Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ------------------------------------------------------------ Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (possidonio24@hotmail.com) ------------------------------------------------------------ "O Principio do Fim" - Parte 2 - CAPÍTULO 6 - COLÓNIA DE LAVOS-306, ALIANÇA TERRESTRE Kristiane Lockhart tentou fazer o mínimo de barulho ao entrar em casa. Um comando sussurrado tinha avisado a I.A. da casa para não ligar as luzes. Avançando às escuras por uma sala que conhecia perfeitamente, Kristiane dirigiu-se para o seu quarto. Tendo cuidado para não bater com a sua espingarda e mochila em nada, abriu a porta e pousou o equipamento num canto. Dirigindo-se para a casa-de-banho, ordenou à I.A. que lhe preparasse um banho de imersão bem quente. Enquanto a banheira se enchia de água, Kristiane despiu-se, pondo a sua farda da Guarda Planetária a lavar, pois esta estava cheia de lama. As manobras daquela semana tinham consistido sobretudo em escavar trincheiras. Numa altura em que a maior parte das guerras eram travadas carregando em botões, os membros da Guarda estavam a ser ensinados a escavar trincheiras para se defenderem.... Ponderando aquela situação irónica, ela vestiu um roupão, saiu do quarto e dirigiu-se para o quarto de Anne para dar uma espreitadela. - Podes entrar, eu ainda não estou a dormir.....- ouviu ela, assim que se aproximou da porta. Entreabrindo-a, meteu a cabeça e viu que a filha estava deitada na cama a ler um livro. - A que horas é que deitaste? - Estive à tua espera para jantar.....- respondeu Anne, pousando o livro sobre os lençóis. “ Já sabia que ela me ia atirar isto à cara....”, pensou Krisitiane, lançando um pequeno suspiro. As conversas delas acabavam sempre em discussão e ela não estava com disposição para isso.... - Ao menos podias ter avisado que as manobras iam ser prolongadas.....- insistiu Anne, com um certo tom de irritação.- É muito triste saber as coisas através da televisão..... - Sabes perfeitamente que eu não posso comunicar com o exterior........- respondeu ela, tentando não agravar a situação. - Até parece que estás no Exército ou na Marinha! Vocês são só civis a brincar aos soldados! Kristiane mais uma vez não respondeu. Anne tinha dito algo que era verdade. Por mais que se esforçassem e por mais berros que os instrutores dessem, todos os soldados da Guarda Planetária sabiam que nunca conseguiriam alcançar os níveis de perfeição das tropas profissionais da Aliança. Os treinos aos fins-de-semana não conseguiam reproduzir os mesmos resultados de anos de treino a sério. - Anne, eu estou muito cansada e sem disposição para estar a discutir....- acabou Kristiane por dizer.- Tens razão, eu devia ter dito alguma coisa mas a verdade é que eu não podia. Dorme bem, amanhã falamos. Sem esperar pela resposta da filha, fechou a porta e dirigiu-se para o seu quarto, onde a banheira já estava cheia de água quente. Tirando o roupão, entrou para o banho e deitou-se, tentando relaxar. Pela segunda vez naquele mês, ela tinha recebido uma comunicação da Terra. Havia várias Universidades Terrestres que estavam interessadas em ter os seus serviços de bióloga, oferecendo-lhe todas as condições para que ela continuasse as suas investigações lá. Talvez uma mudança de ambiente, e de planeta, fosse benéfica para ambas.... ALGURES NA ZONA DA CINTURA DE ASTERÓIDES A tripulação das várias naves da patrulha começavam a exibir sinais de cansaço, o que seria de esperar após quase 48 horas em regime de alerta total. Depois da segunda tentativa de ultrapassar a cintura, o único sinal dos Cylons tinha sido o facto de que todas as sondas que os Terrestres tinham mandado para o outro lado terem sido destruídas. “Não há sinais do inimigo?”, perguntou o Comandante Hans Zimmer à I.A. “Não, Comandante. A passagem continua bloqueada por destroços e ainda não houve qualquer tentativa para a limpar” “Penso que está na altura de nos retirarmos!”, disse Zimmer. ”Quanto tempo é que demorará a chegarem os reforços?” “Segundo a mensagem que recebemos, os reforços devem chegar dentro de aproximadamente 10 minutos” O Comandante sentiu uma enorme vontade de insultar alguém por causa da situação. O Grupo de Resposta Rápida da Marinha tinha demorado quase dois dias a chegar e isso na sua opinião era inadmissível. Ainda bem que eles se tinham deparado com o inimigo numa zona já preparada para isso. Se não fossem aquelas benditas minas.... “Informa o resto da patrulha que assim que o Grupo chegar, iremos voltar para a Base Naval de Lavos-305 para nos reabastecermos.” “Sim, senhor!” Recostando-se na sua cadeira, Hans Zimmer fechou momentaneamente os olhos, reflectindo sobre os acontecimentos daqueles últimos dias. No seu íntimo tinha a certeza de que os Cylons ainda estavam algures do outro lado, à espera de uma oportunidade para atravessarem a Cintura. Essa “certeza” só aumentava a sua resolução em reabastecer a patrulha o mais depressa possível e voltar para aquela zona. Quando os Cylons tornassem a atacar, ele queria estar pronto para os combater... SECTOR 15893 DO IMPÉRIO CYLON Ao contrário do seu antigo Comandante e da maior parte dos outros Comandantes das Naves-Base, o Comandante desta não tinha instalado nenhum estilo de pedestal na Ponte, pois não sentia nenhum complexo de inferioridade em relação aos seus Superiores nem nenhuma vontade de mostrar a sua superioridade em relação aos seus subordinados. Além do mais ele já tinha visto, inúmeras vezes, os Comandantes a caírem desses pedestais quando as Naves-Base faziam manobras bruscas ou eram atingidas. “E de certeza que os nossos corpos não foram projectados para aguentar quedas...”, pensou o Cylon da Série IL para si mesmo. Ele tinha-se habituado a ter aqueles monólogos internos a partir do momento em que tinha estado sob as ordens do Colonial conhecido como Baltar. Esse seu hábito tinha-se revelado óptimo para escapar às ocasiões em que Baltar começava a discursar pomposamente, normalmente para jurar vingança contra Adama e a Frota. E falar para si mesmo era também uma boa maneira de imitar aquilo a que os Humanos chamavam “pensar”. “O que é que terá acontecido a Baltar?”, inquiriu Lúcifer, numa pergunta meramente retórica, pois a verdade é que não tinha muita curiosidade em saber a resposta. As forças que continuavam a perseguição da Frota Colonial estavam agora sob o seu Comando. O Líder Imperial tinha-lhe confiado aquela missão e plenos poderes para acabar com o que restava da resistência das Colónias. É claro que a missão não era muito fácil, pois tinham passado uma série de yahrens desde da última vez em que o Império tinha enfrentado a Galactica. Lúcifer tinha seguido com as suas forças para o sector onde tinha havido esse último confronto, mas não tinha encontrado nenhuma rasto concreto da Frota a não ser os destroços de uma Nave-Base destruída. O sector em questão era uma das regiões mais afastadas do centro do Império, não merecendo muita atenção por parte do planeta Cylon. Era um sector para onde se mandavam Naves-Base em fim de serviço e Centuriões que se tinham mostrado problemáticos. Era também uma zona cheia de fenómenos curiosos, fenómenos esses que tinham despertado a curiosidade de Lúcifer. Para começar, era nesse sector onde se situava a maior cinturas de asteróides conhecida. Cientistas Cylons tinham chegado à conclusão de que ela era constituída por vestígios de “planetas falhados”, matéria planetária vinda do centro da Galáxia, e do princípio dos tempos, que não tinha sido atraída por nenhum campo gravitacional, não formando nenhum corpo planetário estável. Aquela enorme cintura estava sempre em constante expansão, continuando a sua viagem para longe do centro da Galáxia. Apesar de ser extremamente rica em matérias primas, nomeadamente Tylium, a cintura nunca tinha sido explorada pois o Quadrante Beta e o Quadrante Delta, os principais centros do Império, também eram ricos e essas zonas eram mais fáceis de explorar e estavam mais perto de Cylon. Outro fenómeno que tinha atraído a atenção de Lúcifer, tinha sido as denominadas “transmissões fantasmas”. A própria utilização do termo “fantasmas”, demonstrava que os Cientistas Cylons não tinham conseguido arranjar nenhum explicação lógica para tal fenómeno, tendo por isso que recorrer a termos vindos do tempo em que eles ainda eram seres orgânicos. Por mais que uma vez, Naves-Base que se encontravam em patrulha naquele sector tinham captado estranhas transmissões, num comprimento de onda que já não era utilizado à centenas de yahrens. Essas transmissões eram compostas essencialmente por imagens onde se viam uma espécie de ser mecânico a descer lentamente de uma nave, num planeta cinzento e cheio de crateras. A origem das transmissões nunca tinha sido determinada, parecendo ser móvel, o que apontava para que a fonte emissora fosse alguma espécie de nave ou sonda. Todos os esforços para a encontrar tinham sido infrutíferos e essa busca tinha passado a ter um carácter secundário a partir do momento em que o Líder Imperial tinha lançado o seu Édito de Extermínio contra os Coloniais, devotando todas as forças do Império Cylon à destruição da Humanidade. Apesar desta mudança de prioridades, uma das Naves- Base que patrulhava esse sector e que não tinha recebido as novas ordens devido a problemas de comunicação, tinha continuado a procurar a fonte das transmissões. Na última comunicação recebida em Cylon, o Primeiro-Centurião que comandava essa Nave-Base anunciava que tinha acabado de capturar uma sonda de origem desconhecida e que ela estava a transmitir a tal mensagem. Infelizmente, ainda antes de se começar a analisar a sonda, a nave tinha entrado em contacto com a Frota da Galactica e sido destruída. A investigação dos destroços dessa Nave-Base apenas tinha revelado que ela tinha sido destruída por uma explosão interna maciça, não sendo por isso possível encontrar qualquer vestígio da misteriosa sonda. Uma série de destroços e peças velhas confirmavam que a Frota Colonial realmente tinha passado por aquele sector, mas não era possível seguir o seu rasto. Perante esta situação, Lúcifer tinha ordenado que as suas Naves-Base regressassem ao Posto Imperial mais próximo, de modo a sofrerem modificações. A vasta extensão do Império Cylon fazia com que muitas vezes novas tecnologias que já estavam a ser utilizadas nas zonas centrais ainda não tivessem chegado às forças que patrulhavam as zonas mais afastadas. Era por isso que os Posto Imperiais estavam ligados directamente a Cylon, recebendo sempre as actualizações mais recentes de modo a puderem modificar as Naves-Base de acordo com essas especificações. A Nave-Base de Lúcifer tinha acabado de ser equipada com um novo equipamento de comunicação hiperluz na altura em que o Posto Imperial havia recebido uma mensagem enviada por uma das naves que patrulhava a zona mais distante da cintura. Os registos do Posto indicavam que a dita nave tinha sido dada como desaparecida à cerca de um yahren atrás, um facto que não tinha sido encarado como muito estranho porque ela tinha vários problemas mecânicos. Lúcifer tinha acedido à transmissão subluz assim que os computadores do Posto Imperial a tinham começado a receber. A transmissão tinha demorado exactamente um yahren a chegar e era composta por toda a telemetria e informação dos computadores centrais da Nave-Base em questão. Esta última tinha entrado em contacto com a Frota da Galactica e atacado. Analisando o local da cintura onde este encontro se tinha dado e partindo do princípio que a Nave-Base havia sido destruída pela Galactica, Lúcifer traçou imediatamente uma possível rota para a Frota Colonial. A cintura tinha inúmeras passagens para o outro lado e a Galactica parecia estar a dirigir-se para uma delas na altura em que esta última Nave-Base a tinha interceptado. Lúcifer tinha que admitir que a batalha tinha sido muito bem dirigida pelo Primeiro-Centurião e que tudo indicava que as forças Cylons iriam destruir a Frota. É claro que tudo tinha mudado a partir da altura em que a Galactica tinha passado a Cintura e os “novos” Humanos se tinham juntado à batalha. Lúcifer chamava-lhes “novos” porque as suas naves, tácticas e armas não eram conhecidas pelo Primeiro-Centurião. Um dos factores que separava os Cylons dos Humanos era exactamente esta falta de unidade que os segundos apresentavam. Os Cylons, desde do tempo em que eram simples seres orgânicos, sempre tinham planeado a sua expansão no espaço cuidadosamente, nunca quebrando as linhas de comunicação com o planeta-mãe. Já os Coloniais tinham o hábito irritante de se espalharem por toda a parte, quase como um vírus, sem qualquer tipo de controlo ou planificação, o que fazia com que houvesse inúmeros locais com Humanos, espalhados um pouco por todo o espaço para além das Doze Colónias. E além do mais, à medida que iam perdendo o contacto com os seus mundos natais, esse Humanos iam desenvolvendo as suas próprias civilizações e respectivas tecnologias. “Curioso”, foi a única coisa que passou pelo cérebro electrónico de Lúcifer ao analisar o decorrer da batalha. Os recém-chegados, apesar de terem equipamento antiquado, tinham-se revelado surpreendentes, especialmente ao utilizarem armas de fusão e com propulsão química, armas essas que os Coloniais e os Cylons já não utilizavam à várias centenas de yahrens. A parte final da transmissão da Nave-Base indicava que esta tinha sido gravemente danificada por uma das armas de fissão e pouco depois tinha sido atingida por um tiro que a tinha partido a meio. Vendo que a situação estava perdida, o Primeiro- Centurião tinha ordenado a autodestruição dos computadores centrais da Nave-Base e a destruição dos Raiders que restavam em ataques suicidas contra as naves da Frota. Sem perder mais tempo, Lúcifer tinha seguido com as suas forças para a região onde se tinha dado o encontro. Não querendo arriscar muito, ele tinha procurado outra zona de passagem, mas a verdade é que tinha dado de caras com os tais “novos” Humanos e com as suas armas de fusão... A passagem estava minada e Lúcifer tinha perdido duas Naves-Base antes de se aperceber desse facto e tomar medidas. Visto que os seus sensores não conseguiam detectar os engenhos explosivos, a melhor maneira de os evitar era seguir por um caminho onde eles não estivessem. Apesar do Império nunca ter dado muita atenção a este sector, a verdade é que não tinha deixado de o cartografar. Havia uma série de passagens sem saída mas que podiam ser abertas com uma série de tiros de Mega-Pulsar bem colocados, visto que as rochas que as fechavam não eram muito espessas. Era exactamente por um desses locais que as Naves-Base de Lúcifer estavam agora a passar. - A Nave-Base 104 acaba de desobstruir a passagem.- anunciou a Lúcifer o Centurião responsável pelas Comunicações. - Há algum contacto do outro lado? O Centurião transmitiu a pergunta à outra Nave-Base e rapidamente recebeu a resposta, transmitindo-a ao seu Comandante: - A Nave-Base 104 não tem qualquer contacto nos seus sensores. Perante esta informação, o Cylon da Serie IL não hesitou e ordenou de imediato que todas as Naves-Base passassem para o outro lado e que tomassem o rumo do sistema estelar mais próximo. Acelerando para a Velocidade- Luz, as Naves-Base rumaram para o interior do espaço da Aliança Terrestre. COLÓNIA DE LAVOS-304, ALIANÇA TERRESTRE QUARTEL CENTRAL DO EXÉRCITO TERRESTRE, CIDADE DE ASHER Fazendo um enorme esforço para não se espreguiçar, o Tenente Roger Veckin manteve-se direito na sua cadeira. O auditório do Quartel estava totalmente cheio de membros do Exército Terrestre, que tentavam parecer minimamente interessados na palestra que um Coronel estava a dar. O oficial tinha vindo directamente da Terra e tinha como missão “actualizar” os dados sobre os extraterrestres que tinham atacado as forças da Marinha à cerca de um ano atrás. Assim que a nave que trazia o Coronel tinha saltado para o sistema, o Exército tinha começado a chamar toda a gente de volta ao Quartel, mas mesmo assim, e apesar do oficial ter demorado cerca de duas horas a aterrar na superfície, havia gente que só tinha chegado bem depois da palestra ter começado. Roger tinha chegado do campo arqueológico na altura certa, momentos antes do Coronel entrar no auditório. - Alguém tem algumas questão?- perguntou este último, o que fez com que o Tenente prestasse de novo atenção, pois era um sinal claro de que aquele suplício estava a acabar. Olhando para os lados, procurou ver se haveria alguém com disposição suficiente para fazer com que aquilo continuasse, mas a verdade é que toda a gente estava quieta, esperando pelo fim. - Bem, meus senhores..- começou o Coronel a dizer, sendo interrompido pelo estrondo de uma porta a abrir-se. Todo o auditório se virou nessa direcção e o soldado que tinha aberto a porta com força parou momentaneamente. Ignorando os olhares, ele dirigiu-se rapidamente para o pódio do auditório e depois de fazer continência aos oficiais aí presente, entregou uma mensagem ao Comandante do Quartel. Este leu rapidamente a mensagem e, com um ar alarmado, passou-a ao Coronel. Este leu-a e ficou visivelmente nervoso, balbuciando qualquer coisa ao Comandante. Passando-lhe de novo a folha para as mãos, fez-lhe continência e abandonou apressadamente o pódio, sendo seguido pelos seus ajudantes. - Estou com um mau pressentimento acerca disto...- murmurou o oficial ao lado de Veckin, o Tenente Cruz. - Também eu...- assentiu Roger. Um pouco por todo o auditório as pessoas começaram a comentar o que tinha acontecido. O burburinho morreu rapidamente assim que a voz do Major Yu, o Comandante do Quartel, se fez ouvir: - Prestem atenção!!- ordenou ele, lendo de seguida o comunicado que tinha nas mãos: - Há 48 horas atrás, uma patrulha da Marinha detectou e enfrentou uma força Cylon na nossa zona da Cintura... O Major teve que interromper por momentos o que estava a dizer pois toda a gente começou a falar entre si. O primeiro contacto com os Cylons e com os Coloniais tinha sido feito na zona de Lavos-329, uma colónia que ficava no outro extremo da cintura. Ninguém estava à espera que os Cylons aparecessem tão perto! É claro que aos poucos a disciplina militar voltou-se a impor e as conversas terminaram. Não parecendo ter sido interrompido, o Major Yu continuou: - ..tendo destruído duas naves inimigas. A Base Naval de Lavos-305 só agora é que nos conseguiu avisar deste facto porque as suas sondas de comunicação avariaram. Visto que as forças inimigas recuaram, não há qualquer noção de quais são as suas intenções, sendo até possível que elas tentem passar a cintura novamente. Dobrando o papel e guardando-o num dos bolsos do seu uniforme, o Major fitou de novo o auditório. - A mensagem termina com o aviso de que devemos estar preparados para qualquer eventualidade. Visto que ainda não recebemos ordens da Terra, vou tomar a iniciativa de colocar todas as nossas forças em Estado de Alerta Um. As Forças de Defesa Orbital e as Forças de Defesa Planetária da Marinha também estão neste estado de prontidão e nos já estamos a coordenar a situação com elas. Dando a reunião como terminada, e fazendo continência à assistência, o Major Yu saiu do pódio, dirigindo-se para a saída lateral que dava acesso ao Centro de Comando do quartel. O resto do auditório esvaziou-se rapidamente há medida que os soldados e oficiais iam retomando os seus postos. Roger dirigiu- -se para a Camarata dos Oficiais onde envergou a sua armadura de combate, juntando-se depois ao pelotão que comandava. Um pouco por toda a cidade de Asher, as sirenes de emergência começaram a fazer-se ouvir. PLUTÃO, ALIANÇA TERRESTRE BASE DE AMUDSEN O Comandante Adama não conseguiu conter uma exclamação de espanto perante a visão que tinha à sua frente. No centro da gigantesca caverna cavada no solo de Plutão, iluminada por centenas de holofotes, erguia-se uma pirâmide dourada. - Impressionante!- disse a seu lado o Doutor Wilker, fitando também o estranho objecto. - Alguém lhe deu o nome de “A Nave”.- acrescentou o Director John Tyler, apontando para o centro da caverna e continuando depois a dizer:- É claro que não temos sequer a ideia se aquilo é uma nave ou não... - É exactamente para esclarecer essa questão que nos cá estamos, Director.- assegurou o Doutor Wilker, olhando depois para o outro Colonial.- Para começar, podemos dizer que há várias semelhanças com artefactos de origem Koboliana. Não é, Comandante? - Sim, sim.- assentiu Adama, um pouco perdido nos seus pensamentos. Todas as Doze Colónias conheciam aquele tipo de construção. Essa tradição tinha vindo de Kobol e as pirâmides predominavam tanto na arquitectura desse planeta como nas Colónias. A maior parte das habitações de Caprica, por exemplo, tinham essa forma. É claro que na Terra também havia construções em forma de pirâmide, embora nenhuma delas tivesse a perfeição daquelas feitas pelos Coloniais e pelos seus antepassados Kobolianos. Aquele artefacto era o primeiro que se aproximava dessa qualidade de construção... O três homens dirigiram-se um estrado onde estavam montados uma série de instrumentos e computadores que eram manuseados por algumas dezenas de técnicos e cientistas. Só na altura em que subiu ao estrado é que Adama se apercebeu do campo de forças que rodeava o artefacto. O ar em volta da pirâmide tinha uma espécie de tom azul muito suave, efeito esse que parecia atenuar nas zonas iluminadas pelos holofotes. - Presumo que aquele efeito luminoso seja do campo de força?- perguntou ele a Tyler. - Exactamente, Comandante. Todos os nosso esforços para o ultrapassar foram infrutíferos. A Aliança chegou a utilizar armas nucleares para tentar quebrar os campos que protegem as ruínas na Lua....Sem nenhum efeito, é claro... Voltando de novo a atenção para a pirâmide, Adama apercebeu-se da existência de uma série de corpos espalhados pelo interior do campo de forças. O Doutor Wilker tinha notado a mesma coisa e antecipou-se, apontando para os despojos macabros: - Director, de quem são aqueles corpos? - Quando o campo se activou em 6 de Agosto de 2105, a “Nave” estava a ser examinada por uma série de cientistas da Aliança. Aqueles são os corpos deles....acabaram por morrer todos por asfixia, perante os olhares desesperados de toda a gente. Nem sequer o ar é capaz de atravessar o campo de forças.... Adama ouviu a explicação e voltou a sua atenção para a pirâmide. A face que estava virada para o estrado exibia uma série de sinais que ele rapidamente reconheceu como sendo Kobolianos. - Acho que esta é a prova definitiva da ligação entre a 13ª Tribo de Kobol e a Terra!- anunciou ele, apontando com as suas mãos na direcção do artefacto. Normalmente não seria tão precipitado, mas a verdade é que lhe bastara ver o símbolo que encerrava a mensagem para chegar a essa conclusão. Algumas das pessoas que estavam na zona ouviram o comentário e rapidamente transmitiram-no, pois aos poucos uma pequena multidão começou a congregar-se junto do trio. Furando pelo meio dos outros cientista e técnicos, a Doutora Karen apareceu junto de Adama. Cumprimentando-o em Koboliano, perguntou de imediato: - Consegue decifrar o que lá está escrito? - A tradução desta escrita pictórica não é muito fácil...- começou Adama a dizer, sendo imediatamente apoiado pelo Doutor Wilker: - Os registos escritos que chegaram até nós dos tempos de Kobol não foram muitos... - Mas consegue ou não traduzir o que está lá?- insistiu Karen. - Doutora, um pouco mais de respeito pelos nossos convidados!- advertiu o Director, o que fez com que a jovem corasse de imediato e balbuciasse um pedido de desculpas. - Não faz mal, eu também já fui jovem..- assegurou Adama, sorrindo perante a impulsividade da rapariga. Fitando a face da pirâmide e rebuscando os seus conhecimentos de Koboliano Antigo, o Comandante começou a traduzir as palavras escritas pelos seus antepassados distantes: - Que o Tempo guarde para Sempre o Corpo do Caminhante das Estrelas...- nesta parte Adama parou por momentos, procurando outra tradução para aqueles símbolos, acabando por se decidir por outro termo.- ...ou melhor...o Corpo do Navegador das Estrelas Iraknis... - Iraknis?- interrompeu o Doutor Wilker, visivelmente espantado.- Esse nome apareceu nas ruínas de Kobol... - Exactamente, Doutor.- disse Adama.- Iraknis foi o Navegador que descobriu a Terra antes do Grande Êxodo de Kobol. O resto da mensagem diz: ...Iraknis, Aquele que nos Deu o Planeta Terra. - Que o Tempo Guarde para Sempre o Corpo do Navegador Iraknis, Aquele que nos Deu o Planeta Terra...- repetiu em voz alta a Doutora Karen, perguntando depois a Adama: - Não há mais nada? - A mensagem acaba com o sinal da 13ª Tribo de Kobol. - Não há qualquer referência ao funcionamento do campo de forças?- perguntou um dos cientistas em Koboliano, reflectindo a dúvida que assaltava a mente de todos. - Não..- respondeu simplesmente Adama. - Atenção que isto não quer dizer nada!- afirmou o Director, tentando apagar os ares de desânimo que tinham surgido com a revelação do Colonial.- Há mais 3 faces..... - Que têm exactamente os mesmos símbolos...- interrompeu-o Karen, que parecia a mais desanimada.- Eu conheço-os perfeitamente...Ando a tentar traduzi-los à mais de 5 anos... - A tradução foi só um começo.- disse o Doutor Wilker em Inglês Padrão.- Temos que continuar a trabalhar! A sua declaração foi recebida com muitos sinais afirmativos, mas a verdade é que quase todos os Terrestres esperavam que os dois ilustres visitantes trouxessem com eles a solução para aquele enigma que os atormentava. Ao ver que assim não era, um desânimo muito grande tinha caído sobre eles. Mesmo assim, aos poucos, as pessoas foram retomando os seus postos, continuando a procurar uma resposta agora com a ajuda de Adama e Wilker. ALGURES NO ESPAÇO, ENTRE AS COLÓNIAS DE LAVOS-304 E LAVOS-306 Amaldiçoando mais uma vez a sua sorte, o Comandante John Silver verificou os sensores de navegação da sua nave e fez uns rápidos cálculos mentais, embora soubesse qual era a resposta. O seu voo iria chegar a Lavos-306 com um dia de atraso. A sua única consolação era que não estava a transportar nenhum tipo de carga perecível. O voo era comercial e os seus passageiros ainda não tinham parado de se queixar, não parecendo querer perceber que a culpa daqueles atrasos não era do piloto da nave. Parecendo adivinhar a sua má-disposição, o ecrã de comunicação interna ligou-se, mostrando a cara simpática de Jun Li, a hospedeira principal daquele voo: - John, os passageiros estão outra vez a protestar por causa do atraso.- anunciou ela, afastando-se um pouco de forma a que ele pudesse ver um grupo de autodenominados “representantes” dos passageiros.- Estes senhores acabaram de me informar que vão apresentar queixa nos nossos escritórios. - Pode ter a certeza que vamos!- berrou um deles para o ecrã, por cima do ombro da hospedeira.- Isto é uma vergonha, a minha empres.... Jonh desligou a comunicação a meio, ignorando os protestos do passageiro. O homem era um dos que mais problemas tinha causado, talvez pelo facto de ter sido transferido à pouco tempo da Terra e ainda estar habituado a que as viagens entre planetas durassem apenas algumas horas e não dias. É claro que ele se esquecia que ali, na “Fronteira” do espaço Terrestre, só as colónias prósperas é que tinham condições financeira para comprar e suportar naves comerciais equipadas com motores de salto. Todas as outras colónias tinham naves com motores convencionais, o que tornava as viagens mais longas. - Não devias ter feito aquilo...- admoestou-o o seu co- piloto, o Comandante Boris Petrenko num tom jocoso.- Vai ser a Jun que vai apanhar com a fúria dos passageiros... - Ela já é crescida e sabe desenvencilhar-se bem, Boris Petrenko.- respondeu Silver, voltando a sua atenção para os instrumento, mas lançando depois um sorriso para o seu colega.- E antes ela que eu! Boris lançou uma gargalhada estrondosa. Embora fossem dois profissionais com inúmeras horas de voo, ambos estavam fartos de ouvir as queixas dos passageiros naquela viagem. Esse últimos não pareciam querer compreender que a culpa de todo aquele atraso não era dos dois pilotos mas sim da Marinha Terrestre. O voo LL-24 estava a meio de uma das suas viagens entre as colónias de Lavos-304 e Lavos-306 quando tinha sido deparado com uma corveta da Marinha, vinda directamente da Base em Lavos-305. A corveta tinha-os informado de que toda aquela região estava em alerta e ordenado para que a seguissem até à Base Naval, local onde deveriam aguardar até que a situação se resolvesse. Assim que John tinha avisado os seus passageiros dessas ordens, os protestos tinham começado. Logo por azar, o voo estava repleto de homens de negócios e todos eles pareciam ter marcado “reuniões inadiáveis”, começando por isso a protestar de imediato. O resto dos passageiros, maioritariamente pessoas que iam visitar ou vinham de visitar familiares em qualquer uma das colónias, tinham rapidamente sucumbido ao ambiente de contestação e também tinham juntado as suas vozes aos protestos. Alguns deles tinham-se calado ao ver a situação na Base Naval. Embora a nave comercial estivesse afastada das zonas principais, a verdade é que as naves da Marinha eram tantas e de tal tamanho que não era difícil que as câmaras capturassem as imagens de algumas delas. John tinha aproveitado a ocasião para transmitir essas imagens para as cabines dos passageiros, de forma a mostrar que realmente alguma coisa se estava a passar. A explosão na Base Naval tinha-se dado exactamente na altura em que essas imagens estavam nos ecrãs. Uma nave de abastecimento que estava a fazer a aproximação a um dos hangares exteriores, tinha acabado por chocar com a gigantesca estação, explodindo e destruindo parte do equipamento de comunicação da Base. O pânico tinha-se instalado e a Marinha tinha posto toda a zona em Alerta Vermelho, parecendo recear um ataque. Ao fim de um dia e meio, a maior parte das naves da Marinha tinham partido e o Comandante da Base Naval tinha ordenado a todas as naves civis que ficassem naquela zona por mais um dia, até que “a situação se resolvesse”. Uma nave de abastecimento tinha feito a ronda pelas naves civis distribuindo víveres, mas os seus tripulantes tinham-se recusado a responder a qualquer questão sobre a natureza do problema. Tinham, no entanto, com um sorriso sarcástico, aceite entregar aos seus superiores uma nota de protesto, feita pelos “representantes” dos passageiros da nave de John, relativa aos atrasos provocados pela Marinha. John sabia perfeitamente que essa mensagem iria acabar “perdida”, mas sentiu um pequeno prazer sádico em não avisar os seus autores desse facto. Para além disso, a única coisa que tinha valido a pena em toda aquela espera tinha sido ver a famosa nave Colonial, a Galactica. A Estrela-de-Batalha surgira pouco depois das naves da Marinha terem partido e a visão daquela gigantesca nave tinha calado toda a gente. A Galactica tinha apenas um quilómetro a menos em relação aos três da Base Naval de Lavos e John sabia que de momento não havia nenhuma nave Terrestre equivalente, quer em tamanho quer em capacidade ofensiva e defensiva. É claro que se a nave Colonial estava ali, isso só podia ser um sinal de que a Marinha tinha encontrado os seus inimigos. Toda a gente conhecia a história das Doze Colónias e dos responsáveis pela sua destruição, os Cylons. A Terra nunca tinha tido um inimigo que inspirasse tanto medo e tanto ódio como esses ciborgues do espaço. Todas as guerras em que os Terrestres se haviam envolvido desde que se tinham lançado na colonização do espaço tinham sido travadas contra outros Terrestres. A ideia de uma raça extraterrestre completamente obcecada em destruir todos os Humanos não era fácil de encarar. O surgimento de uma segunda força de naves terrestres, tendo uma delas sinais claros de danos, tinha preocupado muitas pessoas, incluindo John, mas o facto de logo de seguida as naves civis terem recebido ordem para partir parecia indicar que a situação já estava resolvida. - John, estou a captar algo de muito estranho nos nossos sensores...- declarou Boris, interrompendo o silêncio da cabine.- Múltiplos contactos a 100 quilómetros de distância! O Capitão do Voo LL-24 programou o ecrã multifunções que tinha à sua frente para repetir os dados do posto do co- piloto. No limite dos sensores apareciam um grupo de contactos, talvez cerca de cinco. - Para os podermos detectar a esta distância devem ser enormes...- murmurou John. - Da! – assentiu Boris na sua língua natal, o que era um mau sinal porque ele só revertia para ela quando estava nervoso.- Acho que devemos mandar os passageiros regressarem aos seus lugares! Silver acenou que sim com a cabeça enquanto programava o computador da nave para “interrogar” os contactos. Qualquer nave Humana, quer fosse militar ou civil, possuía um dispositivo que indicava a sua origem e filiação. No caso das naves militares, esse dispositivo servia para distinguir amigos e inimigos durante os combates e no caso das civis, ele servia para as diferentes autoridades conseguirem regular e controlar o trânsito delas. - Os contacto não possuem qualquer tipo de IFF, nem civil nem militar.- anunciou ele ao co-piloto, voltando a sua atenção de novo para os sensores e vendo surgir mais contactos juntos dos anteriores. - Não estou a gostar disto, tovarich.. John ia a começar a responder quando uma série de alarmes de emergência da cabine se acenderam e uma voz feminina começou a fazer-se ouvir: - Alerta de Colisão! Alerta de Colisão! O Capitão só teve tempo de levantar os olhos dos sensores e olhar pelas janelas da sua cabine. O espaço directamente em frente estava agora ocupado por uma série de gigantescas naves, estando uma delas tão perto que ele só lhe conseguia ver a parte superior tal era a distância. Registando a cena na memória, reduziu a potência do motor principal e transferiu-a para os motores laterais do lado direito e aos poucos conseguiu com que a nave começasse a descrever um arco em relação à outra nave. A nave inteira começou a tremer, sendo afectada pelo campo gravitacional daquela imensa massa e todos os passageiros que ainda não tinham conseguido regressar aos seus lugares e que ainda se mantinham de pé mesmo após a mudança de direcção, foram projectados pelo ar. - Vamos conseguir!!!- berrou Boris Petrenko, vendo que se estavam a afastar da outra, mas os seus gritos de euforia foram subitamente interrompidos por um tremor imenso que fez sacudir toda a nave. Novos alarmes de emergência acenderam- se no painel de controle existente no espaço entre os dois pilotos, anunciando fogo nos motores principais. - Os motores 1,2,3 e 4 estão em chamas.- anunciou o co-piloto, carregando depois numa série de controles e de botões.- A activar os extintores! Os alarmes de incêndio calaram-se mas John sabia já que os motores estavam mortos, pois um esquema interno da nave, criado pelo computador, indicava que essa zona estava seriamente danificada. Sem aquela parte da propulsão, a nave só podia agora andar para os lados e para cima e para baixo, utilizando os motores secundário e laterais. Sabendo que já não podia fazer mais nada para salvar a nave, John desligou-os a todos, deixando que a inércia guiasse a nave. - Acho que eles dispararam contra os nossos motores...- declarou o Capitão.- Eles querem apanhar-nos vivos... Quase que a comprovar as suas palavras, a nave foi novamente sacudida e, aos poucos, começou a parar. Quando finalmente se estabilizou no espaço, ficando totalmente “caída” sobre o seu lado esquerdo, o lado para o qual estavam a virar, começaram a ser puxados para a frente. Uma das naves que a tinham interceptado estava agora colocada directamente em frente deles e tinha aberto um dos hangares situados no disco inferior. Ambos os pilotos sabiam que estavam a ser puxados com alguma espécie de raio de tracção para o interior daquela cavernosa construção. Sabiam também que o que tinham pela frente eram Naves-Base do Império Cylon. As imagens que a Marinha tinham lançado após a notícia do contacto com os Coloniais e com os Cylons mostravam claramente uma dessas naves. - Temos que avisar alguém de que eles já andam dentro do nosso espaço...- advertiu Boris, parecendo agora menos nervoso que ao princípio. John assentiu e preparou uma mensagem nesse sentido, gravando-a e juntando-a à mensagem padrão existente na sonda de emergência da sua nave. Assim que fez isso, e antes de estar demasiado próximo da Nave-Base, lançou a sonda, que rapidamente saltou na direcção da Base Naval de Lavos-305. Depois disso feito e de comum acordo, o Capitão ligou o comunicador interno e avisou todos os passageiros do que se estava a passar. Lúcifer viu o último dos Humanos a sair da nave que repousava agora no centro do Hangar Dois da sua Nave-Base. O facto de eles se terem entregue sem nenhum tipo de resistência já parecia indicar algumas diferenças de comportamento entre eles e os outros Humanos das Colónias. No caso destes últimos, os Cylons tinham descoberto rapidamente que mesmo as suas naves civis estavam armadas e os passageiros no seu interior também. Nas fases finais da Guerra Milenar, tinham até havido casos em que naves civis se tinham autodestruído no momento da captura, danificando as naves Cylons. Estes Humanos tinham-se rendido e a única coisa que tinham feito tinha sido lançar uma espécie de sonda que, infelizmente, não tinha sido interceptada antes de utilizar o seu meio de propulsão e desaparecer. Como medida de precaução, Lúcifer tinha ordenado que as Naves-Base se retirassem para o espaço profundo, afastando-se assim daquela zona e do sistema que iriam investigar. Aquele desvio para interceptar a nave Humana tinha sido provocado por um mero acaso. O Cylon da Série IL estava a testar os novos sensores das suas Naves-Base e tinha detectado aquele alvo, vindo do sistema para o qual rumavam. Tinha sido fácil para os Cylons acompanhar a nave ao longe, até se certificarem de que o alvo não era militar nem tinha nenhum tipo de escolta, e depois capturá-lo. Voltando novamente a sua atenção para os prisioneiros, Lúcifer ordenou ao Centurião que estava ao seu lado: - Separem-nos por sexos e depois levem-nos para interrogação. Quero informações sobre todos os seus hábitos, de modo a poder compara-los com os Coloniais. Antes disso, escolham e entreguem os dois exemplares mais robustos de cada sexo aos nossos cientistas. Quero um relatório físico total. Entendido? - Pelo seu Comando!- respondeu o ciborgue prateado, dirigindo-se para o acesso ao Hangar. Lúcifer viu que uma série de Centuriões estavam já a começar a desmontar a nave Humana, de modo a analisar toda a tecnologia desta. O que ele tinha acabado de mandar o Centurião fazer era o equivalente ao que aqueles outros estavam a fazer, ou pelo menos era isso que ele dizia a si mesmo, de modo a “apaziguar” o sistema que tinha instalado secretamente no seu ombro esquerdo e que funcionava como uma “consciência”. A sua “consciência” indicava claramente que ele tinha condenado todos aqueles Humanos à morte. 90% dos interrogatórios acabavam com a morte dos prisioneiros, pois a sondagem mental que lhes era feita acabava por os destroçar mentalmente e fisicamente, especialmente num caso destes em que a sonda estava a analisar padrões de pensamento alienígenas. Em relação aos Humanos que seriam enviados para os cientistas, a verdade é que os testes a que seriam submetidos não eram mais do que vivissecções metodicamente conduzidas. Era exactamente por isso que os sujeitos das experiências tinham que ser sempre dois, um para funcionar como controle do outro. Se a vivissecção de um falhasse, os mesmos erros já não seriam cometidos no outro. “Comportamentos daqueles não eram correctos entre raças sentientes”, anunciava a “consciência” de Lúcifer, mas este contrapunha o seu sentido de dever a essa acusação. O seu dever era trazer o triunfo ao Império e fazer cumprir o Édito de Extermínio da Raça Humana. Para o fazer tinha que conhecer os seus novos inimigos e se isso envolvia aquele comportamento, ele não podia fazer nada. O Império e o Líder Imperial estavam acima de tudo! Dirigindo-se para a Ponte de Comando, Lúcifer interrogou-se como é que os Humanos conseguiam viver com aquelas “consciências” a atormenta-los constantemente. Ele tinha criado e instalado a sua, que não era mais do que uma sub-rotina que analisava e criticava as suas acções, numa tentativa de entender melhor a maneira como os Humanos funcionavam. Esta ideia tinha-lhe surgido após as suas conversas com Starbuck, durante o período em que o Guerreiro Colonial tinha estado preso. Este último tinha, entre as suas inúmeras lições de “Como jogar Pirâmide e vencer”, tentado explicar a Lúcifer como é que a consciência guiava a vida dos Humanos. Como é que esta lhes dava uma noção do que era errado e do que era certo; do que era o Bem e o que era o Mal. Tinha sido a consciência Humana que os tinha obrigado a responder ao pedido de ajuda dos seus aliados Hasaris e que assim os tinha mergulhado na Guerra Milenar e levado à destruição dos seus planetas. Era também essa consciência que os levava a não desistir e a lutar até ao fim contra os Cylons, que eles viam como o Mal. Por todas estas razões, Lúcifer tinha decidido fazer esta experiência. A consciência Humana era uma espada de dois gumes, pois ela também tinha feito com que os políticos Coloniais aceitassem cegamente a oferta de paz que os Cylons lhes tinham feito, pensando estar a fazer aquilo que era correcto e o melhor para todos. Se ele compreendesse essa “consciência” talvez a pudesse utilizar como uma arma contra os seus “criadores”. - Continua - (apenas lixo abaixo)