!", concorda o outro, muito baixinho "Temos que sair daqui e bem depressinha!" Whoooo-whooo! Whoooo-whooo! - Não, obrigado, Sophie. Não é preciso que eu aguento-me com eles. Não estavas à procura do Apollo? Porquê que não vais procurá-lo nas piscinas? Ele deve andar por lá. - O Apollo? Eu cá acho que ele foi mas é à praia… - À praia? - espantou-se o Starbuck - Como é que sab… Ahem…! Mas porque iria ele à praia? "Fomos parar a um planeta de maluquinhos…" Whoooo-whooo! Whoooo-whooo! "Tenho cá umas saudades do Adama… Ao menos, com ele já sabíamos com o que podíamos contar…!" Whoooo-whooo! Whoooo-whooo! - Porque há bocado - respondeu a Sophie - ouvi um barulho enorme e quando fui a ver, ouvi duas gajas a rirem-se alto, lá da praia. E, ou estou muito enganada, ou ele deve estar com elas. - Estás muito cert… enganada! - garantiu-lhe Star, pegando-lhe no braço - Estás enganada mesmo! Porque havia ele de estar com outras, quando ele gosta tanto de ti? (Glup!) Vai lá até às piscinas, vai… - Não vou nada! Tu e ele, são unha com carne, sempre a protegerem-se um ao outro! Os cylons presenciavam aquilo tudo, como não podia deixar de ser, né? Whoo-whoooo! Será que essa desordem despassarat… desassa… Desfarpa… Whoo-whoooo! Sabes, aquilo… Whoo-whoooo! Whoo-whoooo! Será que é contagioso? Whoo-whoooo! - Claro! - disse o Starbuck - Estamos juntos há 40 anos! O quê que querias que a gente fizesse?! Whoo-whoooo! Achas que os cylons apanham disso? Whoo-whoooo! Whoo-whoooo! Como a BSE? Whoo-whoooo! Passa das vacas para os humanos… Whoo-whoooo! Tá tudo maluco, nesse planeta… Whoo-whoooo! Whoo-whoooo! - Desculpas, desculpas, é só o que vocês me arranjam! - berrava a Sophie, a bom berrar - Se ele estiver com aquelas duas gajas, eu dou-lhe uma bengalada que ele não esquece nunca mais! - Sabes, era melhor não… Ele já assim passa a vida no hospital… Mas a Sophie nem o ouviu mais, e foi até à praia. - E olha que não há uma bengalada no mundo que o faça desistir de conquistar miúdas 30 anos mais novas! - continuou o Starbuck - Tu foste apenas a primeira! A primeira, de muitas! Whoo-whoooo! Podes crer… Tá tudo com desordem despassaratória, porque eles comem todos carne a mais… Whoo-whoooo! Whoo-whoooo! - A sério? - perguntou Sheba - Não tens underware??? - Não! - garantiu Apollo - Trago nada por baixo. Eu sou um homem de fácil acesso. - Fácil acesso? - Yep! Não necessita password para entrar… Entrada livre! - Entrada livre?! Ó senhor, não acha que está velho demais para essas coisas? - perguntou Cassie. - Irra! Vocês estão sempre a perguntar-me isso! Eu ainda dou cabo de cinquenta cylons, se for preciso! - Mas nós somos muito mais novas que você! Há uma diferença enorme de idades entre nós… - Qual quê! As diferenças só existem aqui, na nossa carola! - e o desp… o Apollo dá uns toques na cabeça - Auch! Isso dói… Devia haver mais comunicação entre as gerações, sabem? A idade não devia ser impedimento para duas pessoas ou três conversarem umas com as outras… Aposto que uma conversinha entre nós havia de ser uma coisa gira. Eu gosto muito de falar, muito mesmo. Podíamos leiloar umas coisas, uns rabiosques e assim… Nisso ele olha para trás, e quem é que ele vê a caminhar na sua direcção, cabelos loiros e ondulados compridos até aos pés, carregada de rugas até aos joelhos, bengala a levantar furiosamente areia a cada passo seu, furibunda, pior que chateada, mais danada que uma fuinha a quem puxaram os cabelos durante meia-hora? Pela primeira vez naquele lindo dia de sol algarvio, o pobre do Apollo levanta os seus (lindos!) olhos verdes para o céu. É que só há uma coisa pior (muito pior!) que os cylons mais as 2 ou 3 quedas que ele dá por dia: a SOPHIE!!! - Ai! Desculpem-me lá, queridas, tenho que sair daqui rapidamente… - Então? Não íamos leiloar umas coisas…? - Mais tarde, meus amores, mais tarde… Agora, tenho uma coisa muito mais urgente para leiloar desse planeta para fora… Eu! E fugiu a correr dali para fora, o mais depressa que podia (coitado…). A bengala dele bem que tentava mas não conseguia acompanhar-lhe a velocidade… Não, ao contrário: ele é que não conseguia andar mais depressa c'a bengala. - Staaaaaaarbuck! - gritou ele - Socooooorro! O Starbuck está em amena cavaqueira com os seus ex-arqui-inimigos: - Apareçam quando quiserem, lá em Montana que é onde eu vivo… Arranjo umas coisas macrobióticas deliciosas para vocês comerem… - Macrobióticas? Tem BSE? - BSE?! Não! Mas que disparate! Claro que não! Mas querem comer alguma coisa… - Não! - interrompeu bruscamente um deles. - A gente não come. - afirmou peremptoriamente o outro robô - A gente não come nada. - Então, fazem o quê? Revisões periódicas? De 15 em 15 mil microns? - Staaaaaaarbuck! Olhou tudo para o velho Apollo, a correr desalmadamente em direcção a eles. O rapaz das estrelas levanta os olhos azuis e desesperados em direcção ao céu igualmente azul. - O quê que foi agora…? Os robôs olham os dois para o céu, luzinhas vermelhas deseperadas, de um lado para o outro: - Whoo-whooo! O quê que este quer agora…? - Staaaaaaarbuck! - O que é, Apollo, o quê que te acont… - mas eis que o Starbuck vê algo, louro, enruguento, ao lado de uma bengala furiosa, a despontar-se lá longe, do horizonte algarvio… As luzinhas vermelhas quase que pararam, com o pânico: - Êpá, olha… - diz um dos cylons - Acabámos agora mesmo de nos lembrar que ainda não apresentámos o nosso relatório ao Baltar… - É, pá, pois é, ... - diz o outro - Temos que levantar voo de imediato… - Não! Por favor! - implorou Apollo - Fiquem! Ajudem-me a defender dela! - Desculpa lá, pá… - diz um dos robôs - Mas temos mesmo que sair. Já cá estamos há demasiado tempo… E a embirrenta da loura sempre a caminho, em direcção a eles, lenta e inexoravelmente… - E que tal ficarem… - tenta Apollo convencer os robôs - … em memória dos velhos tempos? - Desculpa lá, pá… - repete o robô - Combatemos guerreiros coloniais, vipers, estrelas de batalhas, seguimos ordens, fazemos emboscadas, corremos programas, matamos, aniquilamos raças inteiras… Mas isso é que não! - Tem lá paciência, capitão! - continua o outro robô - Mas mesmo nós temos limites para tudo! E os robôs piram-se, safando-se de uma boa, e a nave deles levanta voo para bem longe do Algarve, para além nosso amado planeta azul e branco, deixando o Starbuck e o Apollo para trás com a batata quente na mão. É que há uma coisa pior (muito pior!) que vipers, batalhas intergalacticas, Adamas, povos luminosos e basestars a explodirem: as bengaladas da SOPHIE!!! No hospital: - E eu a pensar que eles não pensavam… - comenta um Starbuck muito amargurado para um Apollo muito aflito e embrulhado num grande sarilho… isto é, gesso da cabeça aos pés, de moreno passa a múmia branca, estão a ver a cena? - Eu pensava que eles só matavam. Que só seguiam ordens e que corriam programas e aniquilavam raças inteiras… Até eles têm medo da Sophie! - Cobardões!!! É o que eles são!!! É o que dá, teimarem em manter o mesmo nível obsoleto de evolução!!! Eu bem digo que deviam ter visto o meu trailler! PORQUE SERÁ QUE NINGUÉM ME DÁ OUVIDOS???!!! Falo, falo, falo, falo… E ninguém me ouve!!! COBARDÕES!!! - Sssshhhhhhiiiiiiii!!! - diz uma enfermeira bonitnha, cuja idade andava na casa dos trinta. - Ooolá! Tu és muito gira! - diz o Apollo - Como é que te chamas? Moral da história? Esse gajo não aprende... [apenas lixo abaixo desta linha]