Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (verg@esoterica.pt) ---------------------------------------------------------------- Capítulo 3 Enquanto Apollo dormia, a Frota começava a sua movimentação em direcção aos campos de asteróides. Em pouco mais de um centar o primeiro campo foi alcançado e facilmente ultrapassado, especialmente pelo facto da Galactica utilizar os seus canhões lasers para destruir os asteróides de maior porte e por isso capazes de provocar mais perigo para as naves da Frota Colonial. Assim que o segundo campo foi alcançado, começou-se com a extracção do Tyllium. A Frota possuía duas naves capazes de minerar e tratar aquele combustível. Por um incrível acaso, logo após a destruição das Colónias, na altura em que a Frota estava a formar-se, uma das patrulhas de Vipers da Galactica tinha deparado com essas duas naves. Ambas estavam de serviço numa das refinarias automáticas espaciais que serviam as Doze Colónias e as suas tripulações haviam assistido ao Holocausto através das transmissões vindas de Caprica. Perante tal facto, e sabendo que de certeza que seriam um alvo de futuros ataques dos Cylons, decidiram abandonar a dita refinaria e fugir para o espaço profundo. Os Vipers , que se dirigiam para a refinaria em busca de Tyllium, haviam encontrado as duas naves no preciso momento em que estas iniciavam a sua viagem. Contentes por saberem que não eram os únicos sobreviventes do Holocausto, as tripulações haviam-se juntado aos outros Humanos. Visto que a Frota tinha agora uma certa capacidade para se reabastecer de Tyllium e também devido ao facto de os Cylons se estarem a aproximar cada vez mais do local onde as naves coloniais se estavam a reunir, o Comandante Adama decidira não procurar mais combustível e iniciar a viagem. As naves-mineiras eram um dos bens mais bem guardados da Frota, logo a seguir às naves agrícolas, pois sem elas não haveria Tyllium. A maneira como elas extraiam o dito mineral era bastante curiosa. Numa primeira fase, as naves aterravam, ou melhor agarravam-se a um asteróide, pois os seus trens de aterragem eram constituídos por uma série de "garras" de ferro que se cravavam no solo. Numa segunda fase, da parte dianteira da nave estendiam-se duas enormes pinças de metal que rapidamente começavam a escavar. Essa pinças ladeavam uma enorme abertura para onde projectavam o material que iam retirando do solo. Por todas estas razões, as naves-mineiras eram conhecidas como os "Insectos", pois era esse aspecto que davam quando estavam a funcionar. Após ter sido "engolido", o material recolhido era submetido a uma série de processos de filtragem e de purificação. Normalmente, uma nave-mineira demorava quatro centares a encher os seus depósitos, mas neste caso a situação era diferente. Devido à falta de matéria-prima que afectava a Frota Colonial, as naves tinham sido modificadas para separar não só o Tyllium mas também para separar todos os outros materiais que pudessem ser vitais, armazenando-os nos seus depósitos antes de os distribuir pelas naves-industriais. Ainda para mais no caso específico do Tyllium havia certos problemas pois um dos subprodutos que surgia da sua refinagem era a Solenite, um material altamente explosivo. Tal acontecia visto que o Tyllium só era encontrado juntamente com outro mineral, o Solium. Isto fazia com que todo o processo de purificação e posterior armazenamento tivesse de ser feito de maneira segura ou seja, lenta. Assim uma nave-mineira demorava cerca de sete centares para estar cheia. Enquanto tudo todo este processo decorria, a Frota tinha que aguardar pacientemente. Apollo levantou-se e vestiu-se rapidamente. O sinal sonoro do computador já o tinha apanhado acordado. O seu relógio interno não o deixava dormir mais de seis centares e isto era em alturas em que não havia alertas, pois nesse caso não conseguia dormir mais de três centares. Dirigindo-se para o computador, verificou que a Esquadrilha Vermelha iria chegar à baía Beta dentro de dez centons. Sem mais demoras, saiu dos seus aposentos e encaminhou-se para lá. Como era costume sempre que havia aterragens, a baía estava cheia de elementos dos serviços de emergência que estavam de prevenção caso houvesse algum acidente. Aos poucos, o Vipers da Esquadrilha Vermelha foram aterrando, não havendo qualquer tipo de problema. Apollo sabia que o último Viper seria o de Sheba, pois ela sentia a obrigação de se certificar de que todos os Guerreiros sobre o seu comando regressavam. Assim que o seu Viper aterrou, Apollo dirigiu-se para lá. Com um pequeno gesto, ele mandou afastar o técnico de voo que acabara de encostar uma escada à fuselagem do veículo. O técnico fez o que lhe era ordenado com um sorriso, pois já não era primeira vez que assistia a tal, e de certeza que não seria a última. O Viper estava quase que gelado ao toque, depois de ter passado vários centares no espaço e portanto Apollo subiu as escadas com cuidado, procurando não tocar em nenhuma parte metálica do caça. Na precisa altura em que chegava ao último degrau, a escotilha começou-se a levantar com um ligeiro silvo, acabando por se imobilizar quase que na vertical. Sheba, que estava ainda a certificar-se de que todos os instrumento estavam em ordem, não se tinha apercebido da presença de Apollo, pois era normal que os técnicos estivessem ali enquanto os Guerreiros Coloniais abandonavam os seus Vipers. Vendo isso, ele estendeu uma das suas mãos e disse, disfarçando a voz: - Capitão, se quiser pode dar-me o capacete! Sheba , ainda ocupada, retirou o pesado capacete de voo e, sem sequer olhar, deu-o à mão que lhe surgia à frente. Com um sorriso estampado no rosto, Apollo disse então: - Também me pode dar um beijo, que eu não me importo!! - Como?.......- começou ela a dizer, virando-se na sua direcção, surgindo-lhe depois um sorriso ao ver quem era.- Apollo!!! O Capitão baixou-se e beijou-a na boca. Ela abraçou-o, retribuindo o beijo e, no processo, quase que o fazendo cair para dentro do cockpit. - Cuidado!!- disse ele endireitando-se.- Não queres que eu faça um voo picado, pois não? - É claro que não!- respondeu Sheba, enquanto desapertava os cintos que a seguravam ao banco e se levantava, preparando-se para abandonar o cockpit. Apollo desceu rapidamente da escada onde estava, dando assim espaço para que a ela descesse. Mal tocou no chão, Sheba começou a espreguiçar-se. - Estes cockpits parecem estar cada vez mais pequenas e desconfortáveis....- disse ela apontando na direcção do seu Viper, que se encontrava agora rodeado pelo pessoal de terra. - Olha que isso não impede o Starbuck de dormir durante as patrulhas.... - Mas tu sabes perfeitamente que ele consegue dormir em qualquer ocasião. - Sim... e por vezes isso dá-lhe muito jeito, especialmente quando há alguma cerimónia oficial a que temos de assistir. - retorquiu Apollo sorrindo, enquanto se encaminhavam para a saída da baía de lançamento. - Mas, mudando de assunto, que tal é que correu a patrulha? - Não foi nada de especial.....- respondeu Sheba, encolhendo os ombros.- Aparentemente há uma passagem através do segundo campo de asteróides, mas só agora é que iam investigar. - Uma passagem? - Sim, aparentemente os sensores da Galactica detectaram uma zona em que o campo de asteróides não é tão denso como o resto e portanto a Frota não deve ter muito problemas em passar por lá. - Ainda bem, assim não nos desviamos muito da rota que estamos a seguir.... - Quadrante Alpha, dezanove milhões de sectars pelo vector Epsilon vinte e dois, num rumo calculado de 0000 ponto nove. - recitou de memória Sheba. Esta informação, desde que fora conhecida por ela, Apollo e Starbuck durante a estadia deles nas misteriosas Naves das Luzes, havia-se tornado numa espécie de oração para todos os tripulantes da Frota. No final dessa rota estaria a Terra, o local onde vivia a mítica Décima Terceira Tribo de Kobol. - É só uma pena não sabermos a quantos yahrens de viagem é que a Terra está...- disse Apollo. - Passaram-se 7 yahrens desde a destruição das Colónias e nós já viajamos muito para além das fronteiras conhecidas na altura... Tenho esperança que a Terra não esteja muito mais longe.... - Também eu...- respondeu Apollo. Nenhum deles tocou num assunto sobre o qual tinham chegado a um acordo. Só quando chegassem à Terra é que ambos se iriam unir. Até lá muita coisa poderia acontecer e ambos sabiam que não conseguiriam viver um sem o outro. Sendo ambos Guerreiros, as hipóteses de qualquer um deles morrer em combate eram grandes e, portanto, só quando chegassem a um local seguro é que se iriam unir. Já nas proximidades da Ponte de Comando, Apollo virou-se para Sheba e disse: - Se quiseres podes ir descansar, porque eu faço o relatório da tua patrulha. Não deve haver problema..... - Achas que não?- perguntou ela, hesitante. - Acho....e ainda para mais, eu tenho que falar com o meu pai e assim aproveito a ocasião. - Muito bem.... sendo assim acho que vou aceitar a proposta e vou dormir. - Não te esqueças de que hoje temos um jantar na Rising Star..... - Sempre conseguiste arranjar uma mesa?- perguntou Sheba. - Consegui, mas apenas porque houve uma desistência. Senão fosse por isso, só no próximo sectar é que tinha vaga. - A Rising Star é a única forma de distracção que as pessoas tem aqui na Frota, por isso não é de admirar que esteja sempre lotada..... - Se alguma vez lhe acontecer alguma coisa, nem quero ver a reacção das pessoas!!! Este comentário arrancou um sorriso de Sheba que, espreguiçando-se novamente, disse: - Bem vou dormir um bocado.... - Eu depois passo pela tua cabine para te ir buscar.- disse Apollo. - E o Boxey? - Vou ter com ele quando chegar.- respondeu Apollo, consultando de seguida o seu relógio.- E por falar nisso, ele deve chegar dentro de quinze centons, isto é se o voo não se atrasar. - Então, o melhor é despachares-te.- disse Sheba, despedindo-se com um beijo rápido e dirigindo-se depois para o seu quarto. Apollo acompanhou-a, por uns momentos, com o olhar e de seguida dirigiu-se para a Ponte de Comando que ficava perto. Como de costume havia uma grande azáfama dentro da Ponte. Aquele local era um dos pontos vitais de toda a Frota, coordenando a actividade de todas as naves. Apollo estava à espera de encontrar o seu pai no seu posto de comando, mas a verdade é que quem estava lá era o Coronel Tigh. Após o saudar e após fazer um resumo da patrulha de Sheba e explicar porque esta última não se tinha dirigido até ali, Apollo perguntou: - Onde está o meu pai, Coronel Tigh? - Tu sabes muito bem como ele é, Apollo.- começou Tigh a dizer, sem deixar de observar as diferentes estações que constituíam a Ponte de Comando e os respectivos técnicos que aí trabalhavam.- Insistiu em verificar pessoalmente como é que estava a decorrer a operação de mineração..... - Quem é que foi com ele? - A tua irmã Athena. Ela aproveita todas as oportunidades que tem para pilotar.... Este último comentário arrancou um sorriso de Apollo que sabia que essa afirmação era verdade. Por momentos ele deixou divagar a sua memória para o passado, para a altura em que Athena, Deitra, Brie e muitas outras, incluindo a sua mulher Serina haviam combatido e salvo a Frota na altura em que esta havia descoberto o lendário planeta de Kobol. É claro que as suas lembranças rapidamente se tornaram amargas ao recordar o que havia acontecido na superfície de Kobol, ao recordar a maneira brutal como tinha perdido Serina para sempre num ataque Cylon. Abanando a cabeça como se assim conseguisse afastar essa memórias, Apollo continuou a sua conversa: - Eu queria-lhe pedir desculpas pelo comportamento de ontem... e, já agora, aproveito para lhe pedir desculpas a si, Coronel. Tigh desviou o olhar da Ponte, virando-se para o filho do seu melhor amigo. Aquela parecia-lhe a altura ideal para ter uma conversa com Apollo. - Apollo, tu sabes bem que eu conheço a tua família à vários yahrens, desde do tempo em que o teu pai e eu andávamos na Academia Colonial..... Para te ser sincero, gostava de saber o que se passa contigo. Nós últimos tempos tens mudado bastante e isso nota-se..... - Nota-se assim tanto?- perguntou o Capitão, um pouco envergonhado. - Nota-se.- disse o Coronel Tigh - Aquela tua discussão ontem aqui na Ponte foi bastante elucidativa. O que é que se passa? Pela primeira vez em muitos yahrens, Apollo hesitou em falar. Embora tivesse uma enorme confiança com o Coronel Tigh, não sabia se lhe havia de contar o que o preocupava. Era algo que nem a Sheba havia contado. Mas ele sentiu que aquela era uma boa altura para desabafar. - Eu tenho tido.....como é que hei-de explicar.....certos sonhos..... - Como os do Starbuck?- perguntou Tigh. - Mais ao menos....o que eu vejo nunca é a minha morte especificamente, mas a sensação é sempre como se fosse. - Não estou a perceber......Afinal, com que é sonhas? - Eu não tenho bem a certeza, pois raramente me lembro de todos os pormenores, mas sei que há sempre uma série de explosões gigantescas......eu acho que ando a sonhar com a destruição da Frota e todos nós!! Por momentos, o silêncio instalou-se. Ambos sabiam que sonhos como aqueles eram normais entre todos os tripulantes, tendo quase todos assistido à destruição das Colónias. - Tem que haver outra razão para te sentires tão afectado por isso, Apollo.- disse o Coronel.- Estou certo? - Está.....- começou Apollo a dizer, hesitando novamente antes de continuar.- Acontece que eu não sou o único a ter esses sonhos.... - Como assim? - O Boxey também os anda a ter......Ele não me queria contar o que o andava a preocupar e eu até pensei que fosse algo na escola, mas certo dia voltei um pouco mais tarde e ele já se tinha deitado. Eu fui espreitá-lo e vi que ele estava a ter um pesadelo qualquer, pela maneira como se debatia na cama. Foi nessa altura que acordou a gritar e eu fui falar com ele.... - E o sonho era o mesmo? - Quase....a única diferença é que o Boxey "via-se" sempre a morrer.... - Ele sonhava com a sua própria morte?- perguntou Tigh, espantado. - Sim, ele dizia que sonhava sempre com uma nave a explodir e que tinha a certeza de que ia lá. - Tendo em conta o que ele passou em Caprica, penso que sonhos como esses não são assim tão esquisitos.... - Eu também achava isso, até ele me dizer que o estava a ter à bastante tempo e sempre igual...... - Tal como tu? - Exactamente.....- disse Apollo, abanando afirmativamente a cabeça.- Foi nessa altura que achei melhor autorizar aquela viagem dele até às Naves-Agrárias. Para descontrair... - E funcionou? - Na última vez que falei com ele, disse que já não havia sonhado com nada. Mas isso é que é estranho, porque eu ontem, após a patrulha e aquela discussão fui-me deitar e, pela primeira vez neste sectar, não tive nenhum pesadelo. - Toda esta situação é muito estranha....Tenho que confessar que estou intrigado! - É por isso que eu me tenho andado a comportar de de uma maneira esquisita e mesmo agressiva. Andar com sonhos destes e, para além disso, não ser o único a tê-los é bastante desgastante. - E nunca pensaste em discutir isso com o teu pai, ele podia....- começou Tigh a dizer, antes de um sinal o interromper. O Coronel dirigiu-se para a secretaria do Comandante e carregou no botão que accionava um dos comunicadores aí presentes. - Que se passa, Omega?- disse ele para o monitor, onde o oficial da Ponte se apresentava com um ar preocupado - Temos um problema bastante grave numa das Naves-Cisternas... - Eu vou já para aí!- disse o Coronel, desligando depois a comunicação e virando-se para Apollo.- A conversa vai ter de ficar para outra altura.....o melhor é vires comigo.... - Muito bem!!- assentiu o Capitão e assim ambos desceram do Posto de Comando para a Ponte, dirigindo-se para junto da consola de Omega. Abafando um grito, o Comandante Adama acordou. Por momentos ficou confuso, não sabendo onde se encontrava, até que lentamente se começou a lembrar que estava num vaivém. - Estás bem, pai?- perguntou Athena, virando-se na direcção do assento do Comandante Adama. - Estou, filha. Foi apenas um pesadelo....- disse o Comandante, tentando afastar da sua mente aquilo com que tinha sonhado.- Já passou...... - Tenho que confessar que me assustou.- disse Athena, virando novamente a sua atenção para os instrumentos do aparelho que pilotava. - Deve ter sido da comida da nave-mineira.- gracejou Adama, tentando aliviar um pouco a tensão.- A comida de Piscon faz-me sempre ficar mal....É muito pesada para uma pessoa da minha idade. - Para pessoas de qualquer idade....- acrescentou Athena, sorrindo. Ela própria havia-se sentido mal após a refeição que tinham partilhado com a tripulação de uma das naves-mineiras que estava a trabalhar nos asteróides. Os molhos usados eram extremamente picantes, numa tentativa de disfarçar o sabor normal dos vegetais criados em estufa e que eram o principal alimento da Frota, pois a carne era extremamente racionada e usada apenas em ocasiões especiais. O Comandante da nave-mineira ainda tentara fazer um jantar especial para comemorar a presença de Adama, mas este último recusara terminantemente tal coisa, dizendo que a carne era para consumo dos tripulantes da nave e que ele apenas aceitaria comer as rações normais que eles costumavam comer. Após terem abandonado a nave-mineira, o Comandante Adama havia aproveitado para repousar um pouco e assim fizera até ser arrancado do seu sono pelo horrível pesadelo que tivera. - Ainda falta muito tempo para a Galactica?- perguntou ele à sua filha. - Cerca de cinco centons.- respondeu esta, enquanto manobrava o vaivém pelo meio das naves da Frota que se estendiam à sua frente. Nessa altura, o circuito de comunicação interfrota activou-se e a face do Coronel Tigh apareceu num monitor junto de Athena. - Comandante Adama, acabou de surgir uma situação bastante preocupante. - O que se passa? - Uma das naves-cisterna está em dificuldades devido a um problema de computadores.- disse Tigh com um ar extremamente preocupado. Atrás dele podia-se ver Apollo que estava debruçado sobre uma consola da Ponte de Comando falando com um oficial. - Por acaso foi aquela que teve o vazamento de Tyllium? - perguntou Adama. - Foi exactamente essa!! O computador está completamente louco e a sua tripulação está a ver se descobre o problema. - Quais foram as medida que tomaste? - Para já, mandei todas as naves que estavam nas suas imediações afastarem-se pois o sistema de navegação está a falhar e pode haver perigo de colisão. Para além disso, mandei para lá uma equipe de técnicos sob o comando do Tenente Kommas para tentarem arranjar o computador central. Nessa altura, Athena fez um pequeno sinal para chamar a atenção do seu pai, dizendo depois. - Estamos quase a passar pela tal nave. Adama olhou pelo cockpit do vaivém, na direcção geral que o radar indicava e rapidamente encontrou a nave-cisterna. Esta última quase que nem podia ser chamada de nave, pois na realidade não passava de uma série de oito globos de metal ligados a uma estrutura central horizontal que tinha atrás uma série de motores e à frente um módulo de comando que albergava a tripulação que a comandava. - Algo ali está mal....- murmurou Adama, enquanto esforçava a sua vista. Só de repente é que se apercebeu que a nave estava a sofrer um ligeiro desvio para a esquerda. A nave não estava a conseguir manter o seu rumo, pois os seus motores de manobra do lado direito estavam a funcionar a toda a força, empurrando a nave no sentido contrário. Athena apercebeu-se também de tal situação e, antecipando-se ao seu pai, disse: - Coronel Tigh!!! Avise a nave-cisterna que o computador deles está a disparar os motores de manobra e que eles estão a desviar-se para o lado esquerdo!! Tanto Athena como o Comandante Adama viram, através do monitor, o Coronel Tigh a "disparar" uma série de rápidas ordens para o pessoal da Ponte de Comando, mandando que se entrasse em contacto com a dita nave-cisterna. No entanto, nem os dois passageiros do vaivém Alpha nem a Ponte de Comando se aperceberam de um pequeno ponto nos seus radares, ponto esse que se aproximava da nave em dificuldades. Amaldiçoando a sua sorte, Skint deu mais um soco no painel de instrumentos, numa tentativa vã de conseguir pôr o sistema de comunicações do seu vaivém a funcionar. Desde do Holocausto que o azar o perseguia e, pensando bem, já antes dessa data. Filho de um rico comerciante de Gemoni, tinha visto a sua entrada recusada na Academia por causa de um problema físico e desde dessa altura que investira parte da fortuna da sua família numa companhia de transportes de passageiros. Essa era a única maneira que tinha de pilotar e fora por causa disso que havia escapado ao ataque Cylon que destruíra as Colónias. Quando este se dera, ele encontrava-se a caminho da Galactica com alguns diplomatas que queriam aproveitar a ocasião para a visitar. Ele havia sido recolhido pela Estrela-de-Batalha e o seu vaivém, o único que restava dos 20 que outrora possuíra, havia sido posto ao serviço da Frota. O seu vaivém, que fazia sobretudo transportes interfrota, sofria, como quase todas as outras naves da Frota, de uma má manutenção, o que lhe provocava problemas regulares. A falha das comunicações era vulgar e era o que estava a acontecer naquela altura. Enquanto os seus passageiros entravam, ele ainda tinha tentado remediar o problema mas não conseguira fazer nada. Apesar disso, havia decido partir em direcção à Galáctica, pois sabia que se chegasse lá na altura prevista, receberia um bónus pelo seu bom trabalho e esse créditos serviriam para arranjar a sua nave. Numa tentativa de cortar ainda mais no tempo, Skint havia feito um pequeno desvio em relação à sua rota normal. O Controle de Tráfego da Galactica tinha atribuído uma série de corredores para os voos civis dentro da Frota, mas o que acontecia é que essas rotas demoravam mais tempo pois evitavam o centro da Frota, o local onde se concentravam as naves mais importantes, como era o caso das naves-mineiras, cisternas, agrícolas e de transporte de animais. Skint fazia algo que era normal entre os pilotos civis, metendo a sua nave pelo centro da Frota, quase que se colando aos cascos das naves aí presentes evitando assim a detecção pelos radares da Galactica e economizando cinco centons. Encolhendo os ombros num gesto de resignação, desistiu de mexer nos controles e ligou o sistema de comunicação interno que felizmente ainda funcionava. Quando viu aproximar-se a terceira e última das naves-cisternas, aquela que estava mais próxima da Galactica, comunicou para a cabine de passageiros. - Caros passageiros, chegaremos à Galactica dentro de aproximadamente 3 centons. Espero que tenham gostado do voo!! Desligando o aparelho, Skint deitou um último olhar ao seu radar, antes de fazer a aproximação à nave-cisterna e à Galactica. Detectou de imediato que havia dois outros vaivéns a aproximar-se dessa mesma nave, um vindo de fora da Frota e outro que vinha da Galactica, mas isso não o preocupou pois já havia cortado caminho e mesmo que o vissem o mal já tinha sido feito e ele pagaria a multa que certamente lhe seria aplicada de boa vontade. Skint nem reparou que todas as outras naves se estavam a afastar da nave que lhe surgia à frente e que isso podia ser um sinal de que algo corria mal. Com insulto murmurado contra o piloto da nave-cisterna que a estava deixar descair na sua direcção, Skint acelerou o seu vaivém e fê-lo subir, para passar por cima dos grande depósito de combustível. A bordo da ponte de comando da nave-cisterna Colossus o ambiente era de pânico. O aviso que tinha vindo da Galactica sobre o accionar dos motores de manobra tinha contribuído ainda mais para esse clima. - Imediato, o que é que podemos fazer para evitar isto? - perguntou o Capitão Pirrus, sentado no seu posto na Ponte. - De momento nada!!!- respondeu o Imediato Cyprus, com um ar de desespero.- O computador continua a recusar-se a responder aos nosso comandos!!! - Malditas máquinas!!!- berrou o Capitão.- Ainda falta muito para o vaivém com os técnicos da Galactica chegar? - Devem chegar dentro de dois centons.- disse outro oficial da ponte.- O pior vai ser para atracarem pois para além de nos estarmos a mexer, o computador não deixa abrir as portas do hangar. - Por Hades!!! O que é podemos fazer!- disse Pirrus, segurando a sua cabeça com as mãos. Nunca na sua longa carreira de Capitão algo assim havia acontecido. De repente, as luzes da ponte enfraqueceram assim como os monitores. As ventoinhas do sistema de suporte de vida começaram a desligar-se e os tripulantes começaram a sentir-se cada vez mais leves. - Os sistemas internos estão a falhar.- berrou Cyprus. - Dentro de aproximadamente 5 microns devemos perder a gravidade artificial!!!!! - Amarrem-se bem aos vossos lugares!!!!- ordenou o Capitão, enquanto fazia isso mesmo, pondo os cintos que o segurariam ao assento.- Comunique a situação à Galactica e dê-me uma previsão de quanto tempo é que nos resta de ar após a perda do suporte de vida!!!! Enquanto Pirrus comunicava com a Estrela-de-Batalha e com o vaivém do Tenente Kommas, outro oficial informava o Capitão que após a paragem total do sistema de suporte de via, teriam apenas mais 10 centons de ar. Foi nessa altura que um enorme barulho metálico se vez ouvir através de toda a nave, sendo acompanhado por um enorme tremor. Imediatamente ouviram-se inúmeras sirenes e uma voz mecânica surgiu nos altifalantes da ponte, começando a fazer uma contagem decrescente a partir do dez. - Pelos Senhores de Kobol!!!! - gritou o Capitão.- O computador vai ejectar os depósitos de combustível!!!!! Avisem todas as naves para se afastarem, depressa!!! - Atenção a todas as naves!!! Atenção a todas as naves!!! Daqui é a Colossus!!!! Perigo de colisão iminente!!! Perigo de colisão iminente!!!!- avisou Cyprus através do aparelho de comunicação. O vaivém Alpha ouviu esta mensagem exactamente na altura em que ultrapassava a cauda da Colossus voando por cima da sua superestrutura. - Tira-nos daqui!!- disse de imediato o Comandante Adama quando ouviu o aviso. Athena assim fez, acelerando e fazendo o aparelho desviar-se para a direita, afastando-se da nave. Os depósitos da Colossus estavam agora iluminados por uma série de luzes vermelhas que indicavam que a operação de separação estava a efectuar-se. Ambos estavam tão empenhados na manobra que não repararam de imediato no vaivém que surgia do lado esquerdo da nave-cisterna, vinda de baixo desta última. No dito vaivém, Skint só se tinha apercebido de que algo estava mal na altura em que viu as luzes de aviso nos depósitos. Também ele acelerou, tentando passar por cima da Colossus. "Tenho que avisar o piloto daquele vaivém"- pensou Athena ao aperceber-se dele. Infelizmente na altura em que pensou nisso, o computador da Colossus terminou a operação e ejectou todos os oito depósitos de combustível. Visto que eles continham um combustível altamente volátil, estavam equipados com pequenos motores próprios que lhe permitiam afastar-se rapidamente da nave-cisterna, minimizando assim os perigos de uma explosão que pudesse destruir essa mesma. O que os criadores desse mesmo sistema não previam é que durante essa operação houvesse outras naves no caminho dos depósitos, tal como os programadores do computador da Colossus não esperavam que este se avariasse. Mas, a verdade que isso tinha acontecido e assim, dois dos depósitos de combustível tinham apanhado os dois vaivéns na altura em que estes últimos se estavam a tentar afastar. A velocidade dos ditos depósitos tinha apanhado de surpresa tanto Athena como Skint que nada podiam fazer. A enorme explosão que se seguiu foi rapidamente detectada pelos sensores da Galactica. A Ponte de Comando foi quase de imediato inundada por relatórios de danos e por pedidos de informação de outras naves da Frota. Todos na Ponte haviam assistido espantados ao aparecimento de um terceiro vaivém junto da Colossus, mas não tinham podido fazer nada pois a explosão tinha-se dado logo a seguir. - Quais foram os danos?- berrou o Coronel Tigh, quebrando o ambiente que se tinha instalado. A seu lado Apollo olhava aterrado, pois tinha-se apercebido que o seu pai e a sua irmã estavam no local onde se dera a explosão. À medida que as informações iam chegado à Ponte, começou a estabelecer-se uma imagem mais clara de toda a situação. O vaivém comandado pelo Tenente Kommas havia escapado da explosão e estava a aproximar-se rapidamente da Colossus. - A nave encontra-se bastante danificada!!- ouviu-se a voz do piloto do dito vaivém a dizer. Estou a contar 6 depósitos a afastarem-se, podem confirmar isso, Galactica? - Sim, podemos! Seis estão a afastar-se rapidamente da Frota. - respondeu Rigel - Os outros dois parece que explodiram com o embate..... - ouviu-se novamente o piloto a dizer.- Os nosso sensores ainda não conseguem ter uma imagem definida da área....há muitos destroços...... - Há algum com o tamanho suficiente para ser um vaivém? - perguntou de repente Apollo. - Não conseguimos ver nada.... - Concentrem os vossos sensores nessa zona!!!- disse o Coronel Tigh para o oficial da Ponte da Galactica que estava de serviço nesse posto. Por momentos, instalou-se o silêncio enquanto tanto o oficial da Galactica como o piloto do vaivém tentavam descobrir algo no meio dos destroços. Foi nessa altura que Apollo se lembrou de algo que mais ninguém se tinha lembrado até então. - Já identificaram o segundo vaivém?- perguntou ele, alto para que todos na Ponte o ouvissem. - Ainda não, Capitão.- respondeu um oficial.- Estamos a verificar todos os horários de vaivéns civis. - Galactica, acho que descobrimos algo.... - disse de repente o piloto do vaivém.- Na zona dos motores da Colossus, parece-me que há uns destroços que podem ser de um vaivém..... - Estou a concentrar lá os nossos sensores......- disse quase de imediato o tripulante de serviço nessa consola. Rapidamente os sensores da Galactica conseguiram descobrir os destroços a que o piloto se referia.- O computador dá 90% de hipóteses de ser um vaivém. - Quais são os danos?- perguntou Apollo. - A superestrutura está praticamente intacta. Os danos concentram-se sobretudo na parte esquerda da nave e na parte dos motores!! - E a nível da cabine de pilotagem?- perguntou por sua vez Tigh. O oficial demorou um pouco a responder, verificando novamente os dados, até que respondeu: - A estrutura da cabine parece estar intacta. Virando-se para o monitor onde aparecia a imagem do piloto do vaivém com os técnicos, o Coronel Tigh disse então: - Se não houver perigo aproxime-se dos destroços e faça uma busca de sinais de vida!! - Muito bem, Coronel. Os centons foram passando lentamente enquanto o vaivém navegava entre os destroços em direcção aquilo que podia ser um outro vaivém. Enquanto isso, os sensores da Galactica haviam descoberto aquilo que certamente eram os restos de outro aparelho, mas estes eram um indício seguro de que ninguém podia ter sobrevivido ao acidente. Os maiores destroços eram incapazes de albergar mais do que uma pessoa. Este aparelho, fosse ele qual fosse, tinha apanhado com o depósito e com a subsequente explosão em cheio. - Já estou a detectar formas de vida nos destroços do vaivém.... - disse de repente o piloto.- Os sinais estão muito baixos, provavelmente as pessoas estão inconscientes..... - Já tem uma identificação positiva?- perguntou Apollo, impaciente.- É o vaivém Alpha? Nessa altura ouviu-se na Ponte de Comando um barulho. Todos se viraram nessa direcção e depararam com a Oficial de Voo Rigel que tinha deixado cair o computador pessoal que tinha nas mãos, tapando a cara com elas. - Não pode ser verdade!!! Não pode ser verdade!!!!- murmurava ela e toda a gente se apercebeu que chorava. - Que se passa?- interrogou o Coronel Tigh, aproximando-se dela e pondo-lhe uma mão no ombro, enquanto que outro oficial apanhava o computador. Ela pareceu recompor-se um pouco e, levantando a cabeça, disse: - Acabou de chegar a lista dos voos!!! O único voo que falta é aquele que vinha da nave-agrária!!! - O das crianças?- perguntou Tigh, incrédulo.- Não houve nenhum engano? - Não, não houve!!!- disse Rigel, lutando para conter as lágrimas. - Todos os outros aterraram antes da explosão....aquele era o único que estava a voar...... - Não pode ser.....- começou a murmurar Apollo que tinha assistido à troca de palavras.- Não pode ser, o Boxey vinha nesse voo!!! Foi nesse instante que o piloto do vaivém da Galactica disse: - O vaivém que está à nossa frente é o Alpha!!! É o vaivém do Comandante Adama........ e estamos a detectar dois sinais de vida!!!! Perante tal relatório, Tigh disse: - Então o outro é o das crianças!!!! O silêncio instalou-se na Ponte por momentos, até que foi quebrado por um grito lancinante. - NÃOOOOOO!!!!! BOXEY!!!!!!- berrou o Capitão Apollo enquanto caía de joelhos no chão e enterrava a sua cabeça no meio das mãos, chorando convulsivamente.- NÃOOOOO!!!!! Num local para além do espaço e o tempo, alguém assistia a toda a cena que se passava no Ponte da Galactica como se estivesse lá. - E assim tudo começa......- disse esse alguém, soltando uma sonora gargalhada. - E assim tudo começa!!!!! - Continua -