Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (verg@esoterica.pt) ---------------------------------------------------------------- Capítulo 4 A primeira coisa que Athena viu quando recuperou a consciência foi a cara de Starbuck, que a fitava com um ar preocupado. Ela tentou falar, mas só o conseguiu fazer após várias tentativas, pois a sua garganta doía-lhe imenso. - Morri e fui parar ao Hades?- acabou por murmurar - Como?- perguntou Starbuck, debruçando-se sobre ela com um ar de espanto.- O que é que disseste? - Perguntei se morri e se fui parar ao Hades? Para tu estares aqui, devo estar no meu Hades pessoal......- disse Athena, lançando uma gargalhada fraca e fechando de novo os olhos. Aquela pequena troca de palavra tinha-lhe tirado quase todas as forças. Starbuck ouviu a piada, sorrindo também embora com pouca convicção. Pegando na mão de Athena e apertando-a suavemente, disse: - Já não sou a tua ideia de Olimpo? Sem abrir os olhos, Athena respondeu: - Já foste......... O guerreiro ainda esperou que ela continuasse a falar, mas a verdade é que Athena tinha voltado a perder a consciência. Soltando a sua mão da dela, Starbuck debruçou-se e deu-lhe um beijo de leve na testa, afastando-se de seguida da cama. Antes de sair do quarto, lançou ainda um último olhar sobre ela. Antes de se unir com Cassiopeia, Starbuck tinha tido uma relação tempestuosa com Athena, relação essa que nunca fora muito definida. Embora fosse feliz com Cassiopeia, não conseguia de deixar de sentir "algo" pela irmã do seu melhor amigo e ao vê-la ali, numa das divisões do Centro Médico, tão indefesa, tão diferente daquela Athena que ele conhecia e admirava, não conseguia deixar de sentir esse "algo". Afastando esses pensamentos da cabeça, Starbuck abriu a porta do quarto e dirigiu-se para o corredor do Centro Médico. A uma curta distância do quarto de Athena, encontrava-se o quarto do Comandante Adama. À porta do dito quarto estava o Coronel Tigh, com um ar extremamente preocupado, passeando de um lado para o outro. - Que se passa, Coronel?- perguntou Starbuck, depois de saudar o seu superior. - O Doutor Salik está lá dentro com a Cassiopeia.- respondeu Tigh, parando de andar.- Assim que soube de toda a situação, decidiu vir ver se podia ajudar. - E então? - Ele confirmou aquilo que os exames feitos após o acidente mostravam...... - Sempre é verdade?- inquiriu o guerreiro, sabendo antecipadamente a resposta. - É......- respondeu o Coronel.- O Comandante Adama dificilmente poderá recuperar a consciência. Ele tem um fragmento de metal inserido no crânio, provavelmente um pedaço do painel de controle que explodiu........ - E não se pode fazer nada....... - Não!- disse uma nova voz. Os dois homens viraram-se para a porta do quarto do Comandante, de onde saíam Cassiopeia e o Doutor Salik. Este último fechou a porta do aposento e continuou a falar. - Não podemos fazer nada pelo Comandante. - Porquê?- insistiu, de novo, Starbuck com ar que era uma mistura de desespero e de resignação. Cassiopeia, pondo uma das mãos no braço do seu marido, e interrompendo o que Salik ia começar a dizer, disse: - Starbuck, todos nós da Frota temos uma enorme dívida para com o Comandante Adama e sabemos o quanto lhe devemos. No entanto, neste caso nada podemos fazer.......Podes ter a certeza que se houvesse algo ao nosso alcance.......... - A verdade é que não temos o equipamento para o operar!- disse Salik, fitando Tigh e Starbuck.- Este Centro Médico, embora esteja maravilhosamente equipado, não passa de um simples Centro Médico de uma nave de guerra..... Não temos os meios que havia nas Colónias....... - Compreendo....- murmurou Tigh.- Nós sempre tememos que algo assim viesse a acontecer...... - Mas há mesmo a certeza de que não se pode operar o Comandante?- perguntou Starbuck. - Sim, há essa certeza!- afirmou Salik, peremptoriamente.- Uma pequena parte do fragmento está inserida no cérebro e nós não podemos retirá-la de lá com o equipamento que temos. - Que podemos então fazer?- perguntou o Coronel. - De momento, a melhor hipótese que temos é pôr o Comandante em animação suspensa.......- respondeu Cassiopeia. - Com os nossos meios actuais, podemos mantê-lo nesse estado durante 10 yahrens......Pode ser que até lá encontremos uma civilização que nos possa ajudar.- continuou Salik. - Ou mesmo a Terra.....- disse Starbuck. - Exactamente.- afirmou a sua mulher.- É a única solução...... - Muito bem!- disse Tigh, tomando uma decisão.- Preparem tudo.....Assim que eu falar com o Apollo ou com a Athena podem começar com o processo. - Esqueci-me de dizer que há bocado a Athena recuperou a consciência por momentos......- disse o Tenente. - Ela disse alguma coisa?- perguntou Cassiopeia. Starbuck hesitou por alguns momentos, acabando por responder: - Não, não disse nada. Abriu os olhos e balbuciou algumas coisas. - Mas reconheceu-o?- perguntou Salik. - Reconheceu........ - Isso é bom sinal. A memória não parece ter sido afectada.- disse o Doutor.- Já que estou aqui, acho que posso ir lá vê-la..... - Muito bem, eu acompanho-o.- afirmou Cassiopeia. - Eu vou ver se falo com Apollo.....- disse o Coronel Tigh.- Vou-lhe explicar a situação..... - Já agora, eu vou consigo, Coronel.- disse Starbuck.- Ainda tenho tempo antes da Esquadrilha sair em patrulha. Assim, após as despedidas, cada grupo se afastou para seu lado. Mal saíram do Centro Médico, na direcção dos aposentos de Apollo, Starbuck virou-se para o Coronel Tigh e, após alguns momento de hesitação, perguntou: - Desculpe se estou a ser intrometido, mas agora quem é que vai comandar a Frota? - Eu próprio tenho pensado nisso.....- respondeu o outro, abrandando o passo.- Como deves saber, na Frota Colonial nunca houve nenhum critério de sucessão rigoroso. Para já sou eu que estou à frente de tudo, mas assim que o Apollo recuperar vou-lhe passar o comando. Acho que isso é o mais correcto a fazer. - E o Conselho dos Doze não tem nada a dizer sobre o assunto? - Não sei dizer......- respondeu Tigh, não conseguindo esconder o desprezo que tinha em relação a todos os políticos.- O corpo político sempre quis dominar os militares e talvez agora seja a altura de o tentarem fazer. Por acaso vamos ter uma reunião em breve e estou à espera que a questão do comando venha a surgir. - Aconteça o que aconteça, o Coronel pode ter a certeza de que estamos do seu lado. Nós só queremos o que é melhor para a Frota. - Eu sei....- disse Tigh, com um sorriso.- Mas de certeza que não vai haver problemas...... - Esperemos que sim.............- disse Starbuck, encerrando desta maneira aquela breve conversa. Sheba estava ainda em estado de choque com o que tinha acontecido. Ela tinha sido acordada por Boomer e por Jolly. Assim que lhes abrira a porta, ainda meia ensonada, eles tinham-lhe explicado mais ou menos o que acontecera e tinham-na acompanhado até à Ponte de Comando. Quando lá chegara, Apollo estava a ser retirado de maca por dois ajudantes do Centro Médico. Cassiopeia, por ordem do Coronel Tigh, havia dado um calmante a Apollo. Só nessa altura é que Sheba soubera toda a história do acidente e compreendera a gravidade do mesmo para a Frota e para Apollo em particular. Vendo que não podia fazer nada para ajudar na operação de salvamento de Athena e do Comandante Adama, ela havia seguido para os aposentos de Apollo, local para onde os ajudantes médicos o tinham levado. Ele tinha estado sob efeito do sedativo, cerca de um senton. Quando finalmente acordara, parecia estar a reagir bem a toda a situação, não tendo o mínimo problema em recordar e enfrentar o que acontecera. Sheba tinha estado a falar com ele durante cerca de quatro centares e, satisfeita com o estado de espírito dele, havia decidido ir descansar para os seus aposentos. O descanso havia sido mínimo pois não conseguira dormir em paz, preocupada como estava. Assim, ao fim de pouco mais de dois centares de um sono mal dormido, havia-se levantado e dirigido de novo para os aposentos de Apollo. Ao chegar lá, tinha dado de caras com o Coronel Tigh e Starbuck que acabavam de bater à porta. - Como estão a Athena e o Comandante Adama?- perguntou ela, após cumprimentar os dois homens. Tigh fez-lhe rapidamente um resumo da situação, especialmente no que dizia respeito ao problema do Comandante. Tal como tinha acontecido com Starbuck, Sheba ficou consternada com aquilo que lhe tinha sido dito. Na altura em que ia começar a falar, a porta abriu-se e todos se viraram para lá. Apollo tinha tomado um banho e vestido o seu uniforme. Apesar daquele aspecto de normalidade, era notório que não havia descansado nada pois tinha umas grandes olheiras. Convidando-os para entrar com a mão, disse: - Estejam à vontade, eu estava a preparar-me para comer qualquer coisa. - Acho que não é necessário eu e o Starbuck entrarmos.- disse Tigh.- Só viemos aqui para te pedir autorização para uma coisa...... - É em relação ao meu pai?- perguntou o Capitão, interrompendo o Coronel. - Por acaso é, mas com é que sabes? - Estive a ver as transmissões da IFB. O facto de eles não dizerem nada sobre o meu pai, mostrou logo que algo estava mal...... O Coronel Tigh, tal como tinha feito com Sheba momentos antes, explicou-lhe o que se passava. Apollo ouviu tudo com atenção e, assim que o amigo do pai acabou, disse: - Se essa é a única maneira de salvar o meu pai, façam-no..... Tenho total confiança na Cassiopeia e no Doutor Salik..... - Muito bem....- respondeu Tigh, pegando de imediato no seu computador pessoal e dando instruções para que começassem o processo de suspensão no Centro Médico. Enquanto isso, Apollo virou-se para Starbuck e perguntou: - E a minha irmã, como é que está? - Já recuperou a consciência.....Quando viemos embora do Centro Médico, a Cassie e o Doutor iam até ao quarto dela. - Ainda bem...... - Bem, acho que me vou embora......- disse Tigh, após ter terminado a comunicação.- Vou para a Ponte de Comando......E, por falar nisso, depois preciso de falar contigo, Apollo..... O Capitão fez um sinal de assentimento com a cabeça, não dizendo mais nada. Ele sabia exactamente sobre o que é que Tigh queria falar com ele. Não esperava, no entanto, que a questão surgisse tão cedo. - Eu também vou embora, porque entro ao serviço daqui a alguns centons.- disse por sua vez Starbuck, antes de se despedir do seu amigo com um abraço.- Já sabes que se precisares de alguma coisa diz....... Apollo retribuiu o gesto do seu amigo e disse: - Dá os meus cumprimento ao resto da Esquadrilha, está bem? - É claro que sim.- respondeu o Tenente, sorrindo.- Já estamos todos cheios de saudades tuas!!! - Aposto.....- disse o outro, sorrindo também. Rapidamente, Tigh e Starbuck seguiram os seus caminhos, deixando Sheba e Apollo sozinhos. - O melhor é entrarmos.- disse ela, que até então se tinha limitado a observar o seu noivo. - Sim, é melhor.- assentiu ele, afastando-se da entrada para que ela entrasse e seguindo-a depois. A entrada de Sheba foi saudada com um ladrar electrónico. Do quarto adjacente, onde o recém-falecido Boxey tinha dormido, surgira Muffit, abanando a sua cauda, como era costume. Por momentos Sheba ficou com a impressão de que a réplica mecânica de um daggit sabia o que tinha acontecido ao seu dono e que estava triste com isso. Quase que adivinhando o que passava pela mente de Sheba, o Capitão disse: - Ele ontem passou a noite toda a ganir. Eu nem sequer sabia que ele tinha esse som programado...... Depois de dizer isso, Apollo baixou-se e acariciou o pêlo sintético do daggit, que o fitou com os seus grandes olhos. - Que vais fazer com ele?- perguntou Sheba. - Em pensei em tirar-lhe as baterias e guardá-lo algures num armário, mas acho que já estou muito acostumado a ele. - Mudando de assunto, que tal é que estás? Apollo levantou-se e dirigiu-se para a pequena cozinha dos seus aposentos. Pegando numa caneca, encheu-a com a bebida que tinha estado a aquecer e disse: - Queres mesmo saber? - Ao fim de tanto tempo acho que já devias saber que sim!! - Não sei bem como descrever o que sinto.......- desabafou Apollo. - Como assim?- perguntou Sheba, aproximando-se do seu noivo e pegando-lhe nas mãos que estavam a começar a tremer. - A dor é de tal maneira profunda que eu acho que se lhe ligar enlouqueço....... Olhando-a nos olhos, ele continuou: - Espero que percebas o que eu estou a dizer......Eu não posso deixar que a dor venha à superfície. - Mas também não podes deixar que ela fique dentro de ti......Não sei o que será pior....... - Eu sei.......- disse ele com pouca convicção, afastando o olhar. - Não te esqueças que me tens sempre a mim para te ajudar......e que também tens todos os teus amigos do teu lado...... - Obrigado!!!- disse Apollo, simplesmente. De seguida, pousou a caneca no balcão e beijou-a. Era um beijo cheio de paixão a que ela respondeu plenamente. Os dois estavam tão embrenhados no que faziam que nem sequer se aperceberam da presença de alguém no quarto. Apollo foi o primeiro, quando viu que alguém estava junto da porta de entrada, iluminando o aposento com uma leve luz branca. - Sheba, acho que temos companhia.......- murmurou ele, afastando a sua cara da dela, tentando ver quem é que estava ali. Perante as palavras do seu noivo, Sheba começou a virar-se lentamente, levando a mão direita ao coldre onde tinha a sua pistola pessoal. Para espanto de Apollo, ela nunca chegou a terminar o seu movimento, parando a meio, totalmente paralisada. - Peço imensas desculpas por interromper este momento.... - disse o intruso. Este último era um homem de certa idade, com longas barbas e vestido com uma túnica branca. Apollo teve a impressão que já o tinha visto em qualquer lado, mas não sabia aonde. A única certeza que tinha é que ele era um dos Seres de Luzes que haviam ajudado os Coloniais noutras ocasiões.- A verdade é que temos que falar!!! - Que se passa?- perguntou o Capitão, afastando-se de Sheba. Este não era a primeira vez em que ele lidava com aqueles Seres, mas mesmo assim sentia-se pouco à vontade. - Vou directo ao assunto.- disse o indivíduo, olhando directamente para Apollo.- A vossa viagem chegou a um ponto de viragem. Todos estes acontecimentos dos último sentons são sinais. A altura está a chegar! - O que quer dizer com isso? - Considera o que te disse como um aviso. Algo está para acontecer em breve. - Vamos descobrir a Terra?- perguntou Apollo, dizendo a hipótese que primeiro lhe veio à cabeça.- É isso? - Não posso dizer....- respondeu o outro.- A única coisa que posso dizer é que o vosso destino está do outro lado daquela cintura de asteróides. - Isso não me ajuda em nada....... - Tenho pena que assim seja....- disse o seu interlocutor, com ar de quem estava a ser sincero, parecendo depois hesitar antes de continuar a falar. - Um último aviso.....cuidado com velhos inimigos! E com estas palavras, o misterioso ser desapareceu, antes que Apollo o conseguisse questionar. Sheba virou-se para trás nessa altura, sacando a sua pistola do coldre. - Onde é que está........- começou a dizer ela, antes de ver a cara de Apollo.- Que se passa? - Tenho de falar com o Coronel Tigh......- respondeu o seu noivo. - Porquê?- perguntou Sheba, guardando a pistola. - Um dos Seres de Luz esteve aqui....e disse-me algo que é importante - O quê? - Entre outras coisas, disse-me que o destino da Frota está do outro lado da cintura de asteróides....... - Será a Terra? - Não sei, ele não explicou as suas palavras.....mas eu tenho um pressentimento de que é isso de que se trata..... - Se achas isso, realmente o melhor é irmos falar com o Coronel Tigh.- disse Sheba, dirigindo-se para a porta. Apollo seguiu-a mas, antes de sair, foi falar com Muffit, dizendo-lhe que não demorava muito. O daggit pareceu perceber o que lhe era dito, ladrando duas vezes e deitando-se junto da porta por onde Apollo e Sheba saíram. Os dois Guerreiros chegaram à Ponte na altura em que a Esquadrilha Azul, liderada por Starbuck, era lançada no espaço em missão de patrulha. Ao dirigirem-se para o posto de comando, Apollo notou que o Coronel Tigh, embora tivesse o comando efectivo da Frota, não se sentava na cadeira de Adama, preferindo estar de pé junto da balaustrada, olhando para as várias secções da Ponte de Comando. - Apollo, não estava à espera de te ver aqui tão cedo......- disse Tigh ao ver o casal aproximar-se.- Está tudo bem? - Nem por isso...- respondeu o Capitão, contando de seguida o encontro no seu quarto e os misteriosos avisos que lhe haviam sido feitos. Após ouvir o relato de Apollo, o Coronel Tigh pareceu ponderar a situação. A verdade é que ele não era um homem muito religioso e custava-lhe aceitar a ideia de seres supostamente divinos que apareciam com aquele tipo de premonições. Se o fazia neste caso, era por ser Apollo a contar e também porque já tinha visto algumas daquelas Luzes, embora nunca tivesse encontrado pessoalmente nenhum dos Seres. - Tens algum plano em mente ?- acabou ele por dizer. - Eu queria começar a mover a Frota através da abertura que encontraram, assim que pudermos.- disse Apollo com toda a sinceridade. - Sabes bem que ainda há um assunto a tratar antes de tomares essa decisão.- disse o Coronel. - Peço desculpas se me excedi.....O que eu queria dizer é que o Coronel Tigh podia ordenar à Frota...... - Não percebeste bem o que eu quis dizer....- disse Tigh, dirigindo-se para o computador do posto de comando, computador esse que controlava todos os outros na Estrela-de-Batalha. Digitando uma senha que o identificava como o segundo-em-comando da nave, o Coronel acedeu ao diário de bordo e rapidamente digitou uma série de comandos. Depois de fazer isso, virou-se para Apollo e disse, com um sorriso estampado no rosto: - Pronto, Comandante. Agora a Frota é sua!!! Apollo ficou estupefacto. Ele sabia que mais tarde ou mais cedo seria o Comandante da Galactica, especialmente agora que o seu pai estava incapacitado, mas a verdade é que não estava à espera que a passagem de comando fosse feita desta maneira tão súbita. A sua estupefacção passou depois a embaraço na altura em que o resto da tripulação da Ponte de Comando foi informada da mudança, irrompendo numa série de saudações e de vivas. É claro que isso não queria dizer que os tripulantes não gostassem de Tigh ou que já se tivessem esquecido de Adama. O que mostrava é que Apollo era acarinhado e apreciado por todos, sendo já uma verdadeira lenda, tal como o seu pai era. - Parabéns!!!. - murmurou Sheba ao seu ouvido. Apollo fitou-a, sem nada dizer, pois estava ainda em choque. Toda a sua dor, provocada pela morte de Boxey estava momentaneamente esquecida. - Mas.....isto não pode ser assim.....- disse ele por fim.- O Conselho dos Doze de certeza que quer ter voto na matéria...... - A decisão foi tomada por mim e não há nada a fazer....- respondeu Tigh. - Isto foi sempre o que o teu pai desejou e ambos sabemos isso. - O Coronel tem mais yahrens de experiência....o lugar devia ser seu!! - Não, Apollo....- disse o outro, abanando a cabeça.- Eu já passei da fase em que quis ser Comandante de uma Estrela-de-Batalha. A verdade é que eu não sou um estratego como o teu pai, como Cain ou mesmo como tu próprio.....e agora mais do que nunca, a Frota precisa de alguém que tenha essas capacidades. - E esse alguém és tu.....- disse Sheba, completando o raciocínio de Tigh.- Acredita que sim...... - E agora isso já não se discute!!!- disse Tigh.- Proponho que comecemos a planear a manobra da Frota..... E assim, ainda com um Apollo muito relutante em relação ao seu novo posto, os três oficiais começaram a fazer os planos que levariam a Frota para além da cintura de asteróides. A notícia de que Apollo era o novo Comandante rapidamente correu a Frota. Passados alguns centares eram poucas as pessoas que não sabiam da novidade. É claro que, tal como Apollo tinha previsto, o Conselho dos Doze insurgiu-se contra esta nomeação e fez questão que todos soubessem disso. O Coronel Tigh, após ter estado a ajudar Apollo a preparar a manobra, tinha-se dirigido para a reunião que tinha marcada com o Conselho. - Como é isto é possível!!!!- berrou Sire Trolius, o representante de Virgon, assim que a dita reunião começou.- Essa nomeação é uma afronta a este Conselho e a tudo o que ele representa!!!! - Tenho de concordar com o meu exaltado colega.- disse a representante de Gemoni, Siress Chloe.- A sua atitude, Coronel Tigh, foi bastante apressada e irreflectida. - Nós devíamos ter sido ouvidos!!!!- voltou a berrar Sire Trolius. - Tinham algum candidato em mente?- perguntou simplesmente Tigh, não parecendo estar muito preocupado com todo o ambiente que o rodeava. - A questão que se põe não é essa.- disse o representante de Scorpio. - Mesmo que não tivéssemos, devíamos ter sido ouvidos. Esta Frota não é uma Frota de Guerra. Os civis são uma maioria e nós, o Conselho, somos os seus representantes. Temos de zela pelo que é melhor para eles. O Coronel Tigh fez uma tal cara de desprezo ao ouvir aquela última frase, tantas vezes repetida por tanto outros políticos, que a representante de Leonid, a sua Colónia natal, teve de intervir. - Coronel, nós já nos conhecemos à vários yahrens e todos aqui já sabemos qual a sua opinião sobre nós, a classe política, mas peço-lhe que ao menos nos respeite!! - Siress Diana, peço imensas desculpas se os ofendi.....- começou Tigh a dizer.- A verdade é que esta discussão não tem a mínima utilidade e razão de ser. A Frota precisava de um Comandante e eu tratei disso!! A Lei Marcial ainda continua em vigor!! - Apesar de já não vermos um Cylon à quase 7 yahrens!!!- disse Sire Trolius.- Essa Lei de Marcial já não tem a mínima razão de existir!!! O Conselho dos Doze não pode continuar a ser ignorado, está na altura de assumirmos de novo as nossas responsabilidades!! Está declaração arrancou dos restantes membros do Conselho uma grande ovação. Ao ver que tinha o apoio dos seus pares, Sire Trolius decidiu que podia continuar com o ataque a Tigh. Pegando numa folha de papel que tinha à sua frente, empurrou-a sobre a mesa na direcção do Coronel. - E, como se não bastasse essa nomeação, ainda nos apresenta este plano ridículo para atravessar a cintura!!! Depois do acidente que ocorreu, acha que é sensato fazer com que toda a Frota se arrisque desta maneira, atravessando uma abertura cheia de asteróides carregados de Tyllium. O que é que há do outro lado? - Para começar gostava de salientar que esse plano foi feito pelo Comandante Apollo, o Comandante da Frota....- começou Tigh a dizer, tentando fazer um esforço para se conter.- E gostava de salientar também que do outro lado pode estar a Terra, o objectivo da nossa viagem!!! Fazendo um gesto de desprezo com a mão, Sire Trolius disse: - A mítica Terra!!! Eu sempre achei que isso era uma daquelas loucuras religiosas de Adama...... Tigh ficou estupefacto com as palavras do político. Rapidamente essa estupefacção foi substituída por um enorme sentimento de raiva. Agora que Adama estava fora de cena, começavam-se a ver as verdadeiras faces das pessoas. Vários membros do Conselho acenavam as suas cabeças em concordância com as palavras de Trolius. - Se não fosse pelo Comandante Adama, a maior parte de vocês estariam agora mortos!!!- berrou Tigh, pondo-se de pé.- Isto é, claro, se não se tivessem aliado aos Cylons como fez Baltar!!! Esta última comparação levantou gritos de indignação por parte de quase todos os membros do Conselho. Baltar, que havia morrido numa revolta na Nave-Prisão, era considerado como o maior traidor da Humanidade, o homem que tinha orquestrado as falsas negociações de paz com os Cylons, as negociações que tinham dado origem ao Holocausto das Doze Colónias. - Como é que se atreve a dizer isso?- berrou, por sua vez Trolius.- Eu devia mandá-lo prender de imediato!!!!! - Tente fazer isso!!!- retorquiu Tigh.- Tente fazer isso...... Com estas palavras, o Coronel reuniu as suas coisas e preparou-se para sair da sala de reuniões. Antes de sair, teve ainda tempo de ouvir Trolius dizer: - Isto não acaba aqui!!!! Disso pode ter a certeza, Coronel Tigh!!!! Isto não acaba aqui!!! Tigh nem sequer se dignou a responder, saindo rapidamente. " Tenho de ter uma conversa muito séria com Apollo"- pensou ele para si mesmo, enquanto se dirigia para a Ponte de Comando. Algo lhe dizia que as últimas palavras do membro do Conselho eram um indício de que ia haver problemas. - Continua -