Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (verg@esoterica.pt) ---------------------------------------------------------------- Capítulo 2 Os Vipers de Apollo e de Starbuck encontravam-se imobilizados no espaço, lado a lado. Nos velhos tempos, Starbuck provavelmente teria carregado nos turbos e feito uma série de passagens de forma a identificar os objectos. No entanto, devido aos problemas por que tinha passado e também devido ao próprio casamento, ele havia mudado em muitos aspectos. A sua impetuosidade em combate havia desaparecido, sendo substituída por uma calma quase gélida. Apollo tinha agora a certeza de que o seu amigo era muito mais eficiente em combate. Os últimos testes feitos no simulador de voo tinham provado isso. Starbuck apenas fora derrotado numa simulação em que tinha como opositores cerca de quinze Raiders Cylons e, mesmo assim, conseguira destruir oito até que finalmente fora abatido pelo fogo cruzado dos outros. Apesar dessa mudança, e para espanto de Apollo, Starbuck foi o primeiro a quebrar o silêncio que se havia instalado desde que haviam enviado a mensagem para a Galactica. - E se fossemos dar uma vista de olhos? - Hei, pensei que já te tinha passado essa mania!- respondeu Apollo.- Já pareces o "antigo" Starbuck a falar. - Vamos ou não?- insistiu Starbuck. - Dá-me uma boa razão para não esperarmos pelo resto da Esquadrilha. - Muito bem...Se pedires ao teu computador para fazer uma estimativa de trajectória dos objectos nos últimos dez centons, vais ver que eles estão imobilizados. - Sabes bem que isso não quer dizer nada....- respondeu Apollo, sentindo um certo nervosismo. Pela sua cabeça passavam as imagens das naves-cisternas Cylon que ele e Zac haviam encontrado no dia em que as Doze Colónias haviam desaparecido. - Acho que não custa nada. Segundo os meus cálculos, a Esquadrilha está para aí a uns vinte centons. Se houver problemas é só darmos meia-volta. - Por acaso estás a ter um dos teus "pressentimentos"? Dando uma pequena risada, Starbuck respondeu: - Por acaso até estou. E é um dos bons....O que quer que aquilo seja, não são Cylons! Apollo ponderou sobre o assunto uns momentos e, tal como tinha feito inúmeras vezes, decidiu alinhar com o seu amigo. - Vamos lá!!! Os dois Vipers começaram rapidamente a ganhar velocidade, à medida que os seus turbos os impulsionavam. A distância em relação aos objectos ia diminuindo e as informações acerca destes começavam a chegar aos computadores de bordo. - Para já não há sinais de vida, quer orgânica quer inorgânica.- disse Apollo. - Também não detecto qualquer tipo de emissão de energia. - disse por sua vez Starbuck. Ambos os pilotos ajustaram os seus sensores, tentando obter mais informações. À medida que os centons iam passando a tensão ia aumentando. Os sensores indicavam que atrás daquela série de objectos detectava-se qualquer coisa. - Apollo, estás a detectar o mesmo que eu?- perguntou, repentinamente Starbuck. - Sim!!- respondeu o capitão, tentando esconder o seu espanto perante o que estava a ver no seu visor. No limite do alcance do sensores dos Vipers surgia a imagem de algo maciço. - Não pode ser....- começou Starbuck a dizer. - É como se fosse uma parede....- murmurou o seu amigo. De facto, os sensores dianteiros indicavam que os Vipers se estavam a dirigir para algo enorme. Algo que não podia existir em pleno espaço. - Não sei o que aquilo é, mas ocupa todo o espaço à nossa frente.- disse Apollo, tentando imaginar o que seria. - Espera aí, estou a obter uma identificação dos objectos de à bocado....- interrompeu Starbuck, que tinha tomado a dianteira.- São rochas..... - Todo este trabalho por causa de uns simples pedregulhos?- interrogou-se o capitão enquanto via surgir no seu computador de bordo a mesma informação. Os caças atingiram nesse momento o primeiro dos objectos e ambos os pilotos puderam confirmar visualmente aquilo que lhes tinha sido dito. - É um maldito campo de asteróides!!!- praguejou Starbuck enquanto desligava os turbos e manobrava o seu Viper pelo meio das rochas. A seu lado Apollo fazia a mesma coisa, continuando no entanto a verificar o visor que lhe transmitia as informações dos sensores. - Vamos continuar mais um bocado.- disse ele.- Quero ver o que é que está para além disto. Com estas palavras, arrancaram de novo. Logo após alguns centons, o computador começou a debitar informações. - É a mesma coisa que lá atrás...- disse finalmente Starbuck. - Pode ser, mas é o maior campo de asteróides que eu já vi!!! Estende-se à nossa frente em todas as direcções. - O que é que lhe terá dado origem? - Talvez um planeta gigante que tenha explodido? - Não consigo imaginar um planeta de tal tamanho..... Talvez se fossem vários.... - O melhor é deixarmos isso para os cientistas da Galactica.- disse finalmente Apollo.- Vamos mas é voltar para trás. Temos que informar a Frota. - Muito bem...- respondeu Starbuck, começando a virar o seu caça. Boomer, que se encontrava na dianteira da patrulha foi o primeiro a avistar os dois Vipers. A Esquadrilha Azul acabava de se aproximar do primeiro campo de asteróides quando nos seus sensores surgiram os ditos caças. Vendo que os seus amigos não se encontravam em dificuldades, Boomer soltou um suspiro de alívio. - Finalmente conseguiram juntar-se a nós.- ouviu-se, de repente, nos comunicadores dos elementos da Esquadrilha. Todos os pilotos reconheceram a voz de Starbuck e o tom de gozo deste. - As nossas humildes desculpas.- respondeu Jolly, num tom igualmente jocoso.- Estávamos todos a dormir em serviço. - Eu ouvi isso.- disse Apollo, entrando também na brincadeira.- Lembrem-se que eu sou o Comandante desta Esquadrilha e não posso aceitar desleixo em serviço!!! - Ups!! Posso retirar o que disse? Este último comentário de Jolly fez com que toda a gente se risse. A tensão havia practicamente desaparecido. Quando os caças de Apollo e Starbuck se juntaram ao resto da Esquadrilha, todos eles deram meia-volta, dirigindo-se para a Galactica. Todos esperaram até que o Capitão, agora que já podia estabelecer contacto, desse as novidades à Frota. Quando finalmente este o fez, Boomer foi o primeiro a quebrar o silêncio: - Ainda me custa a acreditar que toda esta excitação foi provocada por um monte de pedras!- disse Boomer. - Boomer, meu velho, tu nem imaginas o que está por trás daquele campo.- respondeu Starbuck, enquanto se afadigava a acender um dos seus famosos fumarillos. Apesar de ser contra todas as regras, este era um dos seus velhos hábitos. A situação melhorara muito a partir da altura em que Starbuck tinha conseguido que lhe instalassem um novo sistema de reciclagem de atmosfera, Com a "ajuda" de um técnico de vôo, ele tinha instalado, depois de fazer algumas modificações, o sistema de reciclagem de um vaivém fora de serviço. Como a capacidade deste era maior, não ficavam os menores vestígios de fumo dentro da cabine. Sabendo tal facto, Starbuk recostou-se no seu assento e lançou algumas baforadas de fumo, enquanto continuava a conversa com o seu amigo.- É outro campo, mas enorme. Nunca vi nada assim!! - Já estou a ver que a Galactica vai ter problemas.- afirmou Boomer. - Porquê?- perguntou Jolly. - Eu não tenho a certeza, mas parece-me que não há combustível suficiente na Frota para andarmos a fazer grandes desvios. - Tens razão.- disse então Apollo. - O meu pai e o Coronel Tigh estiveram a discutir isso à pouco tempo. Mesmo racionando o tyllium como temos vindo a fazer, só temos o suficiente para mais um sectar. A partir daí, temos de acabar com todos os vôos de Vipers e dos vaivéns interfrota e, mesmo assim, só podemos aguentar mais um secton. - Não sabia que a situação estava assim tão má. - desabafou Jolly. Muitos dos outros pilotos concordaram com ele. A verdade é que a maior parte deles não costumava ligar a pequenos pormenores como a logística necessária para manter toda aquela frota em movimento. Como Guerreiros que eram, queriam apenas que os seus Vipers estivessem em perfeita forma para que pudessem dar o seu melhor quando a situação o exigisse. Sem que ninguém o ordenasse, cortaram os turbos e continuaram a sua viagem a uma velocidade mais moderada. Na altura em que a mensagem de Apollo tinha chegado à Galactica, inúmeros gritos de alegria haviam ecoado na Ponte. Tanto o Coronel Tigh como o Comandante Adama sentiam que um enorme peso lhes tinha sido tirado de cima. - Ainda não foi desta....- murmurou Adama, após alguns momentos - Achas que os Cylons vão voltar?- inquiriu o seu amigo. Adama sentiu-se relutante em responder, algo que raramente lhe acontecia, especialmente com Tigh. Sentia que o perigo ainda não tinha passado, que havia algo que estava errado. Eram esses seus palpites que o tinham tornado no grande comandante que era. - Sim, acho que sim.- acabou finalmente por responder.- Mais tarde ou mais cedo, eles irão voltar..... O Coronel assentiu com a cabeça, não dizendo nada. Ele também pensava assim. Ambos combatiam à inúmeros yahrens contra os Cylons e sabiam que estes não desistiam com facilidade. Talvez toda esta situação fosse como que um aviso em relação aos perigos que se aproximavam. Com um abanar da mão, Adama disse: - Mas não vamos pensar mais nisso. O que há a fazer de imediato é informar a Frota de que não há perigo e que podemos prosseguir a viagem. - Muito bem, vou já tratar disso...- respondeu Tigh, começando a dar as ordens necessárias para tal. De repente, um pequeno sinal informou-o de que acabavam de chegar novas informações ao seu computador pessoal. Depois de ver o princípio da mensagem, virou-se para Adama dizendo:- Mas antes..... acho que há algo que deves ver.... Adama pegou no cristal que o Coronel estendia na sua direcção e inserindo-o de seguida no seu computador. Passados alguns momentos, começaram a surgir-lhe uma série de dados. A realidade que eles mostravam era bastante preocupante. Uma das naves cisternas que abastecia a frota havia descoberto uma falha nos seus computadores de bordo. Isso por si só não era nada de mal, só que neste caso a falha tinha-se dado exactamente no subsistema que controlava a saída do combustível. Aparentemente, a nave tinha perdido a maior parte da sua carga durante a última secton. Aproveitando o facto da Frota estar parada, a tripulação tinha feito uma vistoria aos tanques de combustível, vistoria essa que revelara que os valores mostrados pelos computadores da nave eram falsos. - Já calculaste os novos valores?- perguntou ele, após ler o relatório do que havia sido descoberto. - Sim.- respondeu Tigh, levantando o olhar do computador que tinha na mão.- Temos agora Tyllium para mais três sectons de viagem. - Tão pouco? - Sim.... Adama levantou-se da sua cadeira e dirigiu-se para a balaustrada existente sobre a Ponte de Comando. Tigh seguiu-o, postando-se ao seu lado. - Só há uma solução.- acabou por dizer o comandante, após alguns momentos de silêncio.- Temos de continuar em frente... A nossa única esperança está no campo de asteróides á nossa frente. Talvez lá haja Tyllium..... - Espero bem que sim. Odiava ter viajado todos estes yahrens para acabar aqui, parado no meio do espaço...- disse Tigh com toda a sinceridade. - Eu também, eu também.....- concordou Adama, acenando com a cabeça. Para eles os dois, a alegria trazida pelas notícias de Apollo havia desaparecido completamente. Assim que aterraram, Apollo e Starbuck dirigiram-se para a Ponte de forma a apresentarem pessoalmente os resultados da patrulha ao Comandante Adama. Apollo apercebeu-se logo que havia algum problema ao ver o semblante carregado do seu pai. - Que se passa?- perguntou. - Só temos Tyllium para mais três sectons.- respondeu Adama.- Aparentemente os valores nos quais nos baseávamos estavam errados, devido a um problema num computador. - E agora, o que fazemos?- interveio Starbuck. - Estou aberto a sugestões....- retorquiu o Comandante.- O máximo que podemos fazer por enquanto é ficar onde estamos. - Não acredito que isto acabe assim.....- começou Apollo a dizer.- .....Ou melhor, não admito que isto acabe assim....Tem de haver uma solução.... O Comandante Adama virou-se para o seu filho e, colocando -lhe uma mão no ombro, disse: - Compreendo que penses assim, mas a verdade é que nada podemos fazer.... As circunstâncias estão contra nós. - Não aceito essa afirmação, especialmente vinda de ti, pai.- disse subitamente Apollo.- Não podemos acabar assim. Será que lutamos e passamos por tudo aquilo que passamos para isto? Adama estava surpreendido com a súbita agressividade do seu filho, não conseguindo arranjar maneira de exprimir o que sentia. Sabia que Apollo estava certo pois ele próprio também pensava daquela maneira. - Apollo, o melhor é irmos embora.- interveio de repente Starbuck, tentando assim quebrar a tensão que se havia criado entre pai e filho.- Tenho a certeza que podemos fazer o relatório da patrulha noutra altura.... - Não, não vou deixar esta discussão assim a meio...- respondeu o capitão bruscamente.- Tem de haver uma solução...Não podemos ficar de braços cruzados.... O seu discurso foi subitamente interrompido pelo aparecimento do Coronel Tigh, que se havia deslocado até junto dos técnicos que estavam a tratar do processamento dos dados recolhidos pelos sensores dos Vipers de Apollo e Starbuck. - Tenho boas notícias...- começou ele a dizer, apercebendo-se nessa altura que tinha interrompido algo. - Podes continuar...- disse Adama, evitando assim discutir com o seu filho. - Muito bem. O que acontece é que uma primeira análise daquele campo de asteróides mostra vestígios de Tyllium. - Como é que isso é possível? Durante o vôo, os nossos sensores não acusaram nada.- disse Apollo. - E nós estávamos bem atentos a eles.- acrescentou Starbuck. - Acredito que sim, mas a verdade é que os sensores dos vossos Vipers não estavam calibrados para reconhecerem vestígios tão pequenos. Só quando os computadores da Galactica analisaram os vossos dados é que surgiu essa informação. - Mas, pelo que disse, presumo que não haja Tyllium em grande quantidade.- disse o Capitão. - Aí é que vocês se enganam.... - Como assim?- perguntou Adama. - Naquela passagem que fizeram pelo segundo campo de asteróides.... também detectaram vestígios de Tyllium, mas houve novamente problemas de calibração dos sensores. - Quantidades ínfimas outra vez?- sugeriu Starbuck. - Não....- disse Tigh, com um sorriso a formar-se.- Em quantidades tão grandes que os sensores dos vossos Vipers pensaram tratar-se de um erro e nem sequer acusaram nada. - Estamos salvos!!- exclamou Adama.- Os Senhores de Kobol não se esqueceram de nós..... Quando é que podemos começar as operações de extracção? - Dentro de dois centares. A Navegação já escolheu a melhor rota através do primeiro campo de asteróides. - Muito bem. Informa o resto da Frota se faz favor.- ordenou Adama, virando-se de seguida para Apollo e dizendo, num tom quase paternal.- Como podes ver, a solução surgiu por si mesma. Escusavas de estar tão preocupado.... - Desta vez......- retorquiu Apollo, despedindo-se de seguida e saindo da Ponte. - Eu peço imensas desculpas, mas também vou embora.- disse Starbuck, apanhado de surpresa pela súbita saída do seu amigo.- Não sei o que se passa com ele, mas vou ver se descubro... - Sim, obrigado....- respondeu Adama. - Já à alguns yahrens que não acontecia nada de tão preocupante. Todo isto deve tê-lo posto tenso..... - De certeza que foi isso....- murmurou Starbuck, dirigindo-se depois para a saída da Ponte de Comando. - Posso saber o que se passou?- perguntou o Coronel Tigh a Adama. - Com o passar dos yahrens, o Apollo está a ficar cada vez mais distante de mim. E para além disso, o seu feitio é igual ao meu.... - Vocês sempre tiveram os vossos desentendimentos.... - Mas agora estão a ficar cada vez mais frequentes..... Não sei bem porquê..... - Vais ver que isso passa...- afirmou Tigh. - Espero bem que sim....- murmurou Adama, antes de continuar.- Mas, mudando de assunto, quanto Tyllium é que podemos armazenar? Tigh respondeu embora soubesse perfeitamente que o seu amigo continuava a pensar no filho e que aquela pergunta era apenas uma forma de fugir ao problema. Quando pudesse, havia de arranjar tempo para falar com Apollo.... Após sair da Ponte, Starbuck deu uma pequena corrida pelo corredor até alcançar o seu amigo. Este, ao ouvi-lo aproximar-se, abrandou o passo, o que era um sinal claro de que queria falar. - O que é que se passou lá atrás?- perguntou o tenente, colocando-se ao lado de Apollo.- Até parece que foi o Comandante que teve culpa por termos perdido Tyllium... - Sabes muito bem que não foi isso.... - Então, teve que haver uma boa razão para te enervares tanto... - Eu enervei-me foi com a maneira como o meu pai encarou as coisas..... Acho que estava a ser demasiado complacente com a situação..... - As circunstâncias eram bastantes difíceis! Tens que admitir isso.- disse Starbuck. - Eu não digo que não.... - Então qual é o problema..., não percebo. Apollo parou de repente e, virando-se para o seu amigo, disse: - Sabes qual é o meu problema? O meu problema é que acho que o meu pai está a ficar velho. E ninguém se apercebe disso.... Se alguma vez nos depararmos com uma situação de perigo, não sei se ele terá capacidade para nos salvar como fez tantas outras vezes... Esta afirmação deixou Starbuck estupefacto. Ele nunca esperara ouvir alguma coisa deste género vinda da boca do seu amigo. Para ele e para quase todos os membros da Galactica e da Frota, Adama era uma verdadeira lenda viva, o salvador do que restava das Doze Colónias. - Não acredito no que acabaste de dizer!!!! Qual é o teu problema? Queres ser tu o Comandante? Apollo ficou furioso com tal pergunta e por momentos esteve a prestes a bater em Starbuck. Controlando-se perguntou: - Achas que sim? Achas que o meu problema é esse? Não vês que o verdadeiro problema é que as pessoas continuam a ter uma adoração quase cega por um homem que já tem quase oitenta yahrens? O meu pai é humano, não é um deus qualquer.... e aquela situação de a pouco provou-o. De repente, Starbuck percebeu o quanto estava enganado. Apollo não cobiçava o lugar do pai. Apollo estava era preocupado com Adam e com a posição que ele ocupava na Frota e no coração das pessoas. Ele próprio sabia que era Adama que mantinha todos unidos em busca da mítica Terra. Se começasse a denotar sinais de fraqueza de certeza que toda a Frota se começaria a desagregar... - Vejo nos teus olhos que já percebeste a minha preocupação...- afirmou o capitão. - Sim.....-murmurou Starbuck.- Peço imensas desculpas por ter dito o que disse..... - Não faz mal, Starbuck. A culpa disto é toda minha, eu não devia ter reagido como reagi lá na Ponte.... Anda lá, vamos até ao Clube dos Oficiais que eu ofereço-te um copo de ambrósia. - Está bem, mas eu depois ofereço-te outro...- retorquiu Starbuck com a sua habitual jovialidade. Após o seu turno de trabalho no Centro Médico ter acabado, Cassiopeia dirigiu-se para o Clube de Oficiais. Ela sabia que esse era o local onde encontraria Starbuck, especialmente após uma missão. Como de costume, a Clube estava cheio de Guerreiros e o barulho das conversas enchia o ar. Rapidamente descobriu a mesa onde o seu marido e Apollo se encontravam, encaminhado-se para lá. - Olá, amor.- disse Starbuck, levantando-se e beijando-a. - Tudo bem? - Sim...- respondeu ela, cumprimentando de seguida Apollo e sentando-se junto deles. - Muito trabalho?- perguntou Apollo. - Nem por isso....Houve alguns casos de pessoas de idade que se sentiram mal com toda esta excitação, mas não foi nada de grave... - Pensaram que eram os Cylons?- perguntou o seu marido. - Exactamente....Mas, tal como disse, não foi nada de grave. - E como é que se estão a portar os teus ajudantes? - interveio de novo Apollo. Cassiopeia começou a rir-se baixinho: - Ainda bem que eu não era como eles, senão o Dr. Salik tinha-me logo mandado embora. - Por falar nisso, como é que está ele?- disse Starbuck, bebericando um pouco da sua bebida. - Está a gozar a sua reforma sossegadamente. Ele sabe que o Centro Médico ficou em boas mãos. E eu estava a brincar à bocado, os meus ajudantes são bastante competentes, só precisam de ter mais calma. - Isso é como quando se pilota....- afirmou Apollo.- Com a experiência vem a calma. - Pois é....- disse Starbuck, antes de continuar, com um sorriso.- Nós somos o exemplo disso.... Este comentário arrancou gargalhadas dos outros dois ocupantes da mesa. - Mudando de assunto, como é está o Boxey, Apollo? - perguntou Cassiopeia. - Está óptimo. Ainda à pouco falei com ele e disse-me que estava a adorar a viagem. - Mas ele não devia voltar hoje? - Devia, mas devido ao facto da Frota estar em alerta, a professora achou melhor eles ficarem lá mais algum tempo. - Onde é que ele está?- perguntou então Starbuck. - Na Nave-Agrária Nove. É o único sítio onde as crianças podem ver plantas a sério.- respondeu Apollo, apontando depois para as imitações que adornavam aquela sala, antes de continuar. - A maior parte delas só conhece estas cópias sintéticas... - Ou então só têm uma vaga lembrança de como é que elas eram nos seus planetas de origem.- completou Cassiopeia - Por falar nisso.- disse Apollo.- Vocês já ouviram falar numa seita que se chama Filhos do Espaço? - Eu acho que sim, mas não me lembro bem.... foi uma daquelas conversas breves aqui no Clube... acho que alguém referiu esse nome...- respondeu Starbuck - Pessoalmente, nunca ouvi falar nela.- confessou a mulher do Tenente.- Mas porquê? - O Coronel Tigh é que me falou neles. Aparentemente é um movimento semi-religioso que defende que o destino da nossa civilização é vaguear para sempre no espaço. - Pois é!!!- murmurou Starbuck, batendo com a palma da mão na cabeça.- Agora me lembro. Eu estava a falar com um cadete da Esquadrilha Verde quando se falou disso. Aparentemente, ele veio de um dos cargueiros onde essa seita está muito implantada. - Como é que é possível haver pessoas que defendam isso? - perguntou Cassiopeia.- Eu acho horrível viver dentro de uma nave e acho que não sou a única a pensar assim.... - É claro que não...- respondeu Apollo.- Acho que toda a gente tem saudades de pisar terra firme, de um planeta. - Pelos vistos, o que acontece é que a seita se está a espalhar muito entre todos aqueles que eram crianças na altura da destruição das Colónias.- disse Starbuck. - Pessoas como aquele cadete, que só se lembram dos seus planetas através de gravações didácticas e recordações dos seus pais. - O Coronel Tigh tem medo dessa seita, por causa disso. - disse o Capitão aos seus dois companheiros de mesa. Se alguma vez dermos com a Terra, podemos ter problemas. Podemos ter nas mãos um grande grupo de pessoas que quer continuar a viajar no espaço. - Não acredito nisso.- disse Cassiopeia.- Quando a nossa viagem chegar ao fim, aposto como não vai haver descontentes..... Esta afirmação optimista arrancou sorriso dos dois Guerreiros Coloniais e serviu também para encerrar a conversa. Despedindo-se, Cassiopeia e Starbuck dirigiram-se para os seus aposentos. Apollo terminou rapidamente a sua bebida, fazendo depois o mesmo que os seus amigos. Ao chegar aos seus aposentos, reparou de imediato numa pequena luz que piscava no computar inserido na parede, assinalando que havia uma mensagem. Sheba tinha-a mandado, dizendo que só podia estar com ele no próximo senton, pois a sua Esquadrilha tinha sido posta de prevenção. Ele sabia que tal acontecia porque a Frota se estava a preparar para avançar em direcção ao campo de asteróides e todo o cuidado era pouco. Consultando as ordens de serviço no computador, viu que a sua Esquadrilha só entrava em prevenção após dois sentons, o que lhe dava tempo para estar com Sheba e também com Boxey. E também lhe dava tempo para falar com o seu pai, para lhe apresentar um pedido de desculpas pela maneira como tinha actuado na Ponte. Só ao conversar com Starbuck é que tinha reflectido na maneira como tratara Adama. Ele pensara em falar com ele logo após ter saído do Clube dos Oficiais, mas a verdade é que estava demasiado cansado e, para além disso, de certeza que o seu pai estava ocupado com a travessia do campo de asteróides. Sendo assim programou o computador para o acordar e, tirando o uniforme de vôo, dirigiu-se para o chuveiro, lavando-se rapidamente. Depois de se secar, enfiou-se na cama e rapidamente adormeceu, deixando para trás todo aquele dia e mergulhando num sono repousante e, felizmente, livre de pesadelos. - Continua -