Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ---------------------------------------------------------------- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (verg@esoterica.pt) ---------------------------------------------------------------- Capítulo 8 "Você tem a mínima ideia do que fez, Comandante Ossan???", berrou mentalmente Trent para a imagem do Capitão da Dakar, " Para além de ter desobedecido a uma ordem directa minha, é claro!!" " Eu sei que desobedeci, mas a verdade é que achei que a minha nave estava em perigo.......", respondeu Ossan, não parecendo minimamente embaraçado ou preocupado com a situação. " Ao fim de trezentos anos de estudos sobre como efectuar um contacto com uma raça extraterrestre viva, o que é que você faz??? Desrespeita os Protocolos de Primeiro Contacto e dispara sobre os extraterrestres!!!!! "Eu fiz o que achei correcto......" "Ossan, eu só não mando prender porque neste momento preciso de todas as naves, mas fique a saber que assim que voltarmos a Gibraltar vou fazer com que você seja levado a um Tribunal Militar, entendido?" O Capitão da nave de reconhecimento limitou-se a abanar afirmativamente com a cabeça e Trent, apesar de saber que a imagem que tinha perante os seus olhos não passava de algo gerado pela I.A. da Dakar, podia jurar que o seu subordinado apresentava um pequeno sorriso de desprezo, como que a dizer que a ameaça de Trent não passava disso mesmo, de uma ameaça. "Dispensado!", disse ele, abafando um súbito acesso de raiva. Sem mais palavras, Ossan quebrou o contacto com o Capitão da Washington e este último viu-se finalmente a sós com o outro Comandante que, até então, se tinha limitado a ouvir a conversa. "Muito bem, Comandante Lopes.", começou William a dizer, enquanto que acedia aos dados que as naves de reconhecimento tinham recolhido, " Qual é a sua opinião em relação aquilo que viu?" Lopes hesitou um pouco antes de dizer algo e quando o fez foi com muita cautela. "Para começar, acho que se pode dizer com toda a certeza que aqueles não são os piratas que procuramos..." " A não ser que eles tenham acesso a naves de fabrico extraterrestre...", disse Trent, consultando os perfis e os desempenhos das naves que tinham sido observadas pela Dakar e Lisbon. " Isso não me parece possível....Mesmo que eles tivessem tido acesso a tecnologia extraterrestre o mais provável é que não a conseguissem utilizar." "Nisso tem razão....os nosso cientistas passaram quarenta anos a investigar a nave encontrada em Plutão e ainda não chegaram a lado nenhum........" "Mas ao menos já a conseguiram relacionar com os vestígios encontrados na Lua e em Marte...A origem parece ser a mesma........" Estas palavras fizeram com que Trent se lembrasse do seu último ano de curso, altura em que tinha estagiado 6 meses na Base de Marte e 6 meses em Gagarinegrado, na Lua. Como oficial da Marinha da Força de Defesa Terrestre tinha tido acesso às chamadas "Áreas Vermelhas" desses dois planetas, os locais onde existiam vestígios de uma civilização extraterrestre já desaparecida. Durante o século XX, inúmeras pessoas tinham afirmado que esses vestígios existiam, baseando-se em análises feitas a imagens da agora extinta NASA ou em convicções pessoais a roçar o fanatismo. Com a colonização desses dois planetas no século XXI, todas as dúvidas foram desfeitas, para gáudio dos que ainda acreditavam que ditos vestígios existiam. Os vestígios eram agora guardados de perto pelo Exército e pelo Governo Central Terrestres enquanto eram estudadas a fundo. Essas medidas tinham sido tomadas porque, numa altura em que a presença de forças de segurança de qualquer tipo era meramente simbólica, os primeiros colonos tinham começado a fazer autênticas peregrinações a esses locais e, com a chegada dos primeiro turistas, tinha surgido um verdadeiro mercado de recordações. Com medo que vestígios tão importantes fossem destruídos, tal como acontecera a vários locais históricos da Terra, pela ganância dos vendedores de recordações e visitantes incautos, o Governo Central Terrestre, numa medida muito contestada na altura, tinha proibido momentaneamente os voos turísticos para esses planetas, enquanto providenciava a deslocação apressada de forças do Exército e da Força Aérea para tais locais. Agora, as ruínas estavam rodeadas por zonas de minas, cercas laser, sensores térmicos, de movimento e de infravermelhos e patrulhadas por elementos do Exército com ordens para abater qualquer elemento estranho. Mesmo assim, quase todos os dias havia pessoas que, se tivessem sorte, eram apenas presas ou feridas ou, no caso de terem azar, morriam, numa tentativa fútil de ver mais de perto ou mesmo arranjar pequenos fragmentos das ruínas. "Poderá ser alguma espécie de frota invasora??", perguntou ele a Lopes depois da sua momentânea divagação. " Não temos elementos para tirar tal conclusão", respondeu prontamente o outro Comandante que, logo após o seu contacto com os extraterrestres tinha feito essa pergunta a si mesmo. " A presença de naves equivalentes aos nossos caças pode apontar nessa direcção, não acha?" " Não sei.......não sei bem explicar, mas a verdade é que não fiquei com a impressão de que fosse uma frota de invasão..." "De certeza que deve ter uma alguma razão para pensar assim, Comandante Lopes..." O Capitão da Lisbon hesitou novamente antes de prosseguir. Nunca gostara de se precipitar, especialmente numa situação delicada como aquela. "Bem.......para começar acho estranho o facto de não haver, para além dos caças é claro, nenhum tipo de nave igual. Aquela frota parece uma amontoado de naves e não uma formação militar....." Trent confirmou essa informação acedendo novamente aos dados das naves de reconhecimento e fazendo depois um gesto para que o seu subordinado continuasse. "Para além disso, tal como se pode ver nos nossos dados, os caças parecem estar a proteger as naves maiores, pouco se afastando delas. Se aquilo fosse uma frota invasora, o mais lógico é que parte dos caças estivesse a servir de guarda avançada enquanto que outra parte estaria de guarda. Mas neste caso, vemos todos os caças a guardar a frota. Apenas mandaram dois para nos investigar........" "Realmente, tenho que concordar com a sua análise, Comandante Lopes, e ela lança outras questões, nomeadamente onde está a nave-mãe desses caças? Pelo que eu vi dos vossos dados, nenhuma das naves da Classe A aparenta ter capacidade para lançar e recolher tantos caças.........." " A única maneira é dividindo os caças por várias naves, mas isso não me parece provável......." "Isso pode querer dizer que se calhar ainda não vimos toda a frota inimiga, certo?" "Sim, Comandante! O resto pode estar muito bem do outro lado do anel de asteróides....." "Muito bem, Comandante Lopes. Parabéns pela sua análise!", disse Trent, preparando-se para acabar com a conversa, "Esteja preparado para partir daqui a dez minutos. É só o tempo de avisar o Comando Central das nossas intenções e partimos." "Muito bem, Comandante!", respondeu Lopes, lembrando-se de seguida que ainda lhe faltava abordar um assunto: "Já me ia esquecendo, mas tenho um problema com a minha I.A........ "Como assim???"- perguntou William. O outro Comandante explicou-lhe tudo que se tinha passado, salientando o facto da própria I.A. dizer que tinha detectado um erro interno. Trent ouviu com atenção o que lhe era dito, pois sabia como aquele problema podia ser grave. As I.A. eram relativamente recentes e ainda um pouco desconhecidas, mas, mesmo assim, a maior parte dos sistemas das naves, quer comercias, quer militares, estavam já subordinados a elas. Numa nave militar uma I.A. defeituosa podia significar a morte em combate. "Acha que pode combater, se tal for necessário?", perguntou Trent, finalmente. "Tenho a certeza que sim.......Só que vou ter de lutar sem ela pois desliguei-a. O computador de bordo pode assegurar todas as funções...." "Muito bem!", disse o Comandante da Washington, "Ainda bem porque acho que vamos precisar de todas as naves....." Lopes assentiu com a cabeça, despedindo-se de seguida. Após estar sozinho, William abriu os olhos e virou-se na direcção do oficial encarregue das Comunicações, ditando-lhe a mensagem para o Comando Geral do Almirantado, situado no asteróide Gibraltar da Cintura de Asteróides do Sistema Solar. - Mande-a com o máximo de prioridade, Tenente!- ordenou ele. - Sim, Capitão!- respondeu o oficial das Comunicações, acabando depois de codificar a mensagem e enviando-a de imediato. Uma das sondas de comunicação da Washington soltou-se do casco e afastou-se rapidamente da nave. Após estar a uma distância segura e sem qualquer objecto por perto a sonda saltou na direcção de Gibraltar. Esta era a forma mais rápida que havia de comunicar entre diferentes pontos na imensidão do espaço. As sondas estavam equipadas com o mais pequeno motor de salto que havia e que também era o mais potente, permitindo-lhe chegar ao seu destino em pouco menos de um minuto. Em Gibraltar a sonda seria recolhida, a sua mensagem lida e de seguida, após as células energéticas do seu motor estarem carregadas, saltaria de novo para junto da sua nave de origem com uma resposta do Almirantado. Ao todo a operação deveria demorar uns sete minutos. Era esse o tempo que a patrulha comandada por Trent tinha que esperar antes de agir. A primeira coisa que Sheba pensou ao acordar foi que estava cega. A escuridão que a rodeava era total, parecendo querer abafá-la. "Acalma-te, mulher!!", disse ela para si mesmo, controlando-se e tentando-se endireitar no seu assento. O capacete parecia pesar toneladas mas a verdade é que provavelmente este tinha-a salvo de um traumatismo grave, pois ao estender a mão direita para a frente, para se apoiar, sentiu a mossa que tinha feito no painel de comandos do Viper. Quando finalmente levantou a cabeça do painel de comandos, espreitou pela carlinga do seu Viper e, aos poucos, começou a distinguir o brilho fraco e baço das estrelas que a rodeavam. Ao virar a cabeça para o lado esquerdo teve que abafar um grito de dor. Havia algo nela que estava mal. Provavelmente tinha deslocado o ombro e dado um jeito ao pescoço aquando da explosão. De certeza que tinha sido o cinto a fazer-lhe aquilo! "Não há problema.....trabalho apenas com o outro lado....", pensou ela, como que a reassegurar-se de que tudo iria correr bem. "A primeira coisa a fazer é restaurar a energia de novo...." Como o painel à sua frente estava destruído, procurou com a mão direita os comandos secundários da energia. Os botões aí presentes tinham três posições: LIGADO, EM ESPERA e DESLIGADO, estando de momento na posição do meio. Seguindo os procedimentos de emergência, que todos os Guerreiros sabiam de cor, levou-os por momentos à posição de LIGADO e de seguida para EM ESPERA. Logo a seguir repetiu a operação, deixando-os na primeira posição. Duas das três luzes indicadoras dos geradores, ligaram-se e permaneceram verdes, sinal de que estavam em funcionamento. A terceira luz nem sequer se ligou o que era mau. "Bem, dois geradores em três é melhor que nada......", pensou Sheba. Cruzando o seu braço direito, tacteou os painéis do lado esquerdo até descobrir o interruptor que ligava o monitor secundário desse lado. Depois de o ligar, virou lentamente a cabeça, mordendo o lábio para não berrar de dor. Ao ver o que o monitor mostrava pensou que o melhor era mesmo berrar pois o que enchia o monitor era uma lista dos sistemas danificados e esses últimos não eram poucos. O seu comunicador não funcionava assim como os sensores, uma série de sistemas secundários e, aparentemente, os turbolasers.- "Ao menos o gerador de campo funciona, senão andava por aqui a flutuar..." Esse sistema era um dos pontos fulcrais de todos os Vipers e de todas as naves coloniais, pois projectava um campo gravitacional à volta da nave onde estava instalado permitindo que as pessoas se deslocassem normalmente dentro destas e permitindo também que as ditas naves fizessem uma série de manobras que seriam impossíveis apenas com propulsores normais. Por causa da sua importância esse gerador, para além de ser totalmente blindado tinha a sua própria fonte de alimentação o que lhe permitia funcionar apesar dos danos. "Agora vamos lá ver se os motores funcionam..........", começou Sheba a pensar quando algo no seu campo de visão a fez parar. Por momentos algo iluminou o seu cockpit com uma luz vermelha. Ela olhou em frente e o fenómeno repetiu-se. Rapidamente identificou aquela luz como disparos de turbolasers. - "É claro, a Dietra ainda deve andar por aí!!!" Como que a confirmar a sua ideia o Viper da Tenente passou lentamente à sua frente, abanando as asas numa tentativa de comunicação, antes de parar ao seu lado direito. Sheba olhou e viu a figura da outra Guerreira no seu cockpit a levar uma das mãos à zona dos ouvidos sobre o capacete. A Capitã deduziu que Dietra lhe estava a perguntar se ela tinha as comunicações em funcionamento e portanto fez um sinal negativo com a mão direita. Dietra abanou a cabeça, confirmando que havia percebido e de seguida fez uma série de sinais gestuais indicando a Sheba quais os principais danos externos no seu Viper. A Capitã deu graças aos Senhores de Kobol por nunca ter adormecido nas aulas de linguagem gestual da Academia, como acontecia com grande parte dos Guerreiros que achavam que aquela método arcaico não interessava. Fazendo sinal que tinha percebido tudo, Sheba voltou a dedicar-se ao problema que tinha em mãos. Dietra tinha-lhe dito que o lado esquerdo do Viper estava muito danificado o que explicava porque que é que o terceiro gerador, que era o que estava precisamente desse lado, não funcionava. E como os geradores estavam incorporados nos motores, isso queria dizer que esse também não devia funcionar. Levando novamente a mão direita aos comandos do lado esquerdo, bombeou todo o combustível do depósito esquerdo para os outros dois depósitos e de seguida ligou a alimentação de combustível para o motor central e da direita. Tal como os botões dos geradores também os botões que controlavam os motores tinham três posições. Sheba repetiu o processo anterior, levando os dois botões momentaneamente até à posição de LIGADO, o que fazia começar o processo de ignição dos motores. Quando o fez pela segunda vez, deixando-os na posição de LIGADO, sentiu o Viper começar a tremer, um sinal seguro que tinha propulsão. Olhando para o lado viu que Dietra tinha avançando um pouco, de forma a ver os motores do seu Viper e que lhe estava a fazer um sinal que tudo estava bem. Sheba fez-lhe o sinal para que ela avançasse pois não tinha sensores e Dietra assim fez, dirigindo-se na direcção da Frota, com a Capitã atrás dela. Procurando uma posição confortável, Sheba concentrou-se em pilotar o Viper que respondia lentamente aos seus comandos. Embora nenhuma das duas Guerreiras soubesse, toda aquela zona estava prestes a tornar-se num campo de batalha.... - Quanto tempo falta para que a Esquadrilha Lança de Prata esteja recolhida?- perguntou Apollo a Tigh. Este último fez uma consulta breve ao seu computador portátil antes de responder: - Cerca de um centon e meio. Um dos Vipers está a ter problemas........ - Não é nada de grave, espero......- disse o Comandante que sabia que na batalha que estava prestes a começar todas as naves contavam. - É um problemas nos turbos...o Viper não consegue acompanhar os outros à mesma velocidade por isso eles abrandaram..... Por momentos, Apollo pensou em ordenar à Esquadrilha que abandonasse o Viper avariado, mas a verdade é que ele não tinha coragem para tal, pois ainda era atormentado pelo facto de ter abandonado o seu irmão, Zac, durante a emboscada Cylon em Cimtar. Ele pura e simplesmente não podia pedir aos Guerreiros sob o seu comando que fizessem algo do género. - Quanto tempo demora a Nave-Base Cylon a chegar? - perguntou então Apollo, desviando a conversa e também os seus pensamentos daquele assunto. - À presente velocidade, chegará daqui a dois centons.......- respondeu Tigh.- Mas não percebo porque é que ainda não lançou os seus Raiders..... - Talvez estejam com algum problema?- retorquiu o Comandante com pouca convicção pois em toda a sua carreira de Guerreiro raras tinham sido as vezes em que tinha visto os Cylons a sofrerem de problemas. Eles eram extremamente metódicos em tudo que faziam. - Ainda bem que assim é, pois não temos tempo para nos envolvermos numa luta....O importante é irmos ter com o resto da Frota. Todos juntos temos mais hipóteses de sobreviver..... - Assim que os Vipers da Lança de Prata estiverem todos recolhidos, devem ser reabastecidos de imediato e preparados para lançamento. Quando chegarmos junto da Frota quero lança-los de imediato, assim como a Esquadrilha Azul. Há um espaço de meio centon que temos que aproveitar. É aí que vamos acelerar até à velocidade luz..... - Também temos que reabastecer as outras duas Esquadrilhas que estão do lado de lá.... - Claro, assim que lançarmos as outras, recolhemos a Esquadrilha Vermelha e a Verde. - Muito bem, não estou a ver nenhuma falha nesse plano....... - Infelizmente Coronel Tigh, a grande verdade é que a maior parte dos planos falham assim que entram em contacto com o inimigo.....- disse Apollo, não podendo confessar o que sentia, nem mesmo a Tigh. A sombra do seu pai pairava sobre ele e por isso interrogava-se constantemente sobre o que faria Adama naquela situação. Os anos de experiência que Adama tinha eram indispensáveis em batalha e o seu filho tinha noção disso.... Enquanto Apollo estava imerso nos seus pensamentos, Tigh consultou o seu computador pessoal, acedendo à mensagem que tinha acabado de receber. Ao lê-la, um sorriso espelhou-se no seu rosto. - Boas notícias, Apollo! Os prisioneiros já estão no Centro de Detenção. - O Coronel Croft não teve problemas a escoltá-los até lá? - Nenhum! Os prisioneiros portaram-se perfeitamente. - respondeu Tigh, consultando de novo o seu computador, antes de continuar.- Aliás, o Capitão Griffin até enviou uma mensagem agradecendo o facto de o Comandante ter mantido a sua palavra e não os ter enviado para a Nave-Prisão. - Eu sou um homem de palavra, mesmo quando se trata de traidores à Humanidade.- respondeu Apollo, afastando o olhar do ecrã onde estava o tempo estimado de chegada da Esquadrilha Lança de Prata e fitando Tigh.- Assim que sairmos desta situação, espero que eles sejam julgados pelo Conselho dos Doze e condenados ao desterro. Não podemos tolerar Humanos que põe em perigo outros Humanos!! Como se já não bastassem os Cylons.... - Já que tocou no assunto, à bocado falei com o Capitão Boomer e ele foi visitar a Athena........ - Como é que ela está?- inquiriu o Comandante que durante a emissão feita pela irmã se tinha apercebido de que ela ainda estava a sofrer os efeitos do acidente. - Após a transmissão, os guardas pessoais de Sire Digor levaram-na de volta para o Centro Médico e ela está agora de novo sob observação médica. - A Cassie está com ela? - Sim.....- disse Tigh, sendo interrompido pelo grito do Oficial de Voo Omega: - A Nave-Base acaba de lançar Raiders. Tempo estimado de chegada meio centon!!! - Frack!!- murmurou Apollo, dizendo depois para o Coronel:- Lá se foi o nosso avanço......Quanto tempo falta para os Vipers chegarem? - Meio centon também.....- respondeu Tigh com o mesmo tom de voz preocupado. - Assim que entrarem no hangar temos de arrancar para a velocidade da luz!!! Avise os pilotos dos Vipers disso, se faz favor! - Claro, Comandante! - Se ao menos tivéssemos tido aquele meio centon de avanço....... Na Ponte da Nave-Base, não se notava nenhum actividade fora do normal nem nenhuma excitação especial por se estar quase a entrar em combate. A maior parte dos Cylons não sabia o que eram emoções: medo, amor, coragem eram conceitos abstractos que os seus cérebros mecânicos atribuíam apenas aos Humanos e que tornavam estes últimos perigosos pois faziam com que fossem imprevisíveis. É claro que o Primeiro-Centurião era uma excepção à regra nos Cylons e naquele exacto momento, na altura em que a primeira vaga de 100 Raiders saía dos hangares da sua nave, sentia algo parecido com orgulho. A Galactica tinha sido apanhada desprevenida e longe da Frota, sendo um alvo fácil para os seus Raiders. O facto de que em outras ocasiões, muitos outros ataques como aquele terem corrido mal para os Cylons não o preocupava pois para começar tinha aquele "algo" não existente, aquela "sorte" do seu lado e depois os seus pilotos eram todos veteranos da Guerra, tendo sido remetidos para aquela fronteira esquecida exactamente por já serem velhos. Aquele ataque podia ser a sua porta de saída dali. Se conseguisse destruir a Galactica de certeza que receberia um terceiro cérebro e seria transferido para outro local do Império. Se a "sorte" o continuasse a acompanhar, talvez conseguisse atingir até o lugar de Líder Imperial. Afastando esses pensamentos dos seus centros de processamento, fez girar o seu pedestal na direcção do Centuriões que ocupavam os diferentes postos da Ponte. De imediato um deles levantou-se e disse: - Pelo seu comando! - Qual é a situação dos Raiders? - Daqui a dez microns alcançam a Galactica. - E qual é a situação da Galactica? - A Galactica está a recolher os seus Vipers. O último deve aterrar daqui a cinco microns. - As baterias laser da Galactica já abriram fogo? - Não. Ao ouvir esta informação o segundo cérebro do Primeiro-Centurião começou a processar dados furiosamente. Em todos os encontros anteriores entre Estrelas-de-Batalha e Raiders, as primeiras haviam aberto fogo com as suas baterias laser assim que os Raiders estivessem a quinze microns de a alcançar. Se não o faziam era porque ainda havia Vipers nas imediações, o que não era o caso, ou porque estavam a dirigir a energia para outros sistemas e o único sistema que gastava tanta energia a bordo de uma Estrela-de-Batalha só podia ser... - Todos os Raiders devem afastar-se de imediato da Galactica. Suspendam o lançamento da segunda vaga! - Pelo seu Comando!- respondeu o Centurião. No espaço de microns o comando foi transmitido para os Raiders que se preparavam para atacar a Galactica e eles começaram a afastar-se do seu alvo a toda a velocidade. No entanto, o tempo estava contra eles pois o Primeiro-Centurião tinha demorado dois microns a analisar a situação e depois tinham-se perdido outros três microns a transmitir a ordem aos Raiders. Na altura em que os Cylons quebravam o seu ataque, o último Viper da Esquadrilha Lança de Prata aterrava na Galactica e esta acelerava até à velocidade luz. A Galactica pareceu começar a esticar-se cada vez mais, na direcção da passagem, até que por fim desapareceu dos sensores da Nave-Base. No entanto este desaparecimento deixou marcas pois alguns Raiders não se tinham afastado a tempo, sendo afectados pela aceleração da Galactica. Tal como tinha acontecido com esta última, os caças pareceram esticar-se cada vez acabando por explodir pois não estavam preparados para viajar a tal velocidade. - Quantos Raiders da Primeira Vaga é que perdemos? - perguntou o Primeiro-Centurião assim que recebeu a imagem de alguns dos seus caças a explodir. - Perdemos 10 Raiders da Primeira Vaga. O Comandante da Nave-Base ponderou então no que devia fazer. Tinha agora à sua disposição apenas 290 Raiders, o que era algo que o preocupava pois não sabia o que iria encontrar do outro lado. O que sabia é que os Humanos iriam lutar desesperadamente, com todos os meios à sua disposição. Mas, por agora o que interessava era não perder a Estrela-de-Batalha. - Acelerem para a velocidade luz. A Galactica não pode escapar! Assim que a alcançarmos lancem a Segunda Vaga. A Primeira Vaga deve seguir-nos à sua velocidade máxima. - Pelo seu comando! Com uma simples ordem para o computador central, a Nave-Base começou a ganhar velocidade, até ser tornar apenas mais um ponto no firmamento, no encalço da Galactica. "Cavalheiros, como já devem saber, acabamos de receber as ordens do Comando Central...., disse o Comandante Trent para os Capitães das naves que constituíam a sua patrulha, "....e elas são bastante explícitas! Vamos investigar aquela frota detectada pela Dakar e pela Lisbon e, se possível descobrir quais as intenções dela. Entendido?" "Sim, senhor!", disseram os outros quase que ao mesmo tempo. " Há ainda outro ponto que é necessário focar. Seguindo as ordens do Comando Central, todos vocês têm autorização para armarem os vossos mísseis nucleares....mas estes só devem ser disparados em último caso. Aliás, vocês só devem disparar se dispararem contra vocês e devem tentar acertar apenas na nave que disparou contra vocês!", fazendo uma pequena pausa, Trent virou-se mentalmente para a imagem de Ossan, antes de continuar, "O Comando Central frisou bem que não quer que se repitam cenas como as de hoje de manhã. Nós vamos tentar estabelecer contacto com eles e não desatar aos tiros....." Ossan não pareceu minimamente incomodado com as palavras do Comandante Trent, limitando-se a sorrir ironicamente, o que enfureceu o seu superior. Por momentos Trent brincou com a ideia de mandar prender Ossan imediatamente e passar o comando da Dakar para outro oficial, mas a verdade é que isso não seria o mais correcto, pois para todos os efeitos, assim que regressassem ao Sistema Solar, o Comandante Ossan seria levado a Tribunal Militar. Quando mandara a mensagem para o Comando Central, Trent mandado também uma pequena adenda com as acusações ao seu subordinado. "Alguém tem alguma pergunta a fazer?", perguntou ele, optando por ignorar a provocação do Comandante Ossan. "Vamos receber reforços?", acabou por inquirir o Capitão da Oslo e reflectindo uma preocupação que não era só dele. Quando se ia ao encontro de algo que até podia ser hostil, era bom saber que se podia contar com reforços. "O Comando Central ainda não deu a certeza, mas é possível que nos mandem um Grupo de Combate. De qualquer maneira se chegarem, só o farão daqui a três horas e meia...até essa altura estamos sozinhos. Há mais alguma pergunta?" Perante as respostas negativas, Trent acabou ali com a reunião, dando tempo para que os outros Comandantes explicassem as ordens às suas respectivas tripulações. Ele próprio fez isso, informando a sua tripulação do que se iria passar nas próximas horas. Passado um quarto de hora, Trent deu a ordem para que a patrulha abandonasse a órbita de Lavos-329. De seguida as naves começaram a afastar-se umas das outras, formando uma espécie de triângulo, até estarem à distância de segurança regulamentar para saltarem. Com uma eficácia que só era possível devido à coordenação total entre as I.A. das diferentes naves, a patrulha efectuou o salto ao mesmo tempo, cobrindo num abrir e fechar de olhos a distância até ao anel de asteróides. - Continua -