Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ------------------------------------------------------------ Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (possidonio24@hotmail.com) ------------------------------------------------------------ "O Principio do Fim" - Parte 2 - CAPÍTULO 10 - PLUTÃO, ALIANÇA TERRESTRE BASE DE AMUDSEN A primeira coisa em que Adama reparou foi no silêncio. Dentro do campo de forças não se ouvia um único ruído. Na caverna onde a “Nave” se encontrava estava sempre omnipresente o barulho de maquinaria, especialmente o ranger metálico e o grunhir mecânico do enorme sistema de ventilação que enchia de ar toda aquela caverna no interior de Plutão, assim como a restante Base. No entanto agora não se ouvia nada! Adama só conseguia ouvir os pequenos barulhos feitos pela sua roupa e pela sua respiração. Ao pensar exactamente neste último ponto, apercebeu-se de outra coisa... O ar que estava a respirar era extremamente pesado e “tingido” com um cheiro que ele, como Guerreiro, conhecia perfeitamente. Era um cheiro que nunca se esquecia, era o cheiro da morte... Espalhados nas mais variadas posições, ao longo do perímetro do campo de forças, encontravam-se cerca de 20 corpos. A única coisa em comum é que todos se encontravam encostados ao campo, parecendo estar a descansar encostados a uma parede invisível. Adama sabia que aqueles restos mumificados pertenciam aos cientistas da Aliança que tinham ficado ali encerrados quando o campo de forças se tinha activado em 2105. Passados cerca de 176 anos (quase a mesma coisa em yahrens), os corpos encontravam-se mumificados sendo possível ainda ver na maioria dos seus rostos as expressões de sofrimento com que tinham acabado os seus dias. Segundo o que os Terrestres lhe tinham dito, os cientistas tinham demorado cerca de um mês a morrer, perante os olhares do restante pessoal da Base. Tinham sufocado lentamente, tentando até ao último minuto e até ao último resquício de força, forçar a passagem para o outro lado. Os seus companheiros também não tinham estado quietos e tinha- se tentado de tudo, numa primeira fase para quebrar o campo e numa última fase para se injectar ar lá dentro. Tudo tinha falhado e a única coisa que tinham descoberto com tudo isto é que nada passava pelo campo e que este se prolongava por vários metros por baixo de terra. No entanto, e no seguimento do raciocínio anterior, Adama tinha-se apercebido de uma coisa. Estava a respirar normalmente e conseguia sentir o cheiro dos corpos, o que queria dizer já havia ar dentro da redoma invisível. Lançando um olhar para trás, viu que o Doutor Wilker e a Doutora Karen batiam futilmente com os punhos no campo, fazendo-lhe sinal para voltar. Por momentos pensou em fazer isso, mas a sua curiosidade tinha que ser saciada. Desde sua visita ao Planeta dos Deuses que não se encontrava tão perto de artefactos Kobolianos. Fazendo um sinal de que tudo estava bem, avançou para junto da Nave, ansiando tocar na sua superfície. À medida que se aproximava, sentiu uma corrente de ar cada vez mais forte vinda do artefacto. Através de algum processo desconhecido, a “Nave” estava a encher o campo de forças com ar puro. “Espantoso”, pensou Adama, continuando a sua caminhada e não tirando os olhos da Pirâmide dourada que flutuava acima do solo, a alguma distância de si. Quanto mais se aproximava mais era evidente o facto de que havia algo a funcionar dentro do artefacto, pois o Comandante começou a sentir nos seus ossos uma estranha vibração. Parando por momentos, deixou-se invadir por essa sensação pois sentia que havia algo que lhe estava a escapar. Dando mais um passo em frente, sentiu a vibração a aumentar, começando agora a ser desconfortável. O Ankn que empunhava parecia ressoar com aquela vibração e, aos poucos, Adama sentiu o braço onde o segurava a ser forçado para cima. Sem que o pudesse evitar, e por mais que se esforçasse, o Ankn parecia ter vontade própria e o Comandante acabou por se ver obrigado a agarrá-lo com as duas mãos, esticando ambos os braços para à frente. Com um estrondo metálico, o símbolo voou das suas mãos e foi embater contra a face da Pirâmide que estava mais próxima, ficando aí preso. De seguida, e quase que imperceptivelmente, o Ankn começou a perder definição, começando a ser absorvido pela Pirâmide até desaparecer por completo. Nessa altura, a vibração parou e uma série de pequenos estalidos começaram a fazer-se ouvir vindos da direcção desta. Como que uma flor a desabrochar, a Pirâmide abriu-se a partir do topo. As suas quatro faces começaram a descer em direcção ao solo, enquanto que a sua base se elevava. Adama recuou alguns passos e olhou para trás, na direcção do grupo que o observava do outro lado do campo de forças. Todas as pessoas fitavam a cena com um ar de espanto e o Comandante rezou para que alguém tivesse tido a presença de espírito de pôr os equipamentos de gravação a funcionar. Aquele evento tinha que ser gravado para a posterioridade! Um pequeno estrondo anunciou que as faces da parede tinham chegado ao chão. Virando-se de novo para a Pirâmide, Adama viu que estas últimas formavam agora quatro rampas para o centro do artefacto e para o sarcófago que agora era visível. Antes de subir a rampa que tinha à sua frente, o Comandante dobrou-se e colocou a mão no metal dourado que tinha sob os seus pés. O metal era quente ao toque e parecia pulsar com uma vida própria. Esta observação, juntamente com as estranhas propriedades que o Ankh e a própria Pirâmide tinham mostrado, fizeram com que ele chegasse a uma conclusão que anunciou a si mesmo em voz baixa: - Oricalco...Os artefactos são feitos de Oricalco! Esse metal era mencionado no Livro dos Senhores de Kobol e era por causa disso conhecido como o “Metal dos Deuses”. Os poucos artefactos que restavam após o Êxodo de Kobol, tinham sido criteriosamente analisados pelos melhores cientistas das Doze Colónias, mas nunca se tinha conseguido descobrir maneira de o reproduzir ou sequer imitar. Só se tinha descoberto que o oricalco era uma variação do ouro, pois com o passar dos yahrens, as amostras haviam perdido todas as suas capacidades, voltando apenas a isso. Subindo lentamente a rampa, aproximou-se do artefacto que repousava, verticalmente, exactamente no meio da Pirâmide e que estava agora visível. O sarcófago parecia pulsar com uma luz interior que iluminava tudo à sua volta, mas à medida que Adama se aproximava, esta foi diminuindo de intensidade, acabando por se extinguir completamente. A tampa do sarcófago era transparente, deixando ver o seu ocupante – um homem com cerca de 120 yahrens, com longos cabelos brancos e uma barba a condizer. As suas mãos repousavam cruzadas sobre o peito, empunhando cada uma delas instrumentos que o Comandante não conseguia identificar, mas que de certeza estariam relacionados com o seu ofício de Navegador. O homem envergava uma espécie de curta túnica azul e umas calças do mesmo material, seguras à cintura com um cinto prateado bastante fino. As botas de cano alto que utilizava eram pretas e em tudo parecidas com aquelas que os actuais Guerreiros usavam. O lado esquerdo do colarinho da túnica ostentava uma pequena insígnia dourada com a forma de uma estrela. Num esforço para a ver melhor, Adama aproximou- se do sarcófago, colocando a mão no rebordo esquerdo da tampa. Ao tocar nessa zona, o material, que até então tinha sido transparente, começou a ficar opaco e três símbolos dourados surgiram na zona central da tampa, mais ao menos ao nível das mãos cruzadas do homem. Dando um passo para trás, o Comandante fitou estas novas aparições. Os símbolos eram Kobolianos, disso não havia dúvidas. Ele havia passado tempo sem conta a estudá-los e sabia o seu significado. O primeiro representava uma muralha ou o conceito de defesa, o segundo representava a abertura de algo e o último o fecho. Além destes símbolos, Adama reparou que um pequeno símbolo tinha ficado iluminado na zona do rebordo onde tinha tocado. Sem hesitar, carregou novamente nele e, tal como esperava, a tampa do sarcófago voltou ao normal quando este se apagou. Aproximando-se, viu que havia mais dois símbolos por debaixo daquele que tinha acabado de apagar. E que na parte superior do rebordo, perto da cabeça do homem, havia um símbolo enorme – um Ankn. Esticando-se um pouco, carregou nesse último. Tal como da primeira vez, assim que o símbolo se iluminou, a tampa tornou-se opaca, mas desta vez, surgiram uma série de frases em Koboliano Antigo: “- Que o Tempo guarde para Sempre o Corpo do Navegador das Estrelas Iraknis, Aquele que nos Deu o Planeta Terra” – leu Adama em voz alta, apercebendo-se de que eram as palavras que a Pirâmide ostentava nas suas faces. A frase repetiu-se mais algumas vezes, acabando por desaparecer e ser substituída por uma série de novos símbolos: “-Iraknis, Filho de Uknis e de Ira, Pai de Osis. Foste o Chefe da nossa Tribo, Pai de Todos Nós. Deste-nos uma Nova Vida mas Também a Morte. Que o Tempo não Esqueça.”- ao ler estas palavras, o Comandante sentiu um arrepio a percorrer o seu corpo. Aquela última parte parecia uma maldição. Pressionando o símbolo do Ankn de forma a desligar aquela mensagem, Adama perscrutou os outros. Decidindo-se por aquele que representava o conhecimento, ele esperou pacientemente que a tampa ficasse opaca. Desta vez, o que lhe surgiu na frente não foram pictogramas mas sim imagens de planetas e coordenadas astronómicas. O Comandante susteve a respiração quando percebeu o que tinha à sua frente. Os seus olhos traçaram a rota que a 13ª Tribo tinha tomado desde Kobol até à Terra. Na zona que representava o Sistema Solar, havia alguns planetas, para além da Terra, que ostentavam o pictograma de Casa ou refúgio. Comparando os planetas com os actuais mapas astronómicos Terrestres que tinha estudado, Adama identificou Plutão, a Lua e Marte como os locais onde os Kobolianos da 13ª Tribo se tinham também estabelecido...mas havia incongruências. Não só havia mais 2 planetas no mapa Koboliano, como também havia símbolos que representavam Naves em órbita de Marte e da Terra. - Tenho que falar nisto à Doutora Karen, disse ele em voz baixa, parando depois para ponderar uma ideia que lhe tinha surgido. Quanto mais pensava, mais se convencia que estava certo. Desligando o mapa astronómico, pressionou o símbolo inicial e na tampa do sarcófago surgiram os 3 primeiros símbolos que tinha visto. O símbolo de muralha estava mais iluminado que os outros, o que apenas confirmou a sua suspeita. Com um simples toque, abriu de novo ao mundo a “Nave”, acabando com um isolamento de 176 yahrens. A CAMINHO DE LAVOS-306 A Estrela-de-Batalha Galactica estava agora acompanhada por todo o Grupo de Resposta Rápida da Marinha da Aliança, constituído por duas fragatas de mísseis guiados – a Yokusuka e a Norfolk, três cruzadores AEGIS – o Mayport, o London e o Kyto, albergando este último o posto de comando do Capitão Agasha Gennai. A completar esta força, havia ainda o Porta-Naves Ligeiro Riga. Para trás tinha ficado apenas a nave de reabastecimento Setúbal, que se encontrava agora a caminho da Base Naval de Lavos-305. Pelos padrões Terrestres, esta força era considerada bastante poderosa, mas Apollo não conseguia chegar a essa conclusão. Sabia que estava a ser injusto pois estava a vê-la usando padrões Coloniais e o resultado não era agradável, para dizer o mínimo. Fazendo girar a sua cadeira, não se surpreendeu ao encontrar o Coronel Tigh a fitá-lo. - As naves deles não parecem muito impressionantes, pois não? - perguntou este último, parecendo adivinhar o que passava pela cabeça do seu Comandante. - O meu pai sempre me avisou que não se deve julgar nada pela sua aparência, mas neste caso, acho que não o consigo evitar. - desabou o outro homem, apontando para o ecrã de um dos computadores do seu Posto de Comando e para as representações esquemáticas que aí apareciam. - Os cruzadores deles têm o tamanho de uma das nossas baías de lançamento... – apontou ele. – E se juntarmos quatro delas e as pusermos duas lado a lado e em cima uma das outras, temos o tamanho do Porta-Naves deles... E nem sequer vou falar da blindagem das naves ou... - Ou do facto de que o Porta-Naves deles só tem 20 caças e que esses são tão lentos que os nossos Vipers conseguem ultrapassá-los sem sequer utilizar os turbos... – interrompeu Tigh, pondo um ar um pouco exasperado. – Acredita que já ouvi todos esses comentários e muitos outros. Toda a gente diz isso, mas estão todos a esquecer-se de uma coisa simples... - Qual? - perguntou Apollo, não percebendo onde é que o Coronel queria chegar. - É que apesar de todas as suas...fraquezas...digamos assim... os Terrestres estão dispostos a ajudar-nos. - É claro que o fazem. A vida deles também está em perigo! Os Cylons não fazem distinção entre tipos de Humanos, para eles todos devem ser exterminados... - Mas mesmo assim, eles podiam ter-nos mandado embora. - continuou Tigh, pousando o seu sempre presente computador pessoal. – Sabes perfeitamente que após a Batalha da Cintura, a Frota era incapaz de resistir a um ataque dos Terrestres. Se eles quisessem, podiam ter-nos destruído ou podiam-nos ter expulso do território deles. - Mas não o fizeram...pelo contrário, acolheram-nos... - E agora estão a ajudar-nos! - concluiu Tigh. - E não devemos pensar em mais nada para além disso. Eles têm os seus problemas e os seus defeitos, mas nós também os temos... - Sim... – disse Apollo, pensativamente. Esta última frase era mais que verdadeira. Agora que a Frota tinha encontrado um refúgio, os problemas entre os Coloniais tinham ressurgido de uma maneira brutal. Os antigos ódios e as rivalidades étnicas, coisas que Apollo havia julgado esquecidas, tinham-se espalhado por Éden como um incêndio em escala planetária. Agora que a ameaça dos Cylons não parecia tão imediata, as pessoas tinham voltado aos seus velhos hábitos. - Por falar em defeitos, Coronel Tigh... – disse ele, lembrando-se de algo que Boomer lhe havia mostrado recentemente. – Parece que os seus amigos dos “Filhos do Espaço” estão a espalhar-se por todas as cidades de Éden.... O Coronel fitou Apollo e na sua cara estampou-se momentaneamente um ar de fúria, algo que o Comandante nunca havia visto. Baixando-se na direcção dele, Tigh disse em voz baixa. - O Comandante pode não acreditar, mas acho que essa... seita... ainda nos vai trazer muitos problemas. - Sire Digor, diz que eles são perfeitamente inofensivos... – respondeu Apollo num tom defensivo. – E não tenho razão para duvidar dele. - Tal como disse que os elementos que defendiam que a Frota devia continuar a viagem foram todos afastados, certo? - Exactamente. - confirmou Apollo, tentando relembrar- se do que Athena havia dito a si e a Boomer sobre esse assunto. - Presumo que o Boomer tenha mais informações sobre esse assunto, mas pelos vistos esses elementos foram realmente afastados. - Não Apollo! Aí é que toda a gente está enganada. – com estas palavras, Tigh debruçou-se ainda mais sobre os monitores do Posto de Comando, virando-se de costas para a Ponte. - Na última vez que estivemos em Éden, fui à Academia falar com o Coronel Croft para escolhermos os melhores Cadetes para prestarem serviço na Galactica e durante essa conversa, imaginas o que descobri? Perante o abanar negativo, o Coronel continuou: - Descobri que na Academia, mais de 40% do Cadetes são Filhos das Estrelas. Isso por si só não é um grande problema. Mas sabes o que é pior? O pior é que mais de metade dos professores também o são! - O quê? Não fazia a mínima ideia disso... – confessou Apollo - E a maior parte desses professores são aqueles membros que foram expulsos dos Filhos por serem os mais radicais. - Como é que eles foram aí parar... – começou o Comandante a perguntar, mas chegando rapidamente a uma conclusão. – Foram nomeados pelo Concílio? - Exactamente. Como sabes, cada um dos seus 12 Membros pode nomear cinco professores. É a maneira que se arranjou de cada uma das Colónias ter os seus costumes representados na Academia. - respondeu Tigh, encolhendo os ombros, como que a mostrar que não ligava grande importância a tal arranjo. - O problema é que a maioria dos membros do Concílio só se importa em ter mais poder e se para o terem tiverem de vender as suas nomeações a Sire Digor... - Que por acaso anda com a Presidente do Concílio e é o mentor dos Filhos do Espaço... – completou Apollo. - Exactamente...O Coronel Croft tem andando a vigia-los constantemente, mas a verdade é que não pode fazer muito. As credenciais de segurança passadas pelo Concílio sobrepõem-se a tudo aquilo que ele possa descobrir sobre eles. - Quando voltarmos a Éden, temos que ter uma reunião com o Boomer e o Croft. Acho que realmente temos que avaliar melhor toda esta situação. - afirmou o Comandante, fitando o Coronel. - E acho que está na altura de ter uma conversa muito séria com a minha irmã. Tigh pareceu desanuviar e o seu semblante tornou-se um pouco menos carregado. Por momentos pensou em contar a Apollo porque é que tinha tanto ódio às seitas em geral e especialmente aquela, mas decidiu não o fazer. As lembranças do que acontecera ainda o atormentavam e ele tinha esperança que com o passar dos yahrens elas se tornassem menos dolorosas. A única coisa que lhe dava algum ânimo no meio daquelas lembranças era o facto de que a maior parte dos culpados tinham pago pelos seus crimes. - Estou ansioso por essa reunião. - acabou ele por dizer, pegando novamente no seu computador pessoal e consultando- o antes de continuar. - Mas para já temos apenas que nos concentrar no que vamos encontrar em Lavos-306. Com estas palavras, entraram em contacto com a Kyto , de forma a discutirem as melhores tácticas para enfrentar uma força Cylon que lhes era largamente superior. A tarefa que tinham pela frente não era fácil... COLÓNIA DE ÉDEN, ALIANÇA TERRESTRE SEDE DO COMANDO PLANETÁRIO DE DEFESA - Vocês têm cinco microns para me explicarem o que vos aconteceu antes que vos mande para o Presídio!!! – vociferou o Major Boomer, fitando primeiro Sheba e depois apontando para Starbuck antes de acrescentar: - E nada de piadas! - Acredita que não vais ouvir uma única piada da minha boca... – garantiu-lhe Starbuck, parecendo afundar-se mais na cadeira onde estava. Esta afirmação, tão contrária à maneira de ser do seu amigo, juntamente com o ar cansado de ambos, fez com que Boomer se acalmasse. Respirando fundo, continuou: - Desculpem se estou exaltado, mas vocês desapareceram num dos momentos mais cruciais da nossa história recente. Os Cylons voltaram e na altura em que precisávamos dos nossos melhores Guerreiros, vocês saem do planeta sem dizerem nada a ninguém! Tudo bem que vocês saíram 40 centons antes do alerta, mas, especialmente no teu caso Sheba, o Regulamento de Serviço dos Guerreiros é bem explicito quanto diz que... - “...o Guerreiro nunca deve estar a mais de 20 centons de viagem da sua Estrela-de-Batalha”. – concluiu por ele Sheba. Endireitando-se na cadeira e debruçando-se para a frente, na direcção da secretária de Boomer, ela continuou a falar: - Acredita que sei tudo isso e que nunca me passou pela cabeça escapar aos meus deveres, mas se abandonamos o planeta foi porque foi mesmo preciso... - Isto tem alguma coisa a ver com aquela mulher que vos acompanhou até ao espaçoporto? - Sim...- respondeu Starbuck. - Tem tudo a haver com ela. Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, Sheba acrescentou: - Como sabes que nos encontramos com uma mulher? Boomer hesitou por momentos, mas perante o olhar cada vez mais gélido da Capitã, não teve outra solução senão confessar que os dois Guerreiros haviam sido seguidos por membros da Secção Regional do Comando Planetário. - Estavam-nos a seguir aos dois ou só a mim? - perguntou a mulher, adivinhando qual é que seria a resposta. - Só a ti Sheba. - acabou ele por confessar, apresando- se no entanto a acrescentar.- Mas não penses que foi o Apollo que me pediu para fazer isso! Ele só me disse que tinhas vindo aqui para Éden em licença...Eu é que decidi descobrir por onde andavas. A Capitã pareceu aceitar essa explicação ou pelo menos não se mostrou mais interessada em explorar o assunto. Aproveitando essa aberta, Boomer desviou a conversa: - Mas afinal o que é que vos aconteceu? Quem era aquela mulher? Sheba e Starbuck entreolharam-se, parecendo estar a escolher quem é que iria contar a história. Finalmente, perante o aceno afirmativo da Guerreira, Starbuck começou a contar tudo o que tinha acontecido, desde o encontro com Lilith até às revelações de Maraxus, um dos sobreviventes da Pegasus. - E se achas esta parte estranha, espera até ouvires esta...- avisou ele, antes de continuar a contar a Boomer a parte em que a voz de Boxey o tinha aconselhado a “seguir o seu destino”. Assim que terminou a narração daquilo porque tinham passado, Starbuck acendeu um dos seus fumarellos e recostou- se na cadeira, brincando nervosamente com a caixa de fósforos. O Major respirou fundo e fitou os seus dois amigos, reflectindo no que tinha acabado de ouvir. Os aspectos fantásticos da história não o assustavam, pois toda a Frota tinha estado sobre o “domínio” do Conde Iblis. Ele próprio havia estado sobre o controle directo do Conde durante um jogo de Triad em que a sua equipa havia derrotado a equipa de Apollo e Starbuck. Além dos mais, as pessoas que estavam a contar a história eram de confiança e era óbvio que não estavam a inventar nada. - A única conclusão óbvia a que posso chegar é que este aparecimento das forças de Iblis não é fortuito! - acabou Boomer por dizer, cruzando as mãos sobre a secretária e fitando o Sheba e Starbuck. - Era coincidência a mais ele aparecer exactamente na altura em que os Cylons atacaram... - Eu nem quero pensar em qual é que vai ser a reacção do Apollo quando souber que o seu inimigo voltou...- suspirou Starbuck, endireitando-se na cadeira e pegando no cinzeiro que até aquela data tinha servido simplesmente de adorno à mesa do seu amigo. Vendo que Boomer o fitava, acrescento rapidamente: - É para não deitar cinza na tua linda carpete! - Isso foi uma piada? - perguntou rapidamente o Major, não podendo deixar de sorrir. Apesar da gravidade da situação e das novidades, era óbvio que Starbuck estava agora um pouco mais relaxado. – Pensei que não ia ouvir nenhuma piada da tua boca... Starbuck respondeu com um simples encolher de ombros, como que deixando ao critério do seu amigo se o que tinha dito era uma piada ou não. A verdade é que agora que ele e Sheba haviam contado o que se havia passado com Lilith, sentia-se mais relaxado. Não mais seguro, mas apenas mais relaxado. Seguro não podia estar, pois ainda se lembrava do momento em que a face de Lilith se havia “modificado”, deixando ver uma caveira de olhos azuis. - Se o Apollo vai ficar preocupado, imaginem como é que eu estou! - retorquiu de repente Sheba, tremendo de raiva.- Para além de saber que o Conde voltou para me atormentar a vida, ainda fico a saber que o meu pai pode estar vivo!! E que a Pegasus, a nave onde vivi a maior parte da minha vida, escapou aos Cylons em Gamorray!! A raiva lentamente deu lugar ao desespero e, numa das raras ocasiões em que consentia tal acto, a Capitã começou a chorar, enterrando o seu rosto entre as mãos. Sentiu que o estava a fazer como nunca tinha feito antes, embora uma parte cínica do seu íntimo lhe dissesse que já só o havia feito em 3 ocasiões: quando a sua mãe morrera, aquando do desaparecimento do seu pai em Gamorray e na altura em que se tinha apercebido que Apollo ainda se encontrava agarrado ao fantasma de Serina. Starbuck e Boomer entreolharam-se, mas nenhum conseguiu arranjar coragem para reconfortar a Capitã. Havia certas coisas que nem um Guerreiro sabia enfrentar e uma delas era uma mulher a chorar. No entanto, aos poucos, Sheba foi parando de chorar, parecendo ganhar ânimo e acabando por levantar a cabeça de novo, enfrentado os olhares dos seus amigos. Tinha um pedido de desculpas para lhes dar por aquela “quebra”, mas o que viu nos olhares deles mostrou-lhe que tal não era necessário. Eles também sabiam que havia ocasiões em que chorar bom...Era uma maneira como outra qualquer de expressar sentimentos e eram exactamente esses sentimentos que separavam a raça Humana dos Cylons e de seres como Iblis. - Em relação à Pegasus...- começou Boomer a dizer, consultando as notas que tinha tomado durante o relato de Sheba e Starbuck. - Vou ver se me informo junto da Aliança sobre essa tal Área 52... Para já é a única coisa que me passa pela cabeça fazer. Talvez eles tenham algumas respostas. - Sim, faz isso...- disse a capitã, com os olhos como que iluminados pelo fogo de uma raiva que a estava a encher de novo.- Fiquei com a ideia de que os Terrestres estão envolvidos nisto tudo de uma maneira que nós nem sequer imaginamos...Não achas, Starbuck? - Pois...- afirmou o interpelado, mexendo-se na cadeira, como que esta subitamente se tivesse tornado desconfortável. Apagando a beata do seu fumarello no cinzeiro, acendeu de seguida outro e continuou: - Antes do mais, não nos podemos esquecer que Iblis é também o Senhor das Mentiras... - Mas tens que admitir que durante a sua estadia com a Frota, houve coisas que ele prometeu e que se realizaram, nomeadamente a captura de Baltar! – insistiu Sheba. - Não te esperava ver a fazer de advogada do Diabo.- interrompeu o Major e esta sua simples frase de duplo sentido, fez com que eles soltassem algumas gargalhadas nervosas, aliviando um pouco a tensão que se fazia sentir na sala. - Admito que ele disse algumas verdades...-acabou Starbuck por concordar.- Mas também não nos podemos esquecer que as suas verdades eram sempre escudadas por meias-verdades e puras mentiras.... Pousando o fumarello no cinzeiro e pousando este em cima da secretária de Boomer, continuou o seu raciocínio: - Mas neste caso acho que estamos perante um verdade ou no mínimo uma semi-verdade... Há uma série de coisas nos Terrestres, especialmente na Aliança, que não batem certo... Levantando as mãos, o Major interrompeu-o e disse: - Tem calma Starbuck, pensa bem no que vais dizer... Não te esqueças que eles são neste momento os nossos principais aliados contra os Cylons... Para espanto de Sheba e do ex-Guerreiro, enquanto dizia isto Boomer explicou-lhes em linguagem gestual que a sala estava sob escuta e pediu-lhes que aguardassem alguns microns. Ambos assinalaram que tinham percebido o aviso e desviaram as conversas para outros assuntos enquanto o Major retirava algo parecido com um isqueiro de uma das gavetas da sua secretária e o colocava sobre o tampo. A única coisa visível na face metálica do objecto era um botão que ele pressionou levemente. Com um pequeno silvo, o aparelho começou a abrir- se até ficar numa espécie de cruz metálica, começando depois a girar e a elevar-se, ficando estacionário a cerca de 2 metrons acima da secretaria. - Muito bem...Temos agora cinco centons para falar...- avisou Boomer, activando o seu cronómetro e fitando os seus amigos. - Essa tua...ventoinha...presumo que seja um dispositivo anti-escuta...- concluiu Starbuck, pegando novamente no cinzeiro e no respectivo fumarello que aí estava visto que a deslocação de ar provocado pelo dispositivo já tinha posto a ponta deste a brilhar com intensidade e era um desperdício deixar um fumarello acabar a sua vida de uma forma tão indigna. - Foi um pequeno presente que recebi assim que assumi a função de Comandante Planetário.- afirmou o Major com um sorriso.- É feito na Celestra e basicamente detecta e cancela todos os dispositivos de escuta num pequeno raio. É pena que só dê para pouco tempo. Sheba desviou o olhar do aparelho que pairava sobre as suas cabeças e perguntou: - Mas então, sabes que tens escutas no teu escritório... - Exactamente - E sabes quem é que as instalou? - Não faço a mínima ideia....- confessou Boomer, encolhendo os ombros.- Os suspeitos são imensos: A Aliança, a Corporação, empresas interessadas na nossa tecnologia, etc... É por isso que não posso deixar de tomar precauções... - De certeza que é possível analisar um desses dispositivos de escuta e descobrir a sua origem... – disse Starbuck, parecendo depois lembrar-se de algo.- Acho que até chegamos a ter algumas aulas sobre isso lá na Academia...mas não tenho a certeza...não me lembro muito dos meus anos como Cadete... “Imagino porquê...”, pensou Sheba que, sendo alguns yahrens mais nova que o ex-Guerreiro, tinha frequentado a Academia posteriormente e ouvido todas as histórias que se contavam sobre ele e as suas loucuras. - Starbuck... – começou Boomer a dizer, lançando um suspiro de resignação.- ...Acredita que já tentamos, mas a verdade é que não os conseguimos analisar devidamente... Os Terrestres utilizam nanotecnologia muito mais avançada que a nossa para construir os seus aparelhos. Conseguimos detectá- los e neutralizá-los e mais nada. Encolhendo os ombros, prosseguiu: - É por isso que tenho que fazer isto sempre que quero falar sobre algum assunto mais delicado...Eles ficam a saber que falei sobre algo, mas não podem saber sobre o quê... - O que eu ia dizer não era assim tão delicado...- resmungou Starbuck.- Acho que todas as pessoas com um mínimo de cabeça se apercebem que há coisas nesta história toda que estão mal contadas! E uma dessas coisas é mesmo óbvia... - Deixa-me adivinhar! Estás a falar do facto de que a maior parte dos militares da Aliança fala Koboliano como nós?- lançou a Capitã. Havia muitas pessoas na Frota que também tinham dúvidas sobre como é que isso era possível. - Exactamente...- respondeu o ex-Guerreiro. - Se fumasses acabavas de ganhar um fumarello. Sorrindo e, pela primeira vez desde que aquela conversa começara, parecendo totalmente descontraído, continuou: - Essa é apenas uma das questões... Sempre que perguntamos alguma coisa sobre isso, eles dizem-nos que os seus nanocomputadores já estão programados com a nossa linguagem e que eles só precisam de os consultar para falar Koboliano... - A mim já me explicaram que o programa linguístico foi desenvolvido por uma I.A. do Comando Militar da Aliança Terrestre.- interveio Boomer, procurando um ficheiro no computador.- Tenho algures para aqui a morada do local onde esse programa foi desenvolvido.. - Aposto que sim...- disse Starbuck, pousando o cinzeiro na mesa.- ...mas há um pequeno pormenor que deita abaixo toda essa história da I.A. e coisas que tal. - Qual?- perguntou Sheba, tentando adivinhar qual seria. - Lembram-se quando aquele Almirante Terrestres aterrou na Galactica? - Sim...- responderam ambos os Guerreiros, esforçando- se para se lembrarem bem do momento. No caso da Capitã esta só tinha visto as gravações feitas pela IFB pois na altura ela estava inconsciente, no Centro Médico. Mas tinha visto as gravações inúmeras vezes, pois a IFB, que nunca tinha sido conhecida pela sua boa programação, tinha repetido essa transmissão vezes sem fim. - O Almirante Terrestre falou em Koboliano...- revelou Starbuck, sorrindo.- Não se lembram? As pessoas que estavam ao meu lado até disseram que ele tinha um sotaque horrível...Mas a principal questão é como é que ele sabia Koboliano se aquela era a primeira vez que nos encontravam? -“Sejam bem-vindos aos domínios da Terra. Os vossos irmãos saúdam-vos!” – disse Boomer, relembrando-se agora claramente das palavras do Almirante Kane Dawnson, palavras essas que tinham marcado o fim da viagem da Frota. O que o ex-Guerreiro tinha dito era perfeitamente lógico... - Acho que ficamos todos tão contentes com a descoberta e com facto de termos escapado aos Cylons que ninguém pensou nisso!- concluiu Sheba, virando-se para Starbuck.- E o programa linguístico ainda não podia existir, pois tal como tu disseste, era a primeira vez que nos estávamos a encontrar com os Terrestres... - O programa podia existir...- advertiu Boomer, pensando furiosamente.- Talvez numa versão mais primitiva, o que podia explicar aquele sotaque horrível... - Pois...- acrescentou Sheba. - Os Terrestres agora falam com uma pronúncia e um sotaque que os faz parecer originários das Colónias... - Mas para o programa existir, eles tinham que ter tido acesso a alguém que falasse Koboliano...- continuou o Major, não notando sequer a interrupção. Esta sua capacidade de se abstrair de tudo e continuar com os seus raciocínios tinha sido um dos factores que tinha contribuído para que fosse escolhido para o cargo de Comandante Planetário, cargo esse que normalmente era ocupado por político. Aquela era como uma segunda vocação para ele, logo a seguir a ser um Guerreiro. Boomer ainda tinha estado na Academia como instrutor mas a sua capacidade para controlar e “enfrentar” salas cheias de Cadetes adolescente e irrequietos tinha-se revelado inferior às suas capacidades para resolver complexos problemas teóricos.- E como sabemos, a nossa língua não é fácil de falar, por isso ou tiveram que ter acesso a um grupo grande de pessoas durante pouco tempo ou a algumas pessoas durante muito tempo... - O que nos leva de volta ao facto de que eles já tinham que ter contacto com alguém que falasse Koboliano. - concluiu Starbuck quase que triunfalmente, acendendo outro fumarello e gesticulando com ele - ...se juntarmos a isso o que Lilith nós contou, não esquecendo no entanto o facto de que Iblis ser quem é, só podemos ficar com a ideia de que a Aliança tem muito que nos explicar! - Definitivamente, vou ter que falar com alguém da Aliança...- afirmou o Major, na mesma altura em que o dispositivo anti-escuta começou a emitir um sinal de aviso e a descer vagarosamente na direcção do tampo da secretária. Perante isto ele disse:- Bem, parece que vamos ter que mudar de assunto... - Agora que já te explicamos o que aconteceu, podes dizer-nos o que se passa com os Cylons? Qual é o ponto da situação?- perguntou a Capitã assim que o aparelho pousou. - E o que é podemos fazer para ajudar...- acrescentou Starbuck, fazendo com que os seus amigos olhassem para ele, visto que ele já tinha saído do Serviço. Perante esses olhares, ele levantou as mãos na direcção deles e gesticulando furiosamente continuou: - Esperem, esperem... Isto não quer dizer que eu quero voltar ao activo... Só que se calhar vocês podem precisar dos meus...talentos... digamos assim e nesse caso não me importo de ajudar! - Pois...- disse simplesmente Boomer sorrindo, tal como Sheba. Consultando depois o computador, viu algo que o fez franzir o sobrolho: - Por acaso, os teus “talentos” vão ser precisos, Starbuck... Com estas palavras, activou o sistema de projecção existente na secretária e o ar por si desta ficou subitamente cheio de estrelas. Uma pequena legenda no canto da imagem dizia que o local de origem da transmissão era o Estaleiro Espacial 1, um dos 13 existentes em órbita de Calisto, a lua de Éden. A câmara de onde ela estava a ter origem estava colocada sobre uma das estruturas superiores de suporte do estaleiro e mostrava por isso a parte da frente da Estrela-de- Batalha que aí estava a ser construída. E em frente desta, com o espaço como fundo, encontrava-se agora uma Nave-Base, a girar sobre si mesma, num movimento que lhe era característico. - Estou a ver que desta vez, eles cumpriram a promessa...- murmurou Boomer para si mesmo, não reparando no olhar de pânico trocado entre Starbuck e Sheba ao verem uma nave Cylon tão perto de Éden. Empurrando a cadeira para trás e pondo-se em pé, ele levantou-se e dirigindo-se para a porta do escritório, anunciou: - Vamos! Calisto está à nossa espera! - Boomer!!- disse Starbuck, enquanto se levantava da cadeira e apontava para a imagem não percebendo a descontracção do Major .- Aquilo ali é uma Nave-Base! Está uma Nave-Base em órbita de Éden! Onde é que estão os nossos Esquadrões de Def... - Starbuck... - murmurou a Capitã, puxando-lhe uma manga para lhe chamar a atenção e apontando também ela para a imagem. Vendo que não conseguia desta maneira, beliscou-o, o que fez com que ele finalmente olhasse para ela: - Starbuck...Aquilo é nosso! A Nave-Base é nossa! A câmara mostrava agora uma das faces da nave Cylon onde se podia ver uma enorme placa com o nome de Taurus, um dos heróis mitológicos de Caprica. Atrás dela a câmara começava também a captar uma autêntica procissão de naves Terrestres de todos os tamanhos. A 2ª Frota da Aliança tinha sido destacada para acompanhar a entrega da Nave-Base aos Coloniais e com o subsequente ataque surpresa dos Cylons, tinha recebido novas ordens, tendo agora como objectivo ajudar qualquer esforço feito pelas autoridades de Éden no sentido de deter o avanço dos alienígenas. - Vamos lá Starbuck! - incitou Boomer, fazendo sinal para que o seu amigo se despachasse. – Fecha a boca e anda dai…quero ver se eles conseguiram fazer as modificações que eu pedi! - Que modificações? - perguntou Sheba, enquanto que Starbuck saía do seu estado letárgico e se dirigia para a porta, seguindo a Capitã, mas sem deixar de apagar o seu fumarello no cinzeiro da mesa e acendendo um novo. - Acreditem que esta Nave-Base vai trazer centenas de surpresas aos Cylons! - respondeu o Major, enquanto se dirigia para a saída do seu escritório, perante o olhar atónito da sua secretária e dos Fuzileiros que estavam de guarda. - Continua - (apenas lixo abaixo)