Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (verg@esoterica.pt) ---------------------------------------------------------------- Capítulo 5 Apollo apercebeu-se de que, tal como acontecia com Tigh, não se conseguia sentar no Posto de Comando onde o seu pai costumava estar. A figura de Adama parecia "pairar" sobre aquele local e Apollo, agora mais do que nunca, sentia isso. " Não percebo como é que ele conseguia resolver tanto problemas sem enlouquecer!", pensou Apollo para si mesmo, consultando o seu computador pessoal enquanto se encostava a balaustrada sobre a Ponte. Embora houvesse uma série de assunto que nem sequer chegavam às suas mãos pois Tigh tratava deles, a verdade é que os que chegavam eram em número avassalador. Parecia que a maior parte das naves da Frota necessitavam da Galactica e, mais especificamente, do seu Comandante, para sobreviverem. Ele notara também outra coisa. Certos Capitães da Frota não escondiam o seu desprezo por ele. Aparentemente em certas naves havia uma enorme antipatia para com ele. Apollo tinha quase a certeza de que tal era resultado da manipulação feita por membros do Conselho dos Doze. Ao ouvir o relato do Coronel Tigh após a reunião com o dito Conselho, Apollo ficara com a impressão de que iriam surgir problemas em breve. " Quem me dera ter a capacidade do meu pai para controlar o Conselho....", pensou ele, pousando o computador na secretária que era do seu pai e, vendo primeiro se ninguém o observava, espreguiçando-se. O cansaço estava a apoderar-se dele. Após ter sido nomeado Comandante, ainda não tinha saído da Ponte, ao contrário de Sheba que tinha ido repousar. Com um suspiro de resignação, Apollo voltou a pegar no computador pessoal, continuando a ler todas as ordens de serviço, pedidos e outras coisas do género que tinha que autorizar. Ele começava-se a aperceber de como a vida de um Guerreiro era simples se comparada com aquela. As suas reflexões foram subitamente interrompidas pelo aparecimento de Starbuck e de Boomer, que tinham acabado de chegar de patrulha e não conseguiam esconder o cansaço. Apercebendo-se disso, Apollo disse: - Peço desculpas por vos ter pedido para virem apresentar já o vosso relatório, mas a verdade é que ele é essencial para começarmos a movimentar a Frota. - Não há problema, Apollo!- respondeu de imediato Starbuck, gaguejando logo de seguida.- ......quer dizer.....Comandante!!! Boomer escondeu com a mão o sorriso que tinha estampado na cara, perante o embaraço do seu amigo. Controlando o riso, disse para Apollo. - Parece que temos aqui um pequeno problema.... - Sim!!!- interrompeu de imediato Starbuck, gesticulando nervosamente.- Como é que nós te tratamos? Por Apollo ou por Comandante. O próprio Apollo tinha sido apanhado de surpresa por toda aquela situação. De facto, como é que os seus amigos o iriam tratar? Tigh costumava tratar o seu pai ou por Adama ou por Comandante, embora utilizasse mais a segunda forma quando estavam presentes outras pessoas. Talvez essa fosse a melhor solução. - Entre nós acho que nos podemos continuar a tratar pelos nossos nomes, mas à frente do resto da tripulação......- disse ele aos dois Guerreiros. - É a melhor solução!- afirmou Boomer, acenando com a cabeça. - Bem, agora que já resolvemos este pequeno.....problema, vamos tratar de outros assuntos!!- disse Starbuck com convicção.- Já viste os dados dos nossos sensores, Apollo? - Já.- afirmou o interpelado. Assim que assumira o dito Comando, havia mandado parte da Esquadrilha Azul investigar a passagem que existia no campo de asteróides. Com um pequeno toque no ecrã do seu computador pessoal, Apollo fez surgir de novo a informação recolhida pela patrulha. - Aparentemente não há grande obstáculos para a Frota. - Não há nada que os canhões da Galactica não possam destruir. - afirmou Boomer. - E em relação ao conteúdo mineral dos ditos obstáculos? - perguntou Apollo.- Seria muito grave se eles tivessem Tyllium pois, como devem saber, os tiros podiam provocar uma reacção em cadeia. - Seria um novo Carillon, mas connosco no meio.....- acrescentou Starbuck, suprimindo um arrepio ao lembrar-se desse planeta e do que tinha acontecido lá. - Exactamente!- disse Apollo - Quanto a isso, não há problemas.- afirmou Boomer.- Os níveis de Tyllium ao longo da abertura não são muito elevados. Não há nenhum perigo de explosão. Apollo só estava à espera daquela confirmação para agir. Chamou Omega até ao Posto de Comando e deu-lhe ordens para que Frota começasse a movimentar-se. - Muito bem, Comandante.- respondeu o oficial de voo, transmitindo de seguida aquilo que lhe tinha sido ordenado. Rapidamente os Capitães das outras naves foram informados e a Frota começou a tomar posições em frente da abertura. - O plano que eu, Sheba e o Coronel Tigh fizemos é bastante simples.- começou ele a dizer aos seus dois amigos.- A Esquadrilha Vermelha, que já está em patrulha, vai entrar primeiro, para fazer um reconhecimento da passagem.... - Vão até ao outro lado?- interrompeu Boomer, curioso. A Esquadrilha Azul apenas tinha investigado a passagem com os seus sensores, não tendo entrado. Os dados mostravam que do outro lado da barreira de asteróides o espaço estava aparentemente livre de objectos. - Sim. Assim que saírem da passagem, vão assumir posições de combate, porque a seguir vão passar as naves de abastecimentos, acompanhadas pela Esquadrilha Verde...... - Os cadetes??- perguntou Starbuck, perplexo.- Vais mandar aqueles tipos..... Levantando a sua mão direita, Apollo interrompeu o seu amigo, dizendo de seguida: - Eu sei que a maior parte dos Guerreiros acha que eles ainda não estão preparados, mas a verdade é que os simuladores dizem o contrário assim como o Capitão Det. - Mesmo assim, acho que não é seguro mandá-los a guardar as naves mais importantes.- insistiu Starbuck.- Eles deviam estar de reserva. - Desculpa, mas não concordo. Mais tarde ou mais cedo eles tinham que entrar em acção e acho que este é o momento certo..... - Tu é que sabes....- disse o outro, encolhendo os ombros em sinal de resignação. - Quem é que vai assegurar a protecção do resto da Frota?- perguntou Boomer. - A Esquadrilha Lança de Prata vai assegurar a protecção da nossa retaguarda e a Galactica vai assegurar a defesa das naves de passageiros. Tenho muita pena, mas vou ter de vos pedir para que fiquem de prevenção, no caso de acontecer qualquer coisa. Vocês vão ter de descansar na sala dos pilotos..... - Não é nada que já não tenhamos feito antes.- disse Starbuck, enquanto Boomer acenava a sua cabeça em concordância.- Embora eu preferisse a minha cama em vez daqueles beliches metálicos da sala... Este último comentário arrancou gargalhadas dos outros dois Guerreiros que já estavam habituados a eles. Starbuck era o eterno resmungão, mas o eterno resmungão simpático que costuma dizer aquilo que passava pela cabeça da maior parte dos seus companheiros. Acabando de rir, Apollo disse: - Há ainda outro assunto que eu gostava de discutir com vocês. Eu tão cedo não vou poder comandar a Esquadrilha, pois vou estar ocupado com o Comando da Frota. Isso faz com que haja um vazio no que diz respeito ao comando da Esquadrilha. Foi também por isso que eu quis falar convosco. - Nem penses!!!- disse logo Starbuck.- Já sei para onde te estás a encaminhar!! Apollo começou a rir-se de novo, pois já estava à espera daquela atitude. - Também pensas assim, Boomer?- perguntou ele. - Sim, Apollo.- respondeu o Tenente com convicção. - Então tenho muita pena, mas vou ter que utilizar os meus privilégios como Comandante. Já quando o meu pai promoveu a Sheba e lhe deu o comando da Esquadrilha Vermelha, vocês os dois recusaram a promoção a Capitão que eles vós queria dar..... Mas desta vez não vão escapar! Dizendo isto e perante os protestos dos seus dois amigos, Apollo dirigiu-se para o computador que estava presente na secretária do Posto do Comando. Digitando o código de Comandante, escreveu rapidamente o que queria, transmitindo de seguida essa informação para os restantes computadores da Galactica. - Pronto. Já está.- disse ele, virando-se para os dois Guerreiros.- Agora são ambos Capitães. Starbuck, tu vais assumir o comando da Esquadrilha Azul, enquanto que tu, Boomer, vais assumir um lugar aqui na Ponte. - Como????- disseram os dois quase em uníssono, recomeçando com os protestos. - O que está feito, está feito!!- disse Apollo, silenciando os seus protesto.- Eu hoje pensei bastante antes de tomar esta decisão. Para ser sincero, não sabia quem é que devia comandar a Esquadrilha... - Mas eu não quero deixar de voar!!!- disse subitamente Boomer. - Apollo, não me podes pôr na Ponte.... - Tu não vais deixar de voar. Isto é apenas temporário, Boomer. A verdade é que eu preciso da tua ajuda aqui. Sem a Athena, o Coronel Tigh está um bocado sobrecarregado e precisamos de alguém eficiente e de cabeça fria. Além do mais, preciso dos teus conhecimentos em electrónica. - Porquê? - Como sabes a Colossus ficou muito danificada no acidente... - disse Apollo, parando por alguns instantes, afastando a dor sentia ao falar daquele assunto.- .....no entanto, a Ponte de Comando não foi muito afectada e os seus computadores estão practicamente intactos. Desde do acidente que o Tenente Kommas e o Doutor Wilker estão a tentar perceber como é que foi possível o computador central falhar daquela maneira....Eu gostava que os ajudasses nesse trabalho. Saber como o acidente aconteceu é importante, não só para mim, como também para o moral da Frota. - Muito bem....podes contar comigo!- respondeu Boomer com convicção. - Mas quando ele voltar ao serviço activo, quem é que vai comandar a Esquadrilha? Ele ou eu?- perguntou Starbuck, que ainda se estava a refazer do choque da promoção. - És tu. O Boomer vai assumir o comando da Esquadrilha Verde. - Mas então, não achavas que o Capitão Det estava a fazer um bom trabalho?- disse novamente Starbuck. - E está, é por isso que o vou pôr à frente da Academia de Guerreiros. Os cadetes que de lá saírem terão de prestar pelo menos um yahren de serviço na Esquadrilha Verde antes de serem transferidos para as outros Esquadrilhas. - Parece-me um bom plano.- disse Boomer.- O que me vai custar, vai ser deixar de ouvir o Starbuck a ressonar nas patrulhas de longo alcance..... - Eu, ressonar????- exclamou Starbuck, fingindo indignação. - Eu não ressono!!! O meu aparelho de comunicação é que está sempre com problemas!! Os dois outros Guerreiros começaram a rir, tendo mesmo de tapar as bocas para suster as gargalhadas. - Essa foi boa!!- disse Apollo, controlando-se e dizendo, de seguida, num tom mais sério: - Boomer, se quiseres podes ir descansar um pouco para os teus aposentos, antes de te apresentares aqui na Ponte. Quanto a ti, Starbuck, vais ter que ir para a sala dos pilotos... - Está bem.- disse o recém-promovido Capitão, despedindo-se depois dos seus amigos e saindo da Ponte. Boomer aproveitou e fez o mesmo, prometendo que se apresentaria ao serviço dentro de um centar e meio. Depois de ver os dois Guerreiros sair, Apollo voltou ao trabalho no seu computador pessoal, acompanhando de vez em quando, no monitor central da Ponte, a movimentação da Frota. Athena estava sentada na sua cama no Centro Médico. Pela primeira vez desde do acidente conseguira-o fazer sem ajuda. Aos poucos começava a sentir-se melhor, embora todo o seu lado esquerdo estivesse ainda coberto de ligaduras e lhe doesse bastante. Já se tinham passado dois sentons desde do acidente, mas a verdade é que só agora é que se começava a lembrar do que acontecera. Ela lembrava-se da sua tentativa desesperada para afastar vaivém do depósito de combustível que avançava sobre eles. No entanto ela sabia que o que os tinha salvo, tinha sido o facto de que o depósito ter apenas uma quantidade mínima de Tyllium. Se ele estivesse cheio o destino do vaivém Alpha teria sido o mesmo do vaivém escolar. " Ainda não acredito que o Boxey morreu....."- pensou ela, sentindo uma imensa mágoa ao recordar-se da criança que tinham amado como se fosse da própria família, a criança que sempre tinha visto como sendo o seu sobrinho, " Imagino o que o Apollo está a sofrer..." Ela própria sofria com a situação, de uma maneira ainda mais profunda. Embora uma voz na sua cabeça lhe dissesse que estava a ser estúpida, ela sentia que tinha falhado em algum ponto. Se ela estivesse mais atenta ao radar, talvez tivesse reparado no outro vaivém. Talvez todas aquelas crianças não tivessem morrido e o seu pai não estivesse agora em animação suspensa. Talvez........ Não se conseguindo conter mais, começou a chorar. As lágrimas corriam livremente pelo seu rosto. Na sua vida adulta, ela só tinha chorado duas vezes: na altura em que Zac morrera e quando finalmente percebera que havia perdido definitivamente Starbuck para Cassiopeia. E chorava agora porque só conseguia fazer isso. Era a única maneira que tinha de expressar o seu desgosto, o seu sofrimento. Enterrando a sua face nas mãos, continuou a chorar enquanto o seu corpo era sacudido por convulsões. Subitamente, ouviu o barulho da porta do seu quarto a abrir-se. Levantando a cabeça e tentando parar de chorar, fitou quem acabara de entrar. Junto da porta encontrava-se um homem novo, alto e de cabelo louro comprido. Apresentava-se vestido com uma longa túnica azul clara e do seu pescoço pendia uma medalha que Athena identificou como sendo uma das medalhas dadas aos membros do Conselho dos Doze. No entanto, o que mais chamava a atenção nele eram os seus olhos verdes claros. Athena tinha quase a certeza de que o conhecia de algum lado, pois lembrava-se dos olhos. - Peço imensas desculpas se vim num mau momento, mas o assunto que me traz aqui é muito importante.- disse de repente o estranho, fitando Athena. Athena apercebeu-se então de que ainda tinha lágrimas a escorrer-lhe pela face e rapidamente limpou-as com as mãos. Tentando ganhar tempo para se recompor daquele seu ataque de fraqueza, disse: - Não há problema, mas gostava de saber quem é o senhor. - Claro.... que indelicadeza a minha não me ter apresentado.- disse o outro, fazendo uma ligeira vénia na sua direcção.- Sou Sire Digor! Esse nome despertou a lembrança em Athena. À cerca de dois sectares atrás ela tinha elaborado para o Coronel Tigh um dossier com informações sobre a seita dos Filhos do Espaço. Digor era um dos seus líderes e ela tinha feito uma breve biografia dele assim como uma análise do seu carácter. - Estou a ver que me conhece.....- disse ele, sorrindo e olhando para Athena. Esta última censurou-se a si mesma por ter deixado transparecer que o conhecia. Pelos vistos esse reconhecimento devia estar estampado na sua cara, para ele se aperceber tão facilmente. - Sim, tenho que admitir que sim....- disse Athena, chegando à conclusão que o melhor era ser honesta.- Só não sabia que era um Sire. - Ahhh!- respondeu o outro, levando uma das mãos à medalha.- Isto não é nada....Fui eleito o novo representante de Aquaria. - Como assim? - A Siress Tulia morreu no vaivém escolar. Ela estava na Nave-Agrária e aproveitou a boleia para a Galactica. - Mas você não pertencia ao corpo político, como é que conseguiu essa nomeação e ainda para mais tão novo? Suspirando, com ar de quem já tinha ouvido essa questão, Sire Digor disse simplesmente: -É tudo uma questão de ter os apoios certos..... Athena raciocinou rapidamente sobre esta nova informação. Isto queria dizer, quase de certeza, que a seita dos Filhos do Espaço tinha gente no Conselho dos Doze, pois só assim é que se compreendia esta nomeação. " Quem serão?", pensou ela, "Assim que sair daqui tenho que falar com o Coronel Tigh sobre isto. Uma investigação ao Conselho seria bastante interessante......" - Mas, o que é que o trouxe aqui, Sire Digor? O que tem de tão importante para me dizer? - Indo directamente ao assunto....- começou ele a dizer, consultando o seu cronómetro pessoal antes de continuar.-.......dentro de aproximadamente 10 centons, Sire Trolius vai tentar assumir o controle da Galactica e da Frota! Ela não sabia o que é que havia de dizer perante estas notícias. Perante isso, Digor continuou: - Trolius reuniu aqui na Galactica cerca de 50 membros da Segurança do Conselho. Todos eles lhe são leais e quem os comanda é o Capitão Griffin. Griffin era extremamente conhecido por toda a Frota. Tudo começara devido a uma revolta na Nave-Prisão. À cerca de cinco yahrens atrás Baltar , farto de esperar que a Frota encontrasse uma planeta habitável onde o deixar, convencera a maior parte dos outros prisioneiros a revoltarem-se e a tomarem o controle da nave. Eles tinham conseguido esse objectivo mas por pouco tempo pois uma equipa de Seguranças do Conselho, liderada pelo então Tenente Griffin, havia conseguido infiltrar-se na Nave-Prisão. Nos confrontos que se seguiram, tinham morrido cerca de vinte e cinco prisioneiros entre os quais Baltar. Após a revolta ter sido dominada, os sobreviventes do ataque tinham acusado Griffin de ter ordenado o massacre de uma série de revoltosos que se haviam rendido. Nunca se tinha conseguido provar nada mas havia um certo sentimento na Frota de que essas alegações eram verdade. - Porque que é que me está a dizer isto a mim e não ao meu irmão?- perguntou de repente Athena.- Ele é que devia ser informado!! - Eu sei, mas a verdade é que Trolius pôs todos os membros do Conselho sob vigilância. Eu consegui escapar ao meu seguidor, mas sei que todos os caminhos que vão dar à Ponte estão vigiados assim como os sistemas de comunicação. A única coisa que me ocorreu foi vir até aqui. - Em que é que posso ajudar? - Antes de mais, tem de compreender que nem todos os membros do Conselho estão de acordo com esta revolta. Infelizmente somos uma minoria e portanto não podemos fazer nada. No entanto, formulamos um plano que talvez possa resultar e onde a senhora entra. - Sou toda ouvidos...-disse Athena, intrigada. - Como deve saber, actualmente o Conselho está sem Presidente visto que o seu pai está na situação em que está. Com toda esta situação, ainda não houve tempo para eleger o novo representante de Caprica que é aquele que normalmente assume a Presidência..... - Se não há Presidente e se não há doze membros, o Conselho não pode funcionar.- concluiu Athena, endireitando-se na cama.- Tudo o que Trolius fizer será ilegal e sem nenhum valor. - Exactamente!- respondeu Digor, acenando com a cabeça.- É claro que isso não faz muita diferença porque Trolius tem as tropas do seu lado. No entanto se nós elegermos um novo Presidente, podemos pôr do nosso lado pelo menos alguns dos outros membros do Conselho e talvez instalar a dúvida em algumas das tropas. - E em quem é que pensaram para Presidente? Tem de ser uma pessoa que seja respeitada por todos..... Soltando uma pequena gargalhada, Digor disse: - Quem melhor para esse lugar do que a filha do Comandante Adama? - Eu? - Sim, achamos que é a melhor candidata ao lugar. Foi por isso que vim aqui falar consigo.....Com a sua ajuda podemos acabar com toda esta revolta! Athena pensou seriamente sobre a proposta que lhe era feita. O que Digor dizia era bastante lógico e tinha grandes probabilidades de ter sucesso. Ela sabia que a maior parte dos membros do Conselho dos Doze respeitava o seu pai, apesar de todas as discussões e desentendimentos que haviam surgido ao longo dos yahrens. Sabia também que era bem vista por esse membros, o próprio Adama já lhe havia dito isso, pois sempre demonstrara um certo respeito pelo Conselho dos Doze, ou melhor, não o desprezava abertamente como Tigh, Apollo e muitos outros. Mas, mesmo que eles seguissem para a frente com aquele plano, ainda havia outras dificuldades. Foi exactamente essa dúvida que ela pôs a Digor. - O vosso plano parece bom, mas como é que vamos impedir que Trolius se apodere da Galactica? É que se ele o fizer, ganha automaticamente o comando da Frota e depois disso as acções passam a ser fúteis. - Nós também pensamos nisso...- começou o representante de Aquaria a dizer.- Antes de vir até aqui ao quarto, informei a Médica-Chefe Cassiopeia da situação e pedi-lhe para que ela informasse o seu marido e o resto da Esquadrilha Azul. - Só estão cá eles? Onde estão as outras Esquadrilhas? - Estão a acompanhar a deslocação da Frota. Acho que foi exactamente pelo facto de estarem cá poucos Guerreiros que Trolius se decidiu a actuar. - Espero que eles sejam suficientes para aguentar os Seguranças.- disse ela, enquanto fazia uma prece silenciosa para que nada de grave acontecesse aos Guerreiros, especialmente a Starbuck. Ficou admirada consigo mesmo por causa desse últimos pensamento, pois pensava que já tinha ultrapassado essa fase. Afastando tudo isso da cabeça, levantou-se da cama e dirigiu-se para o pequeno armário existente no quarto. Tal como esperava alguém tinha ido aos seus aposentos buscar uma farda nova. Voltando-se para Digor disse: - Se não se importar de sair do quarto, eu mudo de roupa e podemos ir já tratar dos nossos assuntos. Sire Digor ficou extremamente vermelho, murmurando: - Claro, claro.....peço imensas desculpas.....- e com estas palavras saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Athena sorriu perante a situação, especialmente por causa do embaraço do político, que não passava ainda de um rapaz de 19 yahrens. O seu sorriso foi rapidamente substituído por um trejeito de dor no momento em que se começou a despir. O lado esquerdo do corpo doía-lhe terrivelmente e ela tinha a certeza que por debaixo das ligaduras estava cheia de nódoas negras. Vestiu a sua farda azul cuidadosamente mas mesmo assim ainda teve de parar uma ou duas vezes por causa das dores. "Vamos lá!", disse ela para si mesma, após estar pronta. Segurando-se por momentos à parede avançou até junto da porta, abrindo-a de seguida. Digor avançou rapidamente na sua direcção. - Está tudo bem??- perguntou ele ao ver a cara de Athena. Esta estava totalmente pálida e era nítido que ela estava com dores. Fitando-o nos olhos e fazendo de conta que nada se passava Athena respondeu: - Sim. Podemos ir ter com os seus colegas! Digor fingiu aceitar essa afirmação, não insistindo mais - Sendo assim, vamos andando. Eles estão aqui perto, numa sala de reunião. Athena acenou afirmativamente com a cabeça, não se sentindo com forças para falar. As dores estava a aumentar aos poucos, mas ela decidiu ignorá-las. Os dois puseram-se a caminho até que a certa altura ele disse: - Apoie-se a mim!! Sem dizer nada, Athena assim fez, grata pela ajuda. Digor adaptou-se rapidamente a suportar o peso dela e rapidamente puseram-se a caminho da reunião. O tempo estava a contar. Starbuck não sabia o que fazer. Cassiopeia tinha aparecido na sala dos pilotos, interrompendo um jogo de Pirâmide e acordando muito dos Guerreiros da Esquadrilha Azul. O aviso que ela trazia era no mínimo preocupante, para não dizer mesmo ameaçador. Assim que o tinha ouvido, o Capitão tinha mandado dois Guerreiros investigar se era possível chegar à Ponte. Passados alguns centons, eles tinham voltado com notícias. Os principais corredores que iam ter à ponte estavam já bloqueados por Seguranças, com equipamento completo de combate. Os Guerreiros tinham metido conversa com os ditos Seguranças, perguntando qual a razão para eles estarem ali e eles haviam respondido que estavam a participar num exercício, ordenado pelo Comandante Apollo. Não querendo insistir mais e levantar suspeita, os Guerreiros tinham-se despedido e regressado à sala dos pilotos. Antes de virar a esquina, um deles tinha olhado para trás, a tempo de ver um dos Seguranças a falar para um aparelho de comunicação. - Provavelmente já estão com suspeitas!!- disse Starbuck ao ouvir essa parte do relato dos seus "espiões". Os Guerreiros que estavam reunidos à sua volta, acenaram com a cabeça em concordância. - E agora, o que fazemos?- perguntou um deles. - Não faço a mínima ideia!- respondeu Starbuck com toda a sinceridade, enquanto acendia um dos seus habituais fumarellos, perante o olhar reprovador de Cassiopeia.- O mais lógico seria mandar uma mensagem para a Ponte, mas aparentemente as comunicações dentro da Galactica estão sob vigilância. - Exactamente.- interveio Cassiopeia.- Segundo o que me disse Sire Digor, os revoltosos tomaram têm-nas sob escuta. Qualquer aviso para a Ponte apenas iria desencadear o ataque mais cedo..... - Tem de haver maneira de os avisar!!!- disse o Sargento Greenbean.- Se não os avisarmos eles não têm a mínima hipótese de resistir a um ataque!! - E se os revoltosos tomam a Ponte, dominam a Galactica.- acrescentou outro Guerreiro. - Alguém tem uma ideia de como o fazer?- perguntou o Capitão, entre baforadas do seu fumarello. De imediato surgiram inúmeras vozes, propondo os mais variados planos, passando por aqueles que pretendiam que alguém se enfiasse nas condutas de ventilação e rastejasse até à Ponte ou por aqueles outros que apenas sugeriam um ataque frontal aos Seguranças. - Assim, não vamos lá!!- berrou de repente Cassiopeia, pondo alguma ordem na discussão que se estava a dar. Depois de consultar o seu cronómetro prosseguiu:- Dentro de aproximadamente doze centons o ataque vai começar, portanto o melhor é arranjarmos uma ideia depressa! "Quem me dera que o Boomer estivesse aqui", pensou Starbuck para si mesmo, enquanto ouvia a sua mulher," De certeza que ele já tinha pensado em algo!! - Se ao menos fossemos mais!!!!- disse o Sargento Jolly , desalentado. - Se houvesse outras Esquadrilhas em prevenção, de certeza que chegávamos à Ponte!! Ao ouvir isso, Starbuck teve uma ideia. A solução para os problemas deles era óbvia e no entanto nenhum dos Guerreiros tinha pensado nela. - Atenção, ouçam-me!!!!- disse ele, apagando o seu fumarello num cinzeiro pousado na mesa onde estava e batendo palmas para chamar a atenção. Aos poucos os Guerreiros foram-se calando e então ele prosseguiu: - Já que o sistema interno de comunicações da nave está sob escuta, fazemos o aviso de outra forma.... - Como?- perguntou de imediato alguém. - Através do comunicador de um dos Vipers.- disse Starbuck.- Só temos que ir até um dos Vipers que está na Baia de Lançamento Alpha e avisar o Núcleo de Comando! As comunicações dos Vipers não podem ser interceptadas. É simples! Os Guerreiros concordaram com a ideia e de imediato surgiram inúmeros voluntários para essa missão. Starbuck escolheu o Sargento Greenbean e outros três Guerreiros para irem até à Baía Alpha. Eles deviam tentar ser o mais discretos possíveis e não entrar em confronto com os Seguranças. Se tal acontecesse, deveriam tentar isolar a Baia Alpha do resto da Galactica e resistir o maior tempo possível, com a ajuda dos técnicos de voo. Depois dos quatro Guerreiros partirem, Starbuck consultou o seu cronómetro de pulso. - Daqui a cinco centons o ataque vai começar. Mesmo que o grupo do Greenbean consiga fazer passar o aviso a tempo, a Ponte vai precisar da nossa ajuda. Nós temos que ir para lá!! Todos os presentes na sala compreendiam o significado das palavras do Capitão. Aquela batalha era muito diferente daquelas a que eles se tinham habituado a travar, mas talvez fosse das mais importantes. As faces deles reflectiam a sua determinação. A Ponte da Galactica não podia cair nas mãos do inimigo. - Vamo-nos organizar em quatro grupos de cinco.- prosseguiu Starbuck, após ver a reacção dos pilotos.- Vejam todos se tem carga suficiente nas vossas pistolas antes de sairmos!! Após dizer isto o Capitão fez isso mesmo, enquanto recitava uma pequena prece que tinha aprendido em criança. "Só espero que isto corra bem........", pensou ele antes de se virar para a sua mulher. - Tu ficas aqui, está bem?- perguntou. - Está.....- murmurou Cassiopeia, tentando esconder as lágrimas que lhe surgiam nos seus olhos. Vendo isso, Starbuck beijou-a de leve nos lábio, dizendo depois: - Não te preocupes!! Lembra-te da minha sorte....vais ver que tudo vai correr bem!! A sua mulher esboçou um sorriso, enquanto limpava as lágrimas dos olhos, nada dizendo. Starbuck beijou-a mais uma vez e de seguida fez um sinal para o resto dos pilotos. - Muito bem, vamos embora!!! Com as armas nas mãos, os Guerreiros saíram da sala em grupos de cinco, tal como o Capitão tinha ordenado. Assim que a porta se fechou após a saída do último piloto, Cassiopeia deixou-se cair num dos beliches existentes na sala, preparando-se para esperar. - Só espero que tenhas razão, Starbuck.....- disse ela para a sala vazia.- Só espero que tenhas razão........ - Comandante, a última nave de abastecimento acaba de passar pela abertura. As Esquadrilhas Vermelha e Verde estão agora em posição.- disse o Oficial de Voo Omega. - Muito bem, mande avançar as naves de passageiros!!- disse Apollo, levantando os olhos do relatório que estava a ler e olhando para o seu interlocutor.- Assim que a última entrar, mande a Esquadrilha Lança de Prata fazer uma pesquisa ao espaço atrás de nós. - Sim, senhor!!- respondeu o oficial, fazendo continência e dirigindo-se para o seu posto. Apollo voltou de novo a sua atenção para o relatório. Este último era a compilação dos dados recolhidos pelos sensores da Esquadrilha Vermelha em relação aquilo que existia para além da cintura de asteróides. O único pormenor que parecia importante era a existência de alguns corpos celestes no limite dos sensores. Não havia ainda dados suficientes para os identificar, mas talvez algum deles fosse um planeta. - Assim que passarmos para o outro lado, vou lançar uma patrulha de longo alcance em direcção aqueles corpos!- disse Apollo para o Coronel Tigh, que tinha regressado dos seus aposentos à cerca de trinta centons e que se encontrava junto da balaustrada do Posto de Comando, olhando para a Ponte debaixo de si. Virando-se para trás, o Coronel disse: - Achas que a Terra é ali? - Não....Se o sistema da Terra fosse aquele, de certeza que já teríamos captado alguma coisa...... - A não ser que eles ainda estivessem numa fase muito primitiva.....- argumentou Tigh, reflectindo a opinião de uma pequena minoria de Coloniais. - Se for assim, temos de continuar a viagem.....- disse Apollo, enquanto rezava para que tal não acontecesse. O Coronel riu-se e disse: - Aposto que os Filhos das Estrelas iam gostar de ouvir isso, especialmente vindo da boca do Comandante. - É uma opção se o planeta Terra não for o que esperamos....... Apollo foi interrompido por um dos monitores da secretária que se ligou de repente. - Comandante, acho que é melhor o senhor ver isto!- disse a Oficial Rigel, - Estamos a receber esta mensagem do hangar existente na Baía Alpha!! - Muito bem, passe-a para aqui, por favor. - Sim, senhor!- respondeu Rigel, desligando de seguida. Apollo levantou-se, dirigindo-se para junto do Coronel Tigh. Passados alguns microns, o mapa táctico da movimentação da Frota foi substituído pela imagem do rosto do Sargento Greenbean. - Que se passa, Greenbean?- perguntou Apollo, na direcção do monitor. Era evidente que o Sargento estava na cabine de um Viper equipado com o novo sistema de comunicação visual e que algo o preocupava. - Comandante, não tenho muito tempo para explicar, mas isole a Ponte de imediato!!! Repito, isole a Ponte pois está prestes a ser atacado!!!!- disse Greenbean, num tom de voz nervoso. - Como??- disse Tigh, incrédulo.- Isto é alguma brincadeira? - Sim, que história é essa???- insistiu Apollo, não acreditando ainda no que tinha ouvido. - A Ponte deve estar prestes a ser atacada!!!- berrou o Sargento, perdendo toda a compostura.- Nós já fomos atacados a caminho daqui e agora estamos a barricar o hangar!! - Mas por quem??- perguntou o Comandante. - Por Seguranças do Conselho!!! Perante estas palavras e com um sentimento cada vez maior de receio, Apollo ordenou a Omega que projectasse noutro monitor as imagens das cámeras existentes ao longo do corredor de acesso à Ponte. A imagem do monitor dividiu-se quase de imediato em dois, aparecendo no lado direito um mosaico de imagens. Nesse mosaico via-se perfeitamente um grande grupo de soldados, vestidos de negro e com o equipamento completo de combate, a dirigirem-se para a Ponte. - Não acredito......- murmurou Tigh. Sem precisar de olhar outra vez para as imagens, o Comandante desceu do Posto de Comando e dirigiu-se para junto da porta de entrada que se encontrava fechada. Abrindo um painel na parede, Apollo baixou a alavanca ali existente e de imediato uma pesada porta começou a descer do tecto. Com um estrondoso ruído metálico, a Ponte ficou separada do corredor por duas portas, sendo a segunda feita da mesma blindagem que protegia o casco da Galactica. - Isto deve aguentá-los!!!- disse Apollo para o Coronel e para a espantada tripulação da Ponte.- Agora vamos mas é preparar a nossa defesa!! Subindo para o Posto de Comando, Apollo dirigiu-se de novo para Greenbean: - Vocês conseguem aguentar a Baia? - Para já acho que sim....- respondeu o Sargento.- Alguns dos técnicos tiveram umas boas ideias para nos defendermos.... - Muito bem.....façam por isso!! Nós precisamos dessa Baia para receber reforços!! - Sim, senhor!!! - E, Greenbean.......bom trabalho!!!- disse Apollo, antes de desligar a comunicação. - Quais reforços??- perguntou então Tigh.- As Esquadrilhas Verde e Vermelha estão do outro lado e a Lança está a vigiar a nossa retaguarda..... - A Nave da Academia ainda está connosco!!! Tigh percebeu de imediato em que é que Apollo estava a pensar. Na dita Academia encontravam-se cerca de 30 Cadetes e também uma grande quantidade de armas pessoais. E, para além disso, havia também os próprios instrutores entre os quais se encontrava o Coronel Croft, perito em missões de alto risco, como tinha demonstrado em Arcta. - Eles vão-se arrepender do que fizeram......- disse simplesmente Apollo, antes de dar ordens para que entrassem em contacto com a Academia.- Eles vão-se arrepender..... - Continua -