Nota: Isto é uma obra de ficção, escrita puramente por divertimento. Não existe intenção alguma de violar qualquer direito de autor. Não recebi qualquer dinheiro por esta obra. ------------------------------------------------------------ Baseado em: Battlestar Galactica Criado por: Glen A. Larson História por: R.V. (possidonio24@hotmail.com) ------------------------------------------------------------ "O Principio do Fim" - Parte 2 - CAPÍTULO 8 - EM ÓRBITA DA COLÓNIA DE LAVOS-304, ALIANÇA TERRESTRE O Controlador de Voo John Wigley pousou cuidadosamente a sua chávena de café, tendo o cuidado de não entornar nada sobre o seu monitor. Não seria a primeira vez que isso acontecia, com resultados desagradáveis para o delicado equipamento electrónico. Enquanto deixava a bebida arrefecer, Wigley concentrou a sua atenção no radar da Estação Orbital de Lavos-304, embora soubesse que não havia qualquer nave em aproximação ao planeta, pois se isso acontecesse o computador lançaria de imediato um aviso. As únicas naves que costumavam fazer escala no planeta eram o vaivém mensal da Marinha e os voos entre as colónias de Lavos. Ligando o sistema de comunicação interna, Wigley pegou na chávena e sorveu um pouco do café, mas voltou a poisá-la pois continuava ainda a escaldar. Fitando um dos monitores que mostrava a vista do exterior da Estacão Orbital, ele viu as figuras dos homens que estavam a substituir um dos painéis de energia solar. - Então, que tal é que está o tempo aí fora?- perguntou ele em tom de gozo. - Essa teve muita piada, John...- ouviu-se quase de imediato e uma das figuras na imagem virou-se lentamente na direcção da câmara, fazendo um gesto obsceno que não era nada fácil de se executar quando se estava a usar as pesadas luvas de um fato espacial. Tratava-se de Nuala Kennedy, a tripulante mais graduada a seguir a Wigley - Porque é que não vens cá ver?- acrescentou uma outra voz.- Tenho a certeza de que o passeio te fazia bem! - Especialmente se não trouxeres fato espacial.- disse mais alguém, juntando-se à brincadeira. - Não, acho que prefiro ficar por aqui...- respondeu John, experimentando novamente o café.- Além do mais, é preciso que alguém esteja atento aos Cylons... Esta última parte já não era uma piada, pois todo o planeta estava em estado de alerta desde que tinham recebido uma comunicação da Base Naval de Lavos-305. Os Protocolos de Emergência eram bem claros nestes casos: todos os postos deveriam estar ocupados com pelo menos um tripulante para a eventualidade dos computadores e I.A. falharem. - Por falar em Cylons..- disse Nuala.- Já verificaste se as armas da estação estão a funcionar? - É claro que sim.- respondeu Wigley, lançando um olhar para o respectivo painel de controlo, onde uma série de luzes verdes indicavam que todas as armas estavam funcionais e sob o comando da I.A. da Estação.- Mas hoje até nem precisamos delas...Vocês podem atacar os Cylons com os vosso maçaricos. - Sempre é melhor que os raios dos mísseis que temos.- resmungou Alessio Cavatore, enquanto manobrava com os jactos do seu fato espacial.- Já que a colónia ainda não tem direito a uma Estação Orbital Militar, o mínimo que entretanto podiam fazer era dar-nos armas decentes... - Cuidado com as queixas, Alessio. –advertiu Kennedy.- Nunca se sabe quando é que o S.D.E. está à escuta... A referência ao Serviço de Defesa do Estado, organização que zelava pela “vigilância e defesa dos interesses da Aliança” fez com que todos se calassem. Muitos dos colonos eram descendentes de famílias que tinham sido deportadas da Terra após a Unificação Mundial e subsequente aparecimento da Aliança Terrestre. Embora esse estilo de deportações tivesse abrandado imenso, a verdade é que o S.D.E. continuava a manter essa ameaça sobre toda a gente. Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, um alarme começou a tocar no interior do Centro de Controlo. John baixou o volume do sistema de comunicação e virou a sua atenção para o monitor principal. A I.A. tinha detectado uma passagem ilegal no perímetro exterior dos seus sensores. O Estação Orbital fazia o controlo de voo de todos aquele sistema através de um série de redes de sensores. A primeira rede marcava o limite do sistema que albergava Lavos-304 e tinha sido essa mesma que tinha sido “quebrada”. Devido às distâncias envolvidas, o aviso só tinha chegado dois minutos após a intrusão. - Acabamos de detectar um intruso!- avisou ele no sistema de comunicação interno.- Se fosse a vocês vinha para dentro!! Na altura em que dizia isso uma nova mensagem surgiu no monitor principal. A segunda rede de sensores, que se situava a meio caminho entre a colónia e a entrada no sistema, tinha sido ultrapassada por dois objectos que se dirigiam a grande velocidade para Lavos-304. Nenhum dos objectos tinha um sinalizador IFF e os seus perfis eram compatíveis com Naves-Base Cylon. A mensagem tinha demorado cerca de um minuto a atingir a Estação, o que demonstrava claramente a velocidade a que as naves se deslocavam. Como que a provar esse facto, um dos membros do grupo de trabalho parou de andar em direcção à escotilha principal e começou a apontar para algo que a câmara não conseguia captar. - Meu Deus!! Eles estão a chegar!!- berrou o técnico, virando costas e recomeçando a fugir, o que não era fácil devido às botas magnéticas dos fatos espaciais. Apesar de este percalço, conseguiu chegar junto dos companheiros na altura em que a escotilha se começava a abrir. Enquanto isto acontecia, John Wigley manobrava a câmara exterior de forma a conseguir obter uma imagem daquilo que o outro homem tinha visto. “- ESCOTILHA EXTERIOR ABERTA.”- anunciou a voz mecânica do computador central da Estação, ao mesmo tempo que a I.A. fazia surgir um novo aviso no monitor de Wigley. Os sensores exteriores estavam a captar a aproximação de dois campos gravitacionais. Como que a provar isso, um ligeiro tremor começou a atravessar toda a estação enquanto John continuava a manobrar a câmara. “- ESCOTILHA EXTERIOR FECHADA. A INICIAR PRESSURIZAÇÃO DO COMPARTIMENTO DE ENTRADA.”- avisou o computador, mas John nem sequer o ouviu pois não conseguia desviar a sua atenção da imagem que finalmente tinha captado. A alguns quilómetros da Estação, podiam-se ver as imagens transparentes de duas enormes naves. Assim que as imagens se foram tornando mais sólidas, toda a estação começou a tremer de uma forma ainda mais violenta devido à atracção gravitacional daqueles dois corpos imensos. - John!!! John!! Que se está a passar?- perguntou, de repente, Nuala, através do sistema de comunicação interna.- Sempre são os Cylons? - Sim...- murmurou ele, passados alguns segundos.- São eles... - Já avisaste o planeta?? Esta última pergunta teve o condão de despertar John do seu estertor. Com toda aquela situação tinha-se esquecido de fazer exactamente isso! Sem mais demoras começou a tratar de estabelecer uma ligação com um dos satélites de comunicação. “- PRESSÃO NO COMPARTIMENTO DE ENTRADA ESTABILIZADA. ESCOTILHA INTERIOR A ABRIR.” Este último aviso foi imediatamente acompanhado pelo som de pessoas a correr na direcção da Sala de Controlo de Voo. Um pouco por toda a Estação, sistemas começaram a falhar à medida que as naves se iam aproximando. - Daqui Estação Orbital LV-304! Daqui Estação Orbital LV-304! Alguém me está a ouvir?- berrou John para o ecrã do sistema de comunicação, enquanto se segurava à sua cadeira com as duas mãos. Ele sabia que no planeta era de noite e que o Centro de Controlo AeroEspacial devia estar com o mínimo de efectivos, apesar dos Protocolos de Emergência estarem em vigor. Virando-se para trás, ele viu Nuala e o resto dos tripulantes entrarem e dirigirem-se para os seus postos. Alessio Cavatore era o responsável pelos sistemas de defesa da Estação e mal se sentou no seu lugar, deu autorização à I.A. da Estação para disparar as baterias de mísseis. - Aqui vai nada!!- anunciou ele , manobrando as câmaras exteriores para acompanharem o voo dos mísseis. Cavatore sabia perfeitamente que os projécteis não iriam fazer nada ao alvo. As armas da Estação estavam pensadas para atacar pequenas naves, de piratas ou de inimigos da Aliança, e nunca para atacar naves capitais, não estando por isso sequer apetrechadas com ogivas nucleares. - Impacto!- disse um dos outros tripulantes e todos os olhares se fixaram na imagens das câmaras exteriores. A I.A. tinha designado 5 mísseis para cada Nave-Base, mísseis esses que atingiram em cheio os seus alvos, explodindo simultaneamente e de uma maneira coordenada de forma a conseguirem o máximo de danos. - Acho que os chateamos....- murmurou Alessio vendo que as Naves-Base nem sequer se tinham dado ao trabalho de tentar interceptar os mísseis, num sinal claro de que não estavam preocupados com eles.- Só causamos danos mínimos na blindagem exterior e mai.... Antes que ele pudesse terminar a sua frase, três coisas aconteceram em simultâneo. As câmaras mostraram os primeiros Raiders Cylons a serem lançados; a voz triunfante de John anunciou que tinha conseguido contactar alguém no Centro de Controlo AeroEspacial e, finalmente, a Nave-Base que estava mais próxima abriu fogo com as baterias laser que estavam viradas para a Estação. É claro que este último acontecimento foi o mais importante para todos os tripulantes da Estação pois foi o acontecimento que pôs fim à vida deles. John Wigley fitou a cara sonolenta que lhe surgiu no ecrã de comunicações mas antes que pudesse lançar um aviso sentiu-se arrancado do seu assento e projectado contra a parede enquanto toda a Sala de Controlo era iluminada por uma luz brilhante e se enchia de chamas. Com um rugido de metal a partir-se, a Estação Orbital de Lavos-304 desfez-se em enormes pedaços que rapidamente começaram a “cair” na direcção do planeta, ardendo à medida que penetravam na atmosfera, e arrastando os corpos de 18 tripulantes. Camuflada por trás desses destroços ardentes seguia a primeira vaga de ataque Cylon. EM ÓRBITA DA COLÓNIA DE LAVOS-306, ALIANÇA TERRESTRE Contrariamente ao que havia acontecido em Lavos-304, esta colónia era defendida por Estações Orbitais Militares. As redes de satélite de vigilância tinham detectado de imediato a chegada das Naves-Base, pondo as Estações em Alerta Vermelho. Assim que pararam, as enormes portas dos seus hangares abriram-se e as primeiras vagas de caças Cylon saíram, encaminhado-se para atacar as frágeis construções orbitais terrestres. Apesar destas últimas estarem mais bem armadas do que aquela que defendia Lavos-304, a verdade é que o número dos atacantes acabava com essa vantagem. Mesmo assim, as suas tripulações ainda tiveram tempo de lançar um aviso para a colónia. O barulho das sirenes de emergência fez com que o Tenente-Coronel Oscar Gonçalves saltasse da cama de campanha onde estava a tentar descansar. Sem hesitar calçou as botas do uniforme abençoando a ideia de se ter deitado sem tirar este último. Na cama ao lado, o Tenente Thomas Barkin estava a vestir o uniforme a toda a velocidade, maldizendo tudo e todos, especialmente os superiores que se tinham lembrado de fazer um exercício àquela hora. - Até já!- berrou o Tenente-Coronel, pegando no seu capacete e correndo para a saída do bunker.- Vemo-nos no ar! O bunker onde os pilotos que estavam de prevenção dormiam era a poucos metros dos abrigos que albergavam os aviões e ele rapidamente chegou ao seu próprio aparelho. Uma série de mecânicos estava em volta do caça, verificando as armas e fechando todos os painéis de acesso. Olhando para trás, na direcção da cidade mais próxima, ele viu que esta estava às escuras, um procedimento típico em caso de ataque aéreo. Foi só nessa altura que ele começou a pensar que aquilo era um bocado exagerado para um simples exercício. Como que a mostrar que estava certo, uma série de explosões iluminaram a cidade ao mesmo tempo que os sistemas de defesa antiaérea que defendiam a base se activaram e começaram a lançar mísseis na direcção do céu nocturno. Todas as luzes desligaram-se e o hangar onde o caça do Tenente-Coronel estava ficou apenas iluminado com as luzes vermelhas de emergência. Assim que recebeu o sinal de que não havia mecânicos junto dos motores, ele retirou a luva do uniforme e premiu a placa de activação que existia junto das escadas de acesso ao cockpit. Assim que o computador confirmou as suas impressões digitais começou a activar os sistemas do caça. Na altura em que ele entrou no cockpit do aparelho, os motores do Hurricane 71-B "Ass-Stomper", classe Manta, já estavam aquecidos e todos os sistemas a funcionar. O radar do caça estava a receber as informações dos radares da base e dos satélites que orbitavam o planeta. - Isto é a sério?- perguntou ele, quebrando todo o protocolo militar e não fazendo a habitual verificação do sistema de comunicações. - Sim, Vermelho Quatro.- disse alguém da Torre de Controlo.- Mantenha o silêncio rádio. Assim que estiver no ar irá receber novas ordens. - Entendido.- respondeu Oscar Gonçalves, fitando novamente o ecrã e a enorme massa de alvos inimigos que enchiam o ar. Os sistemas de defesa antiaérea instalados nos quatro cantos da base disparavam constantemente e os motores dos mísseis iluminavam toda aquela zona por momentos. O último mecânico a sair do abrigo fez sinal de que tudo estava bem e partiu, fazendo uma rápida continência. Aumentando um pouco a potência dos motores, o Tenente-Coronel fez o caça avançar para fora do abrigo, virando-o para a pista, enquanto a carlinga se fechava. Do abrigo à sua esquerda surgiu o caça do Tenente Barkin que rapidamente tomou o lugar ao seu lado. Aplicando os travões ambos levaram os seus motores à máxima potência e esperaram. À frente dos dois caças estavam já os outros caças e atrás deles estavam a surgir outros quatro. - Oito não são suficientes...- murmurou o Tenente- Coronel, enquanto levantava os olhos do radar e viu que o Vermelho Um e o Vermelho Dois já estavam a acelerar pela pista fora, preparando-se para levantar voo. Virando novamente o seu olhar para o radar, ele viu que cerca de 50 contactos inimigos estavam a virar na direcção da base. Assim que os dois primeiros caças deixaram a pista, o computador da Torre de Controlo deu autorização para que dois outros levantassem. Assim que o Tenente-Coronel desactivou os travões, o caça deu salto para a frente e começou a acelerar pela pista fora, sendo seguido alguns segundos depois pelo outro. O Hurricane era o principal caça utilizado pelas Forças Armadas da Aliança, sendo um aparelho misto, capaz de voar no ar e no espaço. É claro que isso tinha certas desvantagens, nomeadamente o facto de ser muito mais pesado que um caça normal pois tinha armazenado dois tipos de combustível. E o facto de ser mais pesado equivalia a ter que precisar de mais pista para levantar.... Lançando os olhos para o radar, ele viu que os inimigos estavam a aproximar-se rapidamente do Vermelho Um e Dois e que estes estavam a disparar mísseis. Assim que viu que estava a chegar ao fim da pista, puxou para si o comando e o caça levantou, começando a ganhar altitude rapidamente. Um novo olhar para o radar mostrou-lhe que o Tenente Barkin também já estava no ar e que os 12 mísseis disparados pelos dois primeiros caças da Esquadrilha tinham encontrado os seus alvos. Sem esperar por ordens da Torre, atirou o caça numa curva apertada para cima e para a esquerda, sendo imediatamente seguido pelo Vermelho Três. Duas explosões no ar a alguns quilómetros de distância indicaram-lhe que os primeiros caças a levantar tinham sido também os primeiros a ser destruídos. Agora seria a vez dele e de Barkin... - Tem alguma ideia de como é que vamos fazer isto?- perguntou de repente este último, quebrando o silêncio rádio e parecendo adivinhar o que passava pela cabeça do Tenente- Coronel. - Disparamos os mísseis assim que estivermos ao alcance e depois tentamos passar por eles. Se tudo correr bem ainda podemos utilizar o canhão nessa passagem. - E depois disso? Que fazemos? De certeza que não vamos ter uma pista para onde voltar.... - Se sobrevivermos...- acrescentou o Tenente-Coronel, não conseguindo abafar uma gargalhada nervosa. – Temos que aterrar em alguma estrada e depois fugimos para a floresta. Não podemos fazer mais nada.... Barkin não fez mais nenhum comentário os dois caças dirigiram-se na direcção dos inimigos. A quatro quilómetros dos alvos, os dois pilotos, utilizando os dados transmitidos pelos radares da Torre, escolheram os seus alvos e dispararam todos os seus mísseis. Tal como tinha acontecido no outro caso todos eles encontraram os seus alvos e 12 inimigos desapareceram em múltiplas explosões. - Eles estão a acelerar. Os outros caças não vão ter tempo para usar os mísseis!- avisou Barkin. O Tenente-Coronel não deu sinais de ter ouvido, limitando-se a manter o seu caça em rota de colisão com os intrusos. A distância entre as duas formações encurtou em questão de segundos e assim que isso aconteceu, Gonçalves activou o canhão existente no focinho do Hurricane e de imediato surgiu no cockpit à sua frente um pequeno símbolo em forma de caixa a indicar para onde é que ele tinha que apontar de forma a atingir um dos alvos. Assim que a mira estabilizou nessa zona, premiu o gatilho durante cerca de dois segundos e todo o aparelho estremeceu quando o canhão Gatling disparou cerca de 500 projécteis, enchendo a zona do alvo com um mortífera chuva de balas de urânio empobrecido. Cerca de 100 tiros atingiram em cheio a zona do cockpit do Raider, destruindo os comandos de voo e danificando gravemente os dois pilotos Cylons. O terceiro tripulante ainda teve tempo para accionar os comandos secundários e baixar o Raider, fazendo com que apenas a última parte da rajada atingisse o seu aparelho. Infelizmente para ele, 231 tiros acertaram, penetrando na parte traseira do Raider e destruindo vários tubos de combustível que abasteciam os motores. O 232º tiro e último atingiu novamente essa zona e incendiou o Tylium que escapava dos motores. O Raider explodiu a poucos metros do caça humano e o Tenente-Coronel nem sequer teve tempo de evitar a enorme bola de fogo, tendo que passar pelo meio e sendo salpicado por inúmeros destroços. Assim que passou pelo meio da explosão, Gonçalves olhou para trás. A primeira coisa que notou foi numa série de luzes azuis a iluminar essa zona. Lembrando-se dos holovídeos que tinha visto dos Raiders em acção, identificou-os rapidamente como disparos destes últimos. Um olhar para o radar confirmou a sua suspeita. Os quatro últimos Hurricanes tinham sido destruídos antes de poderem disparar os seus mísseis. O Hurricane de Barkin estava ainda no ar, mas a voar a baixa altitude. Gonçalves fez baixar o seu caça até à mesma altura do seu companheiro e reduziu a velocidade, até estar lado a lado com ele. Uma rápida inspecção visual mostrou que o aparelho não tinha passado pela outra formação incólume, tendo ficado sem parte da asa direita. - Consegues voar?- perguntou o Tenente-Coronel, reparando que o outro caça vibrava ligeiramente e que estava a perder altitude. - Sim, mas não por muito...- resmungou Barkin, perguntando de seguida: - Quantos é que abateu? - Um...- respondeu Gonçalves, olhando para o radar e vendo a imagem deste desaparecer. – Acabamos de perder a ligação com a Torre. Passado alguns segundos a imagem do radar voltou, estando agora a receber informação dos satélites militares que orbitavam a colónia. O espaço aéreo sobre aquela zona estava saturado de inimigos. Reduzindo o tamanho do mapa, ele pediu uma vista aérea sobre a zona que lhe interessava e o seu pedido foi prontamente atendido, aparecendo uma secção de uma das principais auto-estradas da colónia. - Vamos aterrar aqui...- informou Gonçalves, dando de seguida as coordenadas do local. Nos planos de emergência criados para ocasiões como aquelas, tinham-se escolhido uma série de locais de encontro onde os sobreviventes se iriam reunir. Aquele era apenas um deles: um pedaço de auto-estrada suficientemente comprido para que os dois caças aterrassem e que acabava numa zona florestal que os ocultaria. - Roger.- respondeu simplesmente o outro piloto e os dois caças rumaram para essa localização. O horizonte estava macabramente iluminado de vermelho, um efeito provocado pelas chamas que grassavam na cidade mais próxima e que se reflectiam nas nuvens. Era claro que a Aliança estava a perder aquela batalha. PLUTÃO, ALIANÇA TERRESTRE BASE DE AMUDSEN - Começo a ter as minhas dúvidas em relação a isto...- murmurou Adama para o Doutor Wilker, tendo no entanto o cuidado de ver se nenhum dos Terrestres estava junto deles. - Tem de haver maneira de abrir “aquilo”!- concordou o cientista, olhando na direcção do artefacto da 13ª Tribo, há volta do qual já tinham perdido 3 sentons seguidos.- Tenho a impressão de que nos está a faltar qualquer coisa. - Sinto que a resposta não esta na “Nave” em si...- respondeu o Comandante, virando a sua atenção para o computador pessoal que tinha nas suas mãos. O aparelho tinha sido uma prenda dos seus filhos aquando da sua recuperação. Eles tinham recolhido toda a informação que existia nas diferentes bibliotecas da Frota sobre Kobol e tinham-na reunido naquele pequeno aparelho. Além disso, tinham digitalizado toda a informação do Livro dos Senhores de Kobol, bem como todas as imagens captadas durante a curta estadia da Frota naquele planeta. A sua atenção voltava-se sempre para uma ilustração do Livro. Nela via-se uma área coberta de estruturas semelhantes aquela que tinham ali à frente. A legenda que acompanhava a imagem dizia que se tratava dos Vale dos Mortos, o local de descanso eterno de todos os membros mais importantes das Tribos de Kobol. Num dos cantos da imagem podia ver-se um grupo de pessoas a aproximarem-se de uma das pirâmides e esta estava a abrir-se a partir do seu topo. Adama tinha analisado aquela ilustração inúmeras vezes, procurando uma resposta. O Doutor Wilker também havia feito a mesma coisa, mas a verdade é que ambos não estavam mais próximos de encontrar uma solução para o mistério da “Nave”. A única conclusão a que tinham chegado é que a ilustração representava o enterro de alguém, pois entre as duas colunas de pessoas flutuava um sarcófago. - Que estão a ver?- perguntou de repente alguém, fazendo com que ambos saltassem. Sem que nenhum dos Coloniais se apercebesse, a Doutora Karen havia-se aproximado deles e espreitava agora para o monitor do computador de Adama. - Era escusado ter-nos assustado desta maneira...- avisou o Comandante, num tom reprovador, apontando depois para um altifalante no tecto.- Já basta o facto de termos estas sirenes de emergência a tocarem constantemente - Já que fala nisso, Comandante, não seria melhor sabermos quando é que este exercício acaba?- perguntou Wilker. No princípio do senton anterior, a Base tinha sido toda selada ao exterior e posta em alerta. O General Bradford havia assegurado os seus convidados de que tudo aquilo não passava de um simples exercício que terminaria rapidamente, mas a verdade é que tal não havia acontecido. Karen pareceu querer dizer qualquer coisa, mas acabou por não o fazer e voltou de novo a sua atenção para o computador portátil que Adama tinha na sua mão. Este último olhou para o Doutor, que estava ainda à espera de uma resposta, e viu que este não havia reparado na hesitação da jovem Terrestre. “-Algo de estranho se está a passar aqui..”- pensou o Comandante perante a atitude de Karen. Ultimamente tinha sentido isso em relação a uma série de pessoas e tinha a certeza de que Wilker também partilhava dessa sensação. Virando-se para este último, acabou por concordar: - Assim que puder, vou falar com o General Bradford e perguntar quando é que isto acaba...Para já vou satisfazer a curiosidade desta jovem... Com estas palavras, Adama passou-lhe o computador, explicando o contexto da ilustração que aparecia no ecrã. Karen estudou atentamente o ecrã até que subitamente murmurou algo e se dirigiu para uma das estações de trabalho. O computador que aí existia tinha sido especialmente preparado para ser compatível com os sistemas Coloniais e ela rapidamente fez uma cópia da imagem do computador de Adama para lá. Assim que a ilustração foi transferida, ela abriu um programa de tratamento de imagem e começou a trabalhar com ele. - Como é que eu consegui ser tão estúpida...- murmurou ela, um pouco mais alto, virando-se depois para os dois Coloniais, que continuavam a seguir atentamente o que ela fazia.- A solução esteve sempre aqui... Eu nunca pensei que fosse algo tão simples... Olhem para aqui, se fazem favor... Seleccionado uma parte da ilustração, Karen aumentou a magnificação até que uma só imagem encheu o ecrã. - Estamos a ver as mãos da primeira pessoa que acompanha o sarcófago. Os dois Coloniais estudaram atentamente a imagem que lhe era apresentada. A pessoa em questão tinha os braços estendidos em frente e agarrava com as suas duas mãos uma cruz encimada por uma espécie de círculo. Ambos reconheciam o artefacto como sendo um Ankh, um símbolo religioso que era utilizado em Kobol como o sinal dos Senhores e que na Terra tinha sido utilizado como um símbolo religioso do Antigo Egipto, outra prova de que os Terrestres eram os descendentes da 13ª Tribo. - Na religião Egípcia, o Ankh representa a vida depois da Morte.- disse Karen aos Coloniais.- Nas representações artísticas de cerimónias fúnebres, os Deuses e Deusas apareciam muitas vezes a segura-lo pela parte superior, como se de uma chave se tratasse... Seria a chave que abriria as portas para a imortalidade. - Os paralelo com as nossas próprias tradições são evidentes.- assentiu Adama, apontando depois para a “Nave”.- Agora só é preciso encontrar o Ankn que nos permita abrir aquela porta... - Pelo o que a Doutora disse antes de nos mostrar a imagem, desconfio de que a solução já está aqui.- disse Wilker, virando-se para a Terrestre e perguntando: - Não é assim? - Sim...- confirmou ela, ficando um pouco vermelha de embaraço.- Na altura em que se começaram a efectuar os estudos da Nave, as equipas de cientistas descobriram uma pequena arca escavada no solo. No seu interior encontravam-se um Ankn, mas ninguém lhe prestou atenção pois o grande objectivo era entrar no artefacto... Depois de 6 de Agosto de 2105 e da activação do campo de forças, todos os esforços viraram-se para a tentativa de ultrapassar essa barreira. Nunca mais ninguém se lembrou dessa descoberta. - De que estamos então à espera?- perguntou Adama, sorrindo.- Vamos lá ver esse Ankh! Com estas palavras, os dois Coloniais e Doutora Karen dirigiram-se para o cofre onde se encontrava guardado aquela que podia ser a solução para a abertura da “Nave”. A notícia da descoberta espalhou-se rapidamente e uma pequena multidão seguiu-os até lá. - Aqui está!- anunciou Karen, pegando cuidadosamente no Ankn e passando-o para as mãos de Adama. Este pegou nele com a mão direita, passando-o depois para a mão esquerda como que a tomar-lhe o peso. A relíquia era feita de uma metal dourado que pouco pesava e que parecia quente ao toque. Abrindo caminho pelo meio dos espectadores, o Comandante dirigiu-se para as escadas que davam acesso à caverna onde a Nave estava. Olhando para trás, Adama verificou que continuava a ser seguido por uma série de Terrestres e que, de uma forma inconsciente, se estava a formar uma espécie de procissão. - E agora, que fazemos?- perguntou Wilker, que se tinha colocado ao lado do outro Colonial, assim que chegaram junto da linha que alguém tinha desenhado no chão pedregoso da caverna e que marcava o início do campo de forças. - Agora...- começou Adama a dizer.- Entramos! Sem hesitar o Comandante deu um passo em frente e mergulhou no campo de forças. ALGURES NO ESPAÇO ENTRE LAVOS-305 E A CINTURA DE ASTEROÌDES. Apesar de se considerar uma pessoa paciente, o Apollo olhou novamente para o relógio que tinha no pulso. Os saltos hiperespaciais estavam a demorar cada vez mais e isso preocupava-o, mesmo que tal não estivesse a acontecer por causa da Galactica. A tecnologia podia ter sido criada pelos Terrestres, mas a verdade é que os Coloniais conseguiam recuperar mais rapidamente dos efeitos dos saltos. Tecnologicamente, tinha sido fácil desviar energia dos eficientes motores da Estrela-de-Batalha para alimentar os motores hiperespaciais. Fisiologicamente, os Coloniais também pareciam aguentar melhor os efeitos desses saltos. Até agora, e após quatro saltos sucessivos, só cerca de dez tripulantes é que se tinham sentido mal. Nas duas fragatas terrestres, cerca de metade das tripulações de ambas já tinha recebido tratamento e era exactamente por causa disso que os atrasos se estavam a suceder. - Os Terrestres já disseram mais alguma coisa?- perguntou Apollo a Tigh, que, como era seu costume, o acompanhava no Posto de Comando na Ponte. - Não, Comandante.- respondeu o Coronel.- A sua situação é a mesma. Ambas as fragatas apresentam problemas nos motores hiperespaciais e os seus técnicos estão a tentar resolvê-los. E esses técnicos não são os principais, porque esses estão a receber tratamento... - Se ao menos pudéssemos continuar viagem sem elas....- desabafou Apollo, embora soubesse que tal era impossível. As duas fragatas Terrestres serviam como uma espécie de prova de que a mensagem que a Galactica trazia da parte do Comandante Hans Zimmer era verdadeira. Ambos os Capitães confirmariam que o Grupo de Resposta Rápida deveria abandonar a Cintura de Asteróides e dirigir-se com eles para Lavos-306, um dos planetas que possivelmente seria atacado pelos Cylons. - Temos que ser realistas, Apollo...- retorquiu Tigh, pousando o seu computador pessoal em cima de uma das consolas de comando e esfregando os olhos, num gesto claro de cansaço.- Todos os planos são bons até ao momento que começam a ser executados. Nós nunca poderíamos adivinhar que os Terrestres iriam ter tantos problemas com as naves... Neste momento já não é possível chegar até ao Grupo no horário que tínhamos previsto. E também não iremos chegar a Lavos-306 a horas... - Eu sei disso...Eu próprio já fiz as contas. Com os atrasos que estamos a sofrer, iremos demorar mais ou menos dez centares a atingir a colónia...E isto se nenhuma das naves do Grupo se avariar... - Sei perfeitamente que estás preocupados com os habitantes de Lavos... Se os Cylons realmente atacarem o planeta... - Tenho a certeza de que já não é uma questão de se..., Tigh.- interrompeu Apollo, batendo com o punho fechado no braço da cadeira onde se sentava.- Tenho a certeza de que os Cylons já atacaram o planeta. Eles são como os snarks que infestavam certos mares em Caprica... Assim que sentem uma presa indefesa atacam sem piedade... - Se eles já o fizeram, temos que nos certificar que nunca mais o fazem. E também temos que mostrar aos Terrestres que estão a encarar o perigo dos Cylons de uma maneira muito despreocupada... - Há políticos Terrestres que defendem que nós devíamos ter continuado a nossa viagem. Com este ataque dos Cylons, de certeza que vão dizer mais uma vez que a culpa é nossa...que fomos nós que os atraímos até cá... - Eles são loucos...- afirmou Tigh, mostrando o seu conhecido desagrado por todos os tipos de políticos, fossem eles Terrestres ou Coloniais.- Se os Cylons tivessem contactado com os Terrestres antes de nós...Assim ao menos ainda tivemos tempo para os avisar e preparar...embora continue a dizer que eles ainda estão muito despreocupados... - Tigh, os Terrestres vão ter que aprender a não subestimar a ameaça dos Cylons, tal como os nossos antepassados aprenderam no princípio da Guerra Milenar...E nós vamos estar ao lado deles nesse combate!- concluiu Apollo, lançando um novo olhar para o seu relógio.- Mas agora, vamos contactar novamente as fragatas e ver se eles já repararam os motores... EM ÓRBITA DA COLÓNIA DE LAVOS-304, ALIANÇA TERRESTRE “Uma das coisa que devíamos instalar nas nossas naves era um monitor gigante...”, pensou Lúcifer enquanto ouvia o relatório de um dos Centuriões,”Era mais eficiente se os Comandantes das Nave-Base pudessem ver directamente as imagens transmitidas pelos Raiders e pelos Centuriões.” - Obrigado, Centurião.- disse o Cylon I.L., assim que o seu subordinado terminou de falar.- Lancem os vaivéns da segunda vaga e comecem a recolher prisioneiros; todos os equipamentos informáticos que encontrarem, assim como livros e mapas. - Os edifícios assinalados para tal efeito já estão a ser revistados e as principais concentrações de Humanos já estão cercadas. - E já conseguiram estabelecer contacto com as nossas forças na outra colónia? - Não. O equipamento de comunicação hiperluz está a ser calibrado. - Muito bem, Centurião. Regressa ao teu posto. - Pelo seu Comando. Esta era a única parte do plano de ataque que preocupava Lúcifer. As Naves-Bases que estavam sob o seu comando tinham partido do Posto Imperial sem terem recebido os melhoramentos ao nível do software de comunicações, o que as estava a impedir de receber as comunicações hiperluz apesar de já terem esse equipamento instalado. A única solução para tal era calibrar o equipamento hiperluz de forma a que este pudesse ser captado em equipamento subluz, o que era um trabalho moroso. “De qualquer maneira, os outros Comandantes têm as suas ordens...”, disse Lúcifer para si mesmo, tentando ignorar os dados estatísticos, obtidos em batalhas anteriores, que provavam que era normal os Primeiros-Centuriões esquecerem- se das ordens que lhes eram dadas. Os novos aparelhos de comunicação hiperluz serviriam para acabar com esses problemas pois as acções dos Primeiros-Centuriões passariam a ser controladas pelos seus superiores, nomeadamente pelos Cylons I.A.. Quanto a estes últimos, o Líder Imperial estava a dar- lhes cada vez mais poderes, nomeadamente dando-lhes o comando das forças Cylon que continuavam a expansão do Império. Lúcifer tinha falado com outros membros da sua série e todos eles sentiam que essa mudança era bem vinda, embora alguns deles achassem que isso também era uma maneira de os afastar das lutas pelo poder que estavam a ocorrer no planeta Cylon. E eram exactamente esses últimos que queriam assumir o lugar de Líder Imperial, acabando desta maneira com o último bastião de poder dos Cylons orgânicos. Lúcifer já tinha sido contactado por esta facção, mas não se tinha mostrado interessado em dar-lhes o seu apoio. Ele achava que a altura ainda não era propícia. O Império tinha que acabar com todos os seus inimigos externos antes de se poder pensar em mudanças. Os Coloniais ainda não estavam completamente exterminados, os Outros continuavam com os seus ataques nas fronteiras e estes novos Humanos também deveriam ser problemáticos... - Aliás, todos os Humanos são problemáticos.- concluiu Lúcifer em voz alta, fazendo com que alguns Centuriões se virassem na sua direcção antes de continuarem com as suas funções. – A nossa História é o reflexo disso mesmo... Avançando para junto dos seus subordinados, Lúcifer voltou de novo a sua atenção para as comunicações com a segunda vaga de ataque, que estava agora a aterrar na principal cidade terrestre daquele planeta. - Continua - (apenas lixo abaixo)