Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ------------------------------------------------------------ ---- Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (possidonio24@hotmail.com) ------------------------------------------------------------ ---- "O Principio do Fim" - Parte 2 - CAPÍTULO 2 - COLÓNIA DE EDEN, ALIANÇA TERRESTRE SEDE DO COMANDO PLANETÁRIO DE DEFESA Ignorando os dois soldados que estavam de guarda à porta da sua sala, o Major Boomer dirigiu-se para April, a sua secretária. - April, eu vou estar fora por algumas horas. Se houver algum problema manda-me um sinal para o meu comunicador pessoal...- disse ele, falando numa voz baixa, de modo a que os soldados não o ouvissem. A mulher lançou-lhe um sorriso, apercebendo-se perfeitamente da ideia do seu patrão. - Presumo que não vai levar escolta....- murmurou ela no mesmo tom de voz de Boomer e passando-lhe discretamente uma chave para a mão. - Não, definitivamente não vou levar escolta.......- retorquiu o Major, sorrindo. Piscando o olho à mulher, dirigiu-se para a porta de saída do gabinete. Antes que conseguisse chegar lá, a voz de um dos soldados fez-se ouvir: - O Comandante precisa de escolta? - Não....- disse Boomer, não tirando a mão da maçaneta da porta e nem sequer se virando para trás.- Vou só dar uma volta até ao fundo do corredor..... Com estas palavras, e antes que o soldado tivesse oportunidade de dizer mais alguma coisa, o Major abriu a porta e saiu rapidamente. Num passo rápido dirigiu-se para o elevador do prédio e escolheu o piso da garagem. O elevador demorou apenas alguns microns a chegar ao piso desejado e ao sair nele, Boomer teve o cuidado de travar a porta do elevador, impedindo assim que alguém o chamasse. "- Isto deve atrasá-los um bocado...- pensou ele, com um sorriso nos lábios. Os soldados estavam a cumprir o seu dever, mas a verdade é que ele precisava de sair sozinho por uns momentos e descontrair. Avançando pelo meio dos diversos carros que ali estavam estacionados, encontrou rapidamente o carro de April. Com a chave que ela lhe tinha dado, abriu a porta e ligou o veículo. Com um som que lhe fazia lembrar sempre o barulho das turbinas de um Viper, as ventoinhas situadas por baixo do carro começaram a criar o colchão de ar que servia para manobrar o veículo. Assim que o surgiu o sinal de que o hovercarro estava a funcionar, Boomer manobrou-o para fora do seu local de estacionamento e dirigiu-se para a porta metálica que separava a garagem da rua. Os sensores instalados na porta detectaram a licença do veículo mas dispararam um alarme ao verem que o condutor do carro não correspondia ao perfil do dono que estava registado. Uma espécie de globo saiu de uma reentrância da parede e dirigiu-se para a porta do lado do condutor, mas antes que pudesse fazer os seus avisos, Boomer disse em voz alta na sua direcção: - Comando de emergência, código Boomer, Delta, Fox, seis, dois, um. Perante este comando, o globo recuou para o seu sítio de origem e a porta da garagem começou a abrir-se de imediato. Assim que viu o caminho livre, o Major acelerou a fundo e o hovercarro saiu da garagem a toda a velocidade, tomando a direcção do centro da cidade. Assim que chegou aí, Boomer ligou o computador de bordo do veículo e digitou o seu destino. O piloto automático tomou controle do veículo e rapidamente dirigiu-o para a auto-estrada que ligava a capital de Eden às outras cidades do planeta. Preparando-se para uma longa viagem, Boomer tirou do bolso do seu uniforme um computador pessoal e aproveitou para adiantar algum do seu trabalho. COLÓNIA DE STORM, UNIÃO DAS NAÇÕES MARCIANAS Havia passado um dia desde da série de acontecimentos que tinham abalado a vida da pacata cidade de Aurora. Toda a zona à volta do apartamento que tinha sido destruído havia sido isolada pela Polícia e pela Milícia Colonial. Os rumores voavam de um lado para o outro a uma velocidade alucinante. Em certos bares da cidade murmurava-se que a Milícia havia intervido porque tinham sido encontrados cinco ( ou quatro, dependendo da versão ) corpos com uniformes da Marinha Terrestre. Pelo menos duas pessoas juravam ter visto um aparelho voador a embater contra o último andar do prédio antes deste explodir. A própria Milícia ajudava a espalhar esses rumores, tentando assim esconder a descoberta que tinha sido feita. Assim que a Polícia tinha chegado ao local e começado a cercar o prédio, dois agentes tinham descoberto nas traseiras deste último os corpos de dois homens, estando ambos equipados com uma armadura pessoal desconhecida. Após esta descoberta, a Milícia tinha sido rapidamente chamada para recolher os corpos. A colónia tinha conseguido a sua independência à pouco menos de um ano e era do conhecimento geral que a Terra fazia de tudo para tornar a vida difícil às colónias que abandonavam a Aliança. Dentro desse "tudo" incluíam-se acções de sabotagem, assassinatos e coisas do género. Numa rua lateral, a alguns metros do local da explosão, tinham sido descobertos mais corpos. Segundo as informações que a Polícia tinha recolhido, os cadáveres pertenciam a um conhecido empresário, suspeito de uma série de crimes, e aos seus seguranças. A Polícia suspeitava de um ajuste de contas entre criminosos, não tendo ainda feito a ligação entre os dois casos, pois Hugo Martinez tinha o máximo cuidado em esconder a sua amante do resto do mundo. No beco onde Lilith tinha aparecido a Richard, os únicos vestígios desse encontro eram algumas manchas de sangue. A Polícia não tinha tido nenhum motivo para investigar essa zona e portanto as manchas passaram despercebidas, tendo sido rapidamente apagadas pelas constantes chuvadas que assolavam o planeta. As manchas partiam do sítio onde o corpo de Lilith tinha caído e iam até à entrada de um barracão que existia a meio do beco e que servia como depósito de lixo. Com um pequeno empurrão, Iblis abriu a porta do barracão, não se mostrando minimamente incomodado com o cheiro nauseabundo que emanava do interior. Fechando a porta atrás de si, parou por momentos, limitando-se a escutar. Aos poucos, por detrás do som da chuva e do som das viaturas que passavam pelas ruas, ele começou a ouvir o som de respiração. Abrindo a sua mão, com a palma para cima, concentrou-se durante alguns momentos, fazendo surgir uma pequena bola de luz que rapidamente foi aumentando de tamanho e subindo na direcção do tecto. Surpreendido pelo aparecimento da luz, algumas ratazanas fugiram na direcção da porta, passando pelo meio da pernas do Conde. Foi nessa altura que se ouviu uma voz de mulher, vinda de um monte de caixas de cartão que alguém tinha atirado contra o fundo do barracão: - Iblis, acabas de afugentar o meu jantar..... Com um rápido movimento das mãos, Iblis afastou os caixotes do seu local, deixando a mulher à vista. Esta encontrava-se encostada à parede, rodeada de uma série de restos de ratazanas e de outros pequenos animais. O seu corpo já estava parcialmente regenerado, embora o tronco e a cabeça ainda não estivessem coberto de pele. O Conde fitou-a por momentos, sem dizer nada. Ela tinha sido a terceira sobrevivente do "desastre" que os tinha trazido até aquela realidade e também tinha sido a única que se tinha recusado a seguir o caminho do Mal, tendo optado por seguir o seu caminho. Iblis e Satã sempre tinham sentido a sua presença ( um dos dons que tinham ), mas nunca se tinham dado ao trabalho de a procurar. É claro que agora a situação era diferente e eles precisavam da sua ajuda. - Como tens passado?- acabou Iblis por perguntar, sem sair do sítio. - Esplendidamente, como se pode ver...- respondeu ela, fazendo um gesto com a mão, abarcando o seu corpo e as imediações.- E agora, se não te importas, eu queria continuar com o meu sono de beleza..... - O teu sarcasmo continua na mesma.....- disse o Conde, olhando-a nos olhos e relembrando-se de outros tempos, em que ambos tinham partilhado algo que se poderia chamar de amor. - Que queres? Tenho a certeza que não vieste aqui para falar dos velhos tempos.- disse Lilith, lendo-lhe os pensamentos. - Precisamos da tua ajuda..... Ao dizer isto, Iblis abriu a sua mente a Lilith, revelando-lhe todos os pormenores do seu plano. A mulher ficou surpreendida, especialmente ao descobrir que já estava incluída em tudo, através do segredo que o seu amante humano lhe tinha revelado e pelo qual a haviam tentado matar. - Será que podemos conseguir?- acabou ela por dizer, recostando-se à parede. Com um sorriso nos lábios, o Conde retorquiu: - Estou a ver que estás disposta a ajudar-nos....... - É claro que sim! Se soubesse o quanto eu penso no que deixámos para trás...... - Muito bem....- disse Iblis sem partilhar que ele próprio também sentia essas saudades de casa.- Sendo assim, a primeira coisa que temos a fazer é sairmos daqui.. Com estas palavras, o Conde avançou e estendeu uma das suas mãos para Lilith. Sem qualquer hesitação a mulher, que durante milénios tinha evitado qualquer tipo de contacto com os seus companheiros de infortúnio, agarrou a mão que lhe era oferecida e os dois desaparecerem do barracão numa explosão de luz. COLÓNIA DE EDEN, ALIANÇA TERRESTRE ARREDORES DA CIDADE DE KARN Assim que o computador do hovercarro assinalou que se estava a aproximar do destino, Boomer pôs de lado os documento que estava a estudar e focou a sua atenção na cidade da qual se aproximava. Karn era a segunda maior cidade do planeta Eden. Era também o sítio onde a maior parte dos Coloniais se havia estabelecido, pois para já era a única cidade que existia perto do oceano. Este último pormenor havia atraído imensa gente pois água era uma coisa que sempre tinha sido racionada na Frota e só a vista daquela imensidão azulada era o bastante para encher de alegria o coração de muita gente. Na auto-estrada surgiu o desvio para a parte da cidade para onde Boomer queria ir e o hovercarro seguiu-o. A estrada passava directamente ao lado das enormes plantas de desalinização que os Coloniais haviam ajudado a construir assim que se tinham estabelecido em Eden. Um pouco mais à frente surgiram os reservatórios onde se guardava a água potável que saía das plantas e logo de seguida começaram a surgir os primeiro edifícios da cidade. A maior parte deles eram pequenos prédio de dois andares, com largas varandas viradas para a praia. Aliás, o maior edifício da cidade tinha apenas quatro andares e era exactamente para aí para onde ele se dirigia. O dito edifício ficava situado perto do oceano, numa pequena baía e tinha uma estrada própria. O hovercarro de Boomer seguiu-a, acabado por chegar ao parque de estacionamento que existia em frente do edifício. O parque estava completamente apinhado de hovercarros de todos os modelos e só ao fim de alguns centons de intensa procura é que Boomer conseguiu arranjar um local para estacionar. Fechando o veículo, Boomer seguiu na direcção da entrada principal do edifício, à porta da qual se encontrava um pequena multidão. O Major parou por momentos para fitar o edifício. Este tinha a forma de uma pirâmide, tal como aquelas que eles tinham encontrado em Kobol, ou como aquelas que os Terrestres tinham no seu planeta natal. Estava pintada num tom azul claro, que contrastava abertamente com o anúncio luminoso vermelho que anunciava o nome do clube: " A PIRÂMIDE" - Típico....- pensou Boomer, conseguindo finalmente chegar à beira de um dos porteiros. - Boa-noite...- começou o homem a dizer, sem levantar a cara da lista de reservas que tinha à sua frente. Quando o fez e viu quem tinha à sua frente, empalideceu um pouco e apressadamente pôs-se em sentido e saudou Boomer. - Á vontade, Kyle....- disse o Major, reconhecendo o homem como um dos Guerreiros da Esquadrilha Verde que tinha sido gravemente ferido durante a última batalha contra Cylons.- Afinal de contas, agora és um civil..... O homem sorriu embaraçadamente e baixou o braço, não deixando no entanto de ficar em sentido. - O que o traz aqui, meu Major?- acabou ele por perguntar. - Vim fazer uma pequena visita social.....- respondeu Boomer simplesmente. - Presumo então que não tenha reservado mesa.... - Não, eu vinha fazer uma surpresa ao dono.... Com um olhar rápido para ver se nenhuma das outras pessoas que estava ali reparava, o porteiro abriu a porta de entrada e fez sinal para Boomer entrar, dizendo: - Por aqui, se faz favor. - Obrigado...- disse o Major, seguindo-o pelo "hall" de entrada. Uma pequena planta do edifício indicava como este estava dividido. No andar onde estavam ficava o restaurante, no segundo andar ficava o casino e os outros dois eram de serviço. Ao fundo do hall, que estava todo decorado com plantas que Boomer reconheceu como sendo originárias das Colónias, existia uma outra porta que dava acesso à sala de jantar propriamente dita. Kyle abriu a porta e indicou a Boomer onde este podia encontrar o dono do clube. Agradecendo-lhe mais uma vez, o Major avançou rapidamente pelo meio das mesas, evitando os criados que passavam com as travessas de comida. "Antigamente, nem num yahren víamos assim tanta comida...."- pensou ele, deitando o olhar para uma das mesas, onde um casal e duas crianças se deleitavam com um prato típico de Caprica. Continuando o seu caminho, Boomer acabou por chegar ao bar que existia ao fundo da sala de jantar. Antes que pudesse perguntar alguma coisas, os seus olhos detectaram a pessoa que procurava, que estava de costas para ele, falando com alguns clientes que tinham acabado de pagar a conta. Aproximando-se vagarosamente, até estar a alguns passos dele, disse em voz alta: - Ouvi dizer que o dono disto é um aldrabão..... - Que coincidência, eu também.....- respondeu Starbuck, virando-se com um grande sorriso estampado no rosto. Os dois antigos companheiros de esquadrilha abraçaram-se por momentos e a emoção apossou-se deles. - Há quanto tempo.....- acabou Starbuck por dizer, largando o Major.- Já se passou pelo menos um yahren desde da última vez que nos vimos.... - Exactamente....- retorquiu Boomer, com um sorriso.- Como está a Cassiopeia? - Vamos já vê-la....- disse Starbuck, retirando de um dos bolsos do seu casaco dois fumarellos, oferecendo um deles ao outro homem, que aceitou, e acendendo-os de imediato. - São feitos onde?- perguntou o Major, assim que começou a fumar.- Já não são daqueles da tua plantação secreta, pois não? - É claro que não.....- respondeu Starbuck, lembrando-se de como tinha convencido um dos tripulantes de uma das naves agrícolas da Frota a plantar e manter um pequeno jardim de onde ele tirava a "matéria-prima" para os seus fumarellos.- Isto agora é muito mais avançado. É uma mistura de tabaco terrestre e de Aquaria.... - E ainda não pensaste em comercializar isto? Com um sorriso, Starbuck retirou do bolso do casaco a embalagem de onde tinha tirado os fumarellos e mostrou-a a Boomer. A embalagem era completamente azul, excepto por um círculo branco onde se podia ler, em letras pretas garrafais, "COLONIAIS". - Quem é que inventou este nome?- perguntou Boomer, incrédulo. - Fui eu, é claro....- respondeu Starbuck, enquanto chegavam a um elevador de serviço que existia junto do bar.- Sabes perfeitamente como os Terrestres são malucos por coisas das Colónias..... Este último comentário arrancou uma gargalhada de Boomer. Como Comandante da Defesa Planetária ele tinha que enfrentar, quase todos os dias, uma série de pedidos das mais variadas colónias terrestres e respectivos Governos. É claro que a maior parte deles queria apenas tecnologia militar, especialmente Vipers mas não só. Como que a adivinhar o que o Major estava a pensar, Starbuck perguntou: - E o teu trabalho, como vai? - Nem queiras saber......- começou Boomer a dizer, acabando por fazer um resumo geral do seu dia a dia, salientando especialmente o facto de que o seu interlocutor humano, o Major Michael Resnick era profundamente xenófobo, sendo evidente o seu desprezo por "extraterrestres", especialmente aqueles que tinham pele escura. - Eu quando o vi disse logo que ele ia trazer sarilhos...- relembrou Starbuck. Ele tinha conhecido o dito Major na cerimónia em que a Aliança Terrestre tinha oferecido aquele planeta aos Coloniais para estes se estabelecerem. Essa também tinha sido a última cerimónia oficial em que Starbuck tinha comparecido como Guerreiro. Os dois homens continuaram a conversar, até à altura em o elevador parou no quarto andar, no topo da pirâmide. Assim que a porta se abriu, Boomer pensou que tinha sido transportado de novo para as Colónias, pois a decoração do apartamento tinha sido feita nesse estilo, tendo a influência de quase todas. De um pequeno quarto lateral ouvia-se o choro de uma criança e passados alguns microns, vinda de lá, surgiu Cassiopeia com um bebé ao colo. - Dá próxima vez vais ser tu a dar-lhe banho.....- disse ela para Starbuck, fingindo um ar reprovador. Virando-se de seguida para Boomer, esboçou um sorriso e disse: - Estava a ver que estavas chateado connosco..... - É claro que não, Cassiopeia....- respondeu ele, cumprimentando-a.- O meu problema é o trabalho.....não tenho tempo.... - Nem tu, nem o Apollo, nem o Jolly....- disse ela, retomando o seu ar reprovador.- Mas isso agora não interessa....o que interessa é que estás aqui.... - Olá.....- disse Starbuck, pegando na sua filha por debaixo dos braços e levantando-a no ar. A criança fitou com os seus olhos azuis e começou a sorrir, esticando os seus braçinhos para a cara do pai. - Ele tem jeito para aquilo.- disse Boomer para Cassiopeia, enquanto o antigo Guerreiro brincava com a filha. - Mas afinal, o que te traz aqui?- perguntou Starbuck, sem deixar de brincar com Palias.- Tenho a certeza que não foi só uma visita social..... O Major esboçou um sorriso triste e disse para os dois anfitriões: - Fui assim tão evidente? - A pasta que trazes na mão é um bom indício.....- respondeu Starbuck, enquanto se dirigia para a mesa que existia no centro da sala. Pousando Palias à sua frente, deu-lhe um boneco para as mãos e fez sinal a Boomer para este se sentar. O Major assim fez, enquanto Cassiopeia se dirigiu para a cozinha para ir buscar algo para beber. Boomer fitou o boneco com que Palias brincava e um ar de espanto ficou estampando na sua cara. - É mais um dos teus produtos??- acabou ele por perguntar, apontando para o daggit de plástico que a filha de Starbuck mordiscava. - Claro...- respondeu Starbuck com um sorriso.- E já tenho planos para começar a criação de daggits verdadeiros. A maior parte das famílias coloniais querem ter um.... - Eu pensei que eles tinham morrido todos......Que não havia nenhum vestígio deles.... - Vivo não, mas nos bancos criogénicos de uma das naves de ciência estavam os corpos de dois. Agora é só uma questão de clonar algumas células.... - Mas nós não temos esse tipo de tecnologia...- interrompeu-o Boomer. Durante a missão em Arcta, ainda tinha havido a esperança de que o Doutor Ravashol, o criador de uma comunidade de clones humanos, acompanhasse a Frota, mas a verdade é que ele tinha preferido ficar com as suas criações no planeta. - Nós não, mas os Terrestres sim....Foi só questão de arranjar um sócio, fazer um estudo de mercado..... - Pareces um verdadeiro comerciante a falar, Starbuck.... O antigo Guerreiro nada disse, limitando-se a sorrir. Boomer aproveitou essa pausa, apagou o que restava do seu fumarello, e abriu a pasta que trazia com ele. Tirando de lá um pequeno cristal de gravação, inseriu-o no seu computador pessoal e escolheu a opção que queria. De imediato uma imagem tridimensional surgiu no ar à frente dele. Starbuck lançou um pequeno assobio ao ver do que se tratava. Cassiopeia voltou à sala naquela altura, trazendo na mão uma bandeja com refrescos e também ela ficou a olhar para a imagem. Palia largou o daggit e estendeu uma das mãos para a imagem, mas ao ver que não a conseguia apanhar voltou a pegar no boneco, levando-o de novo à boca. - O Apollo sempre conseguiu concretizar o seu sonho......- acabou Starbuck por dizer. - Exactamente. Diante de vós está a imagem do Viper MK II, classe Scarlet.- disse o Major, fazendo a imagem girar.- Vai ser este o novo caça da Frota. - Muito bem.....- disse Starbuck, deitando um olhar de conhecedor ao novo Viper.- Estou a ver que lhe meteram mais turbolasers, quatro nas asas laterais e um outro na asa dorsal..... - As asas não estão ao contrário?- perguntou Cassiopeia, espreitando para a imagem. - Sim e também estão um pouco mais curtas....- respondeu Boomer, bebendo um pouco de refresco.- Isso e as novas saídas dos motores permitem que este Viper seja muito mais manobrável..... - E cabem nos tubos de lançamento?- perguntou Starbuck, pegando também num copo e estendendo a mão para amparar Palias que se estava a tentar pôr em pé. - Em relação aos da Galactica, só precisamos de fazer algumas modificações em relação à altura...- disse o Major, enquanto acompanhava os esforços da criança.- A nova Estrela-de-Batalha já vai ter os seus tubos de lançamento prontos para esta classe de Vipers. Starbuck segurou a filha que começou a cair e desviou o olhar do Viper. Ele sabia perfeitamente que por detrás daquela apresentação havia uma segunda intenção. - Vocês já têm tripulação para a outra Estrela?- perguntou ele, desviando a conversa para outro assunto. Boomer começou a rir-se e bebeu mais um bocado de refresco. - Neste momento o que temos mais são tripulantes....- acabou ele por responder. - A Academia está a abarrotar com futuros Guerreiros.....O Croft está a deliciar-se com o trabalho que está a ter. - De onde é que vieram todos esses voluntários?- perguntou Cassiopeia, bebendo também ela um refresco. - A maior parte deles são dos Filhos do Espaço.....- pelo tom de voz de Boomer, o casal percebeu que ele não tinha uma grande opinião sobre os membros dessa seita.- O Sire Digor deu ordens para que todos os Filhos do Espaço que estivessem na idade certa se apresentassem na Academia.... - Eles ainda estão com a aquela mania de continuar a viagem?- perguntou o marido de Cassiopeia, enquanto pegava em Palias ao colo. - Oficialmente não....- respondeu Boomer, não dizendo mais nada. - E não oficialmente?- insistiu Starbuck, vendo a hesitação do seu antigo companheiro de Esquadrilha. - Segundo Athena, Sire Digor já afastou todos aqueles que ainda continuavam com essa ideia. Starbuck ainda pensou em perguntar se eram verdadeiros aqueles rumores que diziam que Athena e Sire Digor tinham um caso. Não é que ele se importasse muito com isso, mas a verdade é que estava curioso. É claro que Cassiopeia não iria apreciar a pergunta e por isso ele optou por lançar outra pergunta: - E em relação aos Cylons? Sabe-se mais alguma coisa? - Não....- disse Boomer, encolhendo os ombros.- Os Terrestres minaram a passagem na cintura e estabeleceram uma série de linhas de defesa. - Mas a Nave-Base mandou ou não uma mensagem? - Nunca se conseguiu descobrir. Os Cylons destruíram a maior parte dos seus sistemas assim que os Fuzileiros Terrestres abordaram a Nave-Base. - E a Nave-Base propriamente dita?- perguntou Cassiopeia. - Os Terrestres estão a acabar de a estudar e reparar. Eles ficaram extremamente espantados com o poder dos Mega-Pulsares e estão a tentar adaptá-los às suas naves.... Cassiopeia levantou-se nessa altura e silenciosamente aproximou-se do seu marido pois Palias tinha acabado por adormecer encostada ao ombro do pai, continuando agarrada ao seu daggit. Com cuidado pegou na criança e murmurou aos dois homens que ia pôr a criança a dormir. Boomer aproveitou a ocasião para se despedir dela e anunciar que se ia embora, pois ainda precisava de fazer a viagem de volta. - Eu acompanho-te até lá baixo....- disse Starbuck, conduzindo o seu amigo para o elevador. Assim que as portas deste se fecharam, o antigo Capitão virou-se para o Major e perguntou: - Porque é que trouxeste as imagens do Viper? - Porque precisamos de um piloto que seja capaz de o testar a fundo. Ele já passou todos testes, mas mesmo assim precisamos de mais provas.... - Foi o Apollo que teve a ideia? - Sim.... Starbuck começou a rir-se, pois já tinha adivinhado a resposta. - Mas olha que da última vez que experimentei um Viper novo, quase que fiquei sem ele, além de ter ficado sem toda aquela Ambrosia que estava no cais de embarque da prisão..... Boomer teve soltar uma gargalhada ao lembrar-se da cara que Starbuck tinha feito, ao contar o que os prisioneiros do asteróide Proteus eram obrigados a fabricar: Ambrosia da melhor qualidade. - Aceitas ou não....- acabou o Major por perguntar quando finalmente chegaram ao andar do restaurante.- Fazias um grande favor à Frota..... Starbuck parou por momentos, fitando o seu amigo. O seu semblante ficou carregado por momentos até que ele fez um gesto com o braço, indicando toda a sala de jantar que estava a abarrotar de clientes. - Isto agora é a minha vida, Boomer....- disse ele.- Tenho mulher e uma filha e quero passar tempo com elas.... - Starbuck, a paz não vai durar para sempre....- retorquiu o outro.- Os Cylons não vão desistir de nos procurar..... - Eu sei disso.....- respondeu o antigo Capitão num tom desanimado.- ...mas para já quero viver sem preocupações.... - Muito bem, eu não vou discutir contigo por causa disto...- disse Boomer e os dois homens dirigiram-se para a saída. Na altura em que estavam junto da porta e a despedirem-se, o Major abriu a sua pasta e retirou de lá o cristal com os dados e imagens do novo Viper. Hesitando por momentos, acabou por o colocar na mão esquerda de Starbuck, dizendo: - Pensa no assunto, está bem? O outro acenou que sim com a cabeça e colocou o cristal num dos bolsos das suas calças. Assim que Boomer virou costas ao amigo, dirigindo-se para o carro, Starbuck pegou no cristal e ficou a admirá-lo por momentos. Apesar do seu discurso, a verdade é que um pequena voz dentro da sua mente dizia-lhe para aceder ao pedido de Boomer e ao menos pensar no assunto. Ele decidiu adiar a questão e voltou a guardar o cristal, embrenhando-se depois nos assuntos da gerência do mais famoso clube de Karn. É claro que a pequena voz não se calou, ganhando até cada vez mais força. CINTURA DE ASTEROÍDES ENTRE MARTE E JÚPITER Assim que o vaivém deixou a Baía de Lançamento, tomando a direcção do asteróide Janos, Apollo levantou-se e rumou até ao local onde a sua irmã estava. Athena estava debruçada sobre uma série de papeis e sobre o seu computador pessoal, consultando uma série de dados essenciais para a reunião com os Terrestres. Apollo ainda achava um pouco estranho ver a sua irmã vestida com as roupas de Presidente do Conselho dos Doze e não com o uniforme azul dos oficiais da Ponte. Apercebendo-se da presença do irmão, Athena levantou a cabeça e perguntou: - Há algum problema? - Não....- disse o Comandante, sentando-se junto dela antes de continuar.- Hoje não trouxeste companhia? - O Digor preferiu ficar na Galactica....- disse Athena, voltando de novo a sua atenção para os papéis. Perante o silêncio do irmão ela murmurou: - Espero que não comeces com um daqueles discursos do tipo "...ele é muito novo para ti..." ou então "estás a cometer um erro".... Apollo levantou os braços em sinal de resignação e disse: - Eu fazia esses discursos se soubesse que tu lhes prestavas atenção..... Athena pousou os papéis e virou-se de forma a encarar o irmão. Fazendo um esforço para se controlar, disse: - Começo a ficar farta dessa vossa atitude em relação ao Digor. Se não fosse por ele, a Frota estaria agora nas mãos do Sire Trolius... - Athena, sabes perfeitamente que eu nunca questionei esse facto.... - Já sei que o problema é a idade dele, mas para ser sincera nem tu nem o pai se preocuparam com isso quando eu namorei com o Starbuck! - Mas o Starbuck tem a minha idade.....- disse Apollo, não percebendo onde é que a irmã queria chegar. - Pois, mas em termos de mentalidade acho que até o Boxey era mais velho que ele....- Athena apercebeu-se da cara com que o irmão tinha ficado quando ela falara em Boxey e prontamente tentou corrigir o erro.- Desculpa Apollo, eu não te queria magoar.... - Deixa estar...- interrompeu Apollo, levantando-se.- Eu é que não te devia ter perguntado nada. Já tens idade para saber o que fazes.... Com estas palavras o Comandante dirigiu-se para a cabina de pilotagem. Athena ainda pensou em chamá-lo, mas a verdade é que decidiu não o fazer. As desculpas ficariam para mais tarde. Para já ela tinha que tratar de outros assuntos e, além do mais, já estava a ficar farta dos olhares e das "conversas" que as pessoas tinham sempre que o assunto da sua relação com Digor surgia. Pensando assim, voltou de novo a sua atenção para os dados que tinha à frente. ASTEROÍDE CERES, SEDE DA CORPORAÇÃO DA CINTURA - .....e afirmando novamente a nossa união convosco, passo a palavra ao meu irmão, o Comandante Apollo...- com estas palavras Athena terminou o seu discurso perante os delegados das diferentes potências terrestres e sentou-se. Apollo tomou o lugar dela no pódio e aproveitou o facto de alguns delegados ainda estarem a aplaudir para por em ordem os seus apontamentos. Ele tinha a certeza de que aquilo que tinha para dizer não seria bem aceite por todos e era por isso que tinha deixado a sua irmã "preparar" o terreno. Quando os aplausos acabaram, o Comandante fitou a assistência e começou a falar, escolhendo como língua o Inglês pois queria que todos compreendessem com clareza o que iria dizer. - Tal como a Presidente Athena disse, os nosso dois povos estão unidos e nós temos uma dívida de gratidão para convosco por nos terem acolhido tão abertamente.....- começou ele a dizer, parando por momentos antes de passar para a parte problemática da questão: - Pela nossa parte temos feito o possível para pagar tal dívida, nomeadamente através da partilha da nossa tecnologia. Essa partilha tem sido feita com igualdade, pois não queremos provocar nenhum desequilíbrio entre as diversas forças humanas..... Parando novamente o discurso, Apollo fitou abertamente os delegados da União das Nações Marcianas e da Aliança Terrestre, as duas forças que lutavam pela supremacia no Sistema Solar. Era por causa dessa rivalidade que as reuniões de trabalho tinham de ser feitas naquele local, na sede de única entidade a quem a Aliança Terrestre tinha concedido a independência de livre vontade. - ...Apesar desta nossa boa vontade, a verdade é que têm surgido problemas...- prosseguiu ele, consultando os seus apontamentos.-....a Nave-Base capturada pela Aliança ainda está a ser "estudada", apesar de nos ter sido prometida à mais de cinco dos vossos meses.... - Comandante Apollo!- interrompeu um dos delegados militares da Aliança.- Como já deve ter sido informado, os técnicos da Marinha ainda estão a tentar aceder a todas as informações do computador central da Nave-Base..... - Provavelmente para obterem informações sobre novas armas que possam aplicar contra o povo da União....- disse por sua vez um dos delegados da União, perante os gestos de assentimento dos seus companheiros. - Ainda bem que referiu esse factor das "novas armas"...- disse Apollo, retomando o controle da discussão.- Como todos devem saber, nos fornecemos a cada uma das potências terrestres um Viper, completamente equipado. Achamos que os nossos caças poderiam trazer algo de novo aos vossos estudos aeronáuticos e pelo vistos estávamos certos pois, há pouco tempo atrás, o Embaixador da União em Eden ofereceu uma soma enorme de dinheiro ao nosso Comandante Planetário de Defesa em troca de 100 Vipers.... Perante esta revelação uma série de protestos fizeram-se ouvir, tanto da parte dos delegados da União como dos da Aliança, virando-se estes últimos para os seus inimigos. Apollo aproveitou a pausa para descansar um pouco pois a pior parte ainda estava para vir. Assim que os ânimos se acalmaram ele continuou a falar: - Mas o facto mais grave que surgiu até agora foi a tentativa de sabotagem que ocorreu ontem no estaleiro espacial onde a Corporação está a construir a nossa terceira Estrela-de-Batalha...... Apollo parou e perscrutou as faces dos seus ouvintes, vendo sinais de consternação em algumas delas. Inserindo um cristal no aparelho embutido no pódio, Apollo fez surgir um holograma no centro da sala, à vista de todos os presentes. A imagem mostrava dois corpos completamente carbonizados e irreconhecíveis. - Estes dois indivíduos foram abatidos por elementos da Segurança da Corporação quando estavam a tentar colocar duas cargas nucleares no casco da Estrela-de-Batalha. Aparentemente estavam equipados com mecanismos de autodestruição pois assim que foram alvejados rebentaram em chamas...... Para tentar evitar mais acidentes deste tipo, enviei cinquenta Guerreiros para ajudar a manter a segurança nas instalações..... - E nós reforçamos o contigente de Seguranças no estaleiro......- disse o representante da Corporação, pedindo licença a Apollo para falar. - Se surgir mais algum incidente do género, teremos que fechar toda essa zona do espaço a qualquer tipo de tráfego, incluindo o da Marinha da Aliança e da União..... Esta última declaração levantou um novo coro de protestos, mas a verdade é que eles rapidamente esmoreceram e o Comandante aproveitou a ocasião para continuar: - Não sei se os factos estão relacionados, mas a verdade é que ultimamente tem surgido uma série de movimentos que defendem que nós devíamos continuar a nossa viagem e deixar a "Humanidade" em paz. Que a nossa presença aqui só serve para atrair os Cylons......As pessoas que fazem esse tipo de declarações esquecem-se de que mais tarde ou mais cedo os Cylons iriam chegar ao espaço Terrestre, pois são expansionistas e estão sempre à procura de raças para subjugar. - Mas sem vocês aqui talvez eles nos deixassem em paz....- disse um dos representantes da Liga das Nações Não-Alinhadas, a organização que agrupava uma série de ex-colónias Terrestres que tinham obtido a independência através da guerra mas que por serem pobres tinham continuado a manter laços económicos com o Sistema Solar. O delegado era um membro do Senado de Lacrima, sendo o principal porta-voz de todos aqueles que estavam contra a presença dos Coloniais.- Talvez pudéssemos chegar a algum acordo com eles...... Apollo já estava à espera daquela declaração pois o Senador estava sempre a repeti-la. Pegando num novo cristal, inseriu-o no lugar do outro. Uma nova imagem encheu o ar no centro da sala. - Tal como já foi dito várias vezes, nós e vocês, Coloniais e Terrestres, temos antepassados comuns. Geneticamente somos iguais....somos tão Humanos como vocês.....- enquanto dizia isto, Apollo fez rodar o holograma, cuja a imagem mostrava as semelhanças e diferenças, quer internas quer externas, entre Terrestres e Coloniais. Assim que passou os dados, parou o holograma e retirou o cristal, colocando outro no aparelho.- Pode ter a certeza de que os Cylons irão aplicar o Édito de Extermínio deles sobre todos nós.... Com estas palavras, o Comandante accionou a nova série de hologramas e retomou o seu discurso: - Em relação a essa ideia de "chegar a algum acordo" com os Cylons, nós também pensamos nela e tenho a certeza de que todos vocês já conhecem os resultados.... Os hologramas tinham sido retirados das transmissões televisivas das Doze Colónias captadas pela Galactica durante a Conferência de Cimtar e mostravam o princípio do traiçoeiro ataque Cylons às Colónias. A seguir surgiram uma série de imagens captadas por Vipers e por civis depois do ataque, mostrando a devastação de várias Colónias. Aquelas imagens e outras tinham sido constantemente repetidas pelos meios de comunicação Terrestre como forma de sensibilizar a população em relação aos Coloniais. Apollo sentiu um aperto no coração ao rever todas aquelas imagens e teve de se controlar para terminar a sua intervenção: - Neste ataque eu perdi a minha mãe e o meu irmão mais novo..... Para além deles perdi uma série de amigos, a minha mulher e muitos outras pessoas que conhecia... Todas as pessoas que fizeram a viagem com a Frota choram por alguém que perderam. Se os Cylons chegaram aqui e a Humanidade não estiver preparada para os enfrentar podem ter a certeza de que não haverá ninguém para chorar os mortos pois os Cylons não descansarão até o último dos Humanos estar extinto. Temos que acabar com as divisões entre nós..... Não se dando ao trabalho de desligar as imagens da destruição das Doze Colónias, Apollo reuniu os seus apontamentos e dirigiu-se para o seu lugar. O representante da Corporação aproveitou a ocasião para sugerir uma pequena pausa nos trabalhos, o que foi rapidamente aceite por todos os participantes. Ao desligar o aparelho de projecção, a última imagem que ficou momentaneamente suspensa no ar, foi o rosto de Serina na altura em que o Cidade de Caprica começava a ser atacada pelos Cylons. O Comandante sentiu novamente o aperto no coração ao ver aquela imagem momentânea da sua falecida mulher. Ele nem sequer se lembrava de ter incluído aquela parte da transmissão televisiva no cristal. Apesar de já se terem passado alguns yahrens ele ainda sentia falta de Serina. É claro que o seu amor ia para Sheba, mas mesmo assim não ficou surpreso ao sentir o sabor salgado das lágrimas que lhe escorriam pelo rosto. Ao limpar discretamente o rosto com a mão, lembrou-se de que Sheba também estava na sala de conferências e procurou-a com o olhar, encontrando-a a fitá-lo com um ar amargurado. Na altura em que se ia a levantar para falar com ela, a Capitã levantou-se e saiu rapidamente da sala. Sheba tinha visto Apollo chorar e sabia perfeitamente a razão disso. A imagem tridimensional da ex-mulher do Comandante tinha ficado a pairar no ar, como se de um fantasma se tratasse, durante alguns microns. É claro que ele podia ter chorado ao lembrar-se de Zac ou da sua mãe, mas ela conhecia-o melhor que isso. Apollo ainda não tinha conseguido afastar a imagem de Serina da sua mente. Apesar de todas as provas de amor que Sheba já lhe tinha dado, a verdade é que ele ainda continuava agarrado ao passado. Ela tinha a impressão de que estava sempre a competir com o fantasma de Serina. Mesmo que se Unissem, ela não tinha a certeza de que Apollo o estaria a fazer com todo o coração. Cerrando os punhos, Sheba deixou um sentimento de raiva inundá-la. Apollo mostrava que a amava mas mesmo assim não conseguia esconder que ainda pensava na ex-mulher. Mais de que uma vez, Sheba tinha-o apanhado a ver cristais com imagens do seu tempo de casado, mas tinha sempre pensado que isso era uma fase que Apollo iria ultrapassar. Agora não tinha tanta certeza disso. "Maldita a altura em que me ofereci para pilotar o vaivém até aqui......", pensou ela para si mesma, continuando a caminhar por um dos corredores do asteróide, em direcção ao pequeno bar reservado ás delegações. As suas unhas começaram a romper a pele das mãos, tanta era a força que ela fazia, mas apesar da dor que isso provocava, ela não conseguiu conter as lágrimas que inundavam os seus olhos. Rapidamente o seu sentimento de raiva começou a ser suplantado pelo desespero. Desespero por um amor que ela duvidada que alguma vez fosse completamente correspondido........ - Continua -